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Governo Bolsonaro recorre a cubanos do ‘Mais Médicos’ para conter coronavírus

Mais de 5 mil novos médicos cubanos devem atuar na atenção básica de todo país. O governo acabou com o programa assim que iniciou o mandato e até agora não consegui resolver o problema de saúde pública do país

Publicado: 16 Março, 2020 - 11h26 | Última modificação: 16 Março, 2020 - 11h48

Escrito por: Walber Pinto

ARISON JARDIM/SECOMPR/FOTOS PÚBLICAS
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Depois de encerrar o Programa Mais Médicos, criado pelo PT, por uma questão puramente ideológica, o governo de Jair Bolsonaro recuou e está sendo obrigado a recorrer aos médicos cubanos que atuavam nos pequenos municípios do país para ajudar a controlar a pandemia do novo coronavírus (Covid-19). De sexta-feira (13) até a manhã desta segunda-feira (16), o número de casos no Brasil passou de 98 para 200. E há um paciente em estado muito grave no Rio de Janeiro.

A informação foi divulgada neste domingo (15) pelo secretário-executivo do Ministério da Saúde, João Gabbardo, em entrevista à Globo News.

Na entrevista, o secretário explicou que mais de 5 mil novos médicos devem atuar na atenção básica de todo país. Ele afirmou ainda que todos os médicos cubanos que estavam trabalhando no programa Mais Médicos e estudantes de medicina serão chamados.

“Esses cinco mil médicos que vão ser chamados, irão para a atenção básica de todo o país. E vamos fazer mais do que isso: nós vamos chamar a partir de amanhã (segunda-feira 16), todos os médicos cubanos que estavam trabalhando no programa inicialmente, anunciou o secretário.

Nos últimos dias, o presidente desdenhou da pandemia do vírus, chamando a crise de “fantasia” e um problema “que a grande mídia propaga”. Na quinta-feira, parecia ter tomado consciência do problema. Fez um pronunciamento em rede de TV orientação seus aliados a não fazerem atos no dia 15. O coronavírus, que desafia a saúde e economia mundial, continuou se alastrando e a equipe da Saúde manteve o perfil técnico.

Já Bolsonaro, que teve contato com pelo menos seis pessoas infectadas com o Covid-19, voltou atrás, ignorou as recomendações de isolamento, foi às ruas sem máscara, cumprimentou mais de 270 pessoas, desdenhando da crise e colocando a saúde pública em risco.

Médicos cubanos

Em 2019, Bolsonaro decidiu encerrar o Programa ‘Mais Médicos’ que vinha apresentando excelentes resultados na prevenção de doenças, especialmente no interior do Brasil. Ele disse que ia encaminhar ao Congresso Nacional um projeto de saúde pública, mas até agora na fez.  

A parceria com os médicos cubanos foi firmada em 2013 pelos governos de Cuba e da ex-presidente Dilma Rousseff (PT). O objetivo era levar médicos para áreas mais distantes e vulneráveis do país, que sempre tiveram dificuldades de reter profissionais.

No início do ano passado, após Bolsonaro dizer que expulsaria os médicos cubanos do país, Cuba encerrou a parceria e retirou seus profissionais, o que gerou uma crise na estrutura de atendimento, principalmente nos pequenos municípios afastados da cidade e nas ribeirinhas.

Gabbardo afirmou que a medida – a volta dos médicos cubanos -  é para ajudar a repor parte da mão de obra médica que se perde durante o trabalho, já que os médicos também sofrem com a contaminação.

O governo também estuda convocar os estudantes de medicina— a partir do sexto ano de curso —, para atuar na atenção básica de saúde.

Ainda segundo o secretário, a medida é para ajudar a repor parte da mão de obra médica que se perde durante o trabalho, já que os médicos também sofrem com a contaminação.

“A gente perde no transcorrer da doença. Mesmo que os sintomas deles sejam leves, eles têm que ser isolados para não ficar transmitindo a doença para os seus pacientes”, explicou.

 Com informações do G1