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Greve geral na Colômbia mobiliza cidades e ao menos um milhão de pessoas vão às ruas

Marchas multitudinárias são registradas em Medellín, Cali e Barranquilla, além da capital Bogotá. Manifestantes protestam contra pacote de medidas neoliberais do governo de Iván Duque

Publicado: 22 Novembro, 2019 - 12h10 | Última modificação: 22 Novembro, 2019 - 17h08

Escrito por: Por Victor Farinelli, da Revista Fórum

Reprodução/Twitter
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Faltava a Colômbia entrar na tendência de convulsões sociais na América do Sul, mas já não falta mais. Nesta quinta-feira (21), mais de um milhão de colombianas e colombianos tomaram as ruas das principais cidades do país contra as medidas econômicas do governo de Iván Duque.

As principais mobilizações aconteceram nas grandes cidades, como Medellín, Cali, Barranquilla e a capital Bogotá, que reuniram mais de 100 mil pessoas cada uma, mas todas as capitais departamentais do país registraram marchas com grande participação. Alguns meios da imprensa local estimam que, em todo o país, houve mais de um milhão de pessoas presentes nas ruas.

Entre as principais reclamações dos manifestantes estão, por exemplo, as medidas governamentais de corte de investimentos na Educação Pública, especialmente nas universidades: o governo havia feito um acordo com 32 reitores de universidades públicas, no ano passado, para aumentar seu orçamento em 12% nos próximos quatro anos, mas os mesmos reclamam agora que esse pacto não foi cumprido.

Outra questão importante é a trabalhista. Segundo a Central Unitária dos Trabalhadores (CUT) da Colômbia, 44% dos trabalhadores do país recebem menos que um salário mínimo legal, que é de 828 mil pesos (cerca de 1.000 reis). Além disso, o novo modelo de contratação estabelecido por projeto do Executivo colombiano, busca eliminar gradualmente a organização sindical.

A previdência também é um problema vigente no país. Segundo a CUT, dos mais de 8,5 milhões de contribuintes do sistema atualmente, somente 3 milhões conseguem se aposentar. O sistema previdenciário colombiano é parecido com o chileno, administrado por empresas privadas do setor financeiro, um modelo que Paulo Guedes, o ministro da Economia de Jair Bolsonaro, tenta impor no Brasil.

Finalmente, as marchas também estão protestando contra a enorme onda de assassinatos de líderes sociais no país. Entre fevereiro de 2018 (durante a campanha eleitoral que levou Duque ao poder) até outubro deste ano, foram mais de 200 casos de líderes de organizações sociais mortos a tiros ou facadas, a maioria deles em cidades do interior do país. Também houve um atentado, em março do ano passado, contra o então candidato Gustavo Petro, que perdeu o segundo turno presidencial contra Duque, mas ele saiu ileso dessa tentativa de assassinato.

Boicote e intimidações

Sobre isso, vale destacar que as marchas estão sendo um sucesso apesar das tentativas do governo de boicotar e intimidar as organizações. Nesta quarta-feira (20) houve 27 operações policiais de busca e apreensão em casas de líderes sociais. Muitas organizações também denunciaram ameaças verbais por parte de prefeitos e governadores partidários de Duque.

A Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, a chilena Michelle Bachelet, expressou sua preocupação por alguns documentos com instruções que solicitam apoio policial e a possibilidade de se declarar toque de recolher ao final do dia desta quinta, e pediu ao governo do país que não permita tais medidas.

As marchas na Colômbia reúnem organizações sindicais, camponesas, estudantis, indígenas, feministas e de afrodescendentes. A hashtag para acompanhar o movimento nas redes sociais é #21NSomosTodos.