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Golpistas aprofundam violência na Bolívia, mas o povo não sai das ruas

Mais de 700 pessoas ficaram feridas em protestos contra o golpe que levou à renúncia do presidente eleito Evo Morales

Publicado: 19 Novembro, 2019 - 12h33 | Última modificação: 19 Novembro, 2019 - 13h07

Escrito por: Redação CUT

Reprodução/Vídeo do Twitter
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Nos últimos cinco dias, a violência policial se aprofundou na Bolívia e uma semana após a renúncia de Evo Marales, o total de mortos nos conflitos já chega a 24, mais 715 feridos e 503 detidos. Mas o povo não sai das ruas.  

Confira vídeo publicado nesta terça-feira (19) na página do Twitter da deputada Jandira Feghali:

Além da renúncia de Áñez, os manifestantes também pedem a saída de todos os ministros nomeados por ela e exigem o retorno imediato do presidente Evo Morales, vencedor das eleições realizadas no dia 20 de outubro.

O movimento aderiu ao pedido de seis sindicatos de Cochabamba que, no sábado, passaram a exigir a saída de Áñez no prazo de 48 horas e a aprovação de uma lei para garantir a realização de uma nova eleição em 90 dias.

Na última sexta-feira à noite (15), o governo autoproclamado da senadora Jeanine Áñez emitiu um decreto para eximir as Forças Armadas (FFAA) e a Polícia Nacional Boliviana de responsabilidade penal na repressão contra as manifestações e liberar o uso de armas de fogo.

Licença para matar

O decreto de Áñez foi publicado logo após o massacre no departamento de Cochabamba na mesma data, quando a polícia assassinou nove apoiadores de Morales durante protesto organizado por líderes cocaleiros pela volta do presidente. Além dos nove mortos, 105 pessoas ficarem feridas.

A cidade de El Alto, vizinha a La Paz, também se tornou palco de massacres no último final de semana, com centenas de feridos.

Como reação ao decreto do governo autoproclamado, os senadores do Movimento ao Socialismo (MAS), partido de Morales, anunciaram no domingo (17) que apresentarão um recurso no Tribunal Constitucional para vetar a decisão, que consideram inconstitucional.

Durante a apresentação do relatório sobre a Bolívia no último sábado (16), a CIDH qualificou o decreto como grave “por desconhecer os modelos internacionais de direitos humanos” e “estimular a repressão violenta”.

Na ocasião, a alta comissária da Organização das Nações Unidas (ONU) para direitos humanos, Michelle Bachelet, também se pronunciou sobre a situação no país latino-americano e afirmou estar preocupada com as múltiplas prisões. Ela condenou o uso da força e da repressão, convocando “todos os atores, incluindo os manifestantes, que renunciem à violência para encontrar uma solução pacífica para a crise atual”.

No entanto, a declaração está distante daquilo que exigem as organizações com status consultivo na ONU, que enviaram uma carta à representante da ONU e ex-presidenta chilena exigindo ações concretas para restaurar a democracia e o Estado de direito no país e monitorar a violação dos direitos humanos no contexto do golpe. Organizações sem status consultivo, como a Via Campesina e a Associação de Juristas Brasileiros pela Democracia, também assinam a carta.

Morales está exilado no México e promete retornar para ajudar a Bolívia a reconquistar a democracia.

Mobilizações

Apesar da repressão policial, manifestações pela renúncia da autoproclamada presidenta seguiram acontecendo e se concentram na capital do país, La Paz.

Com apoio do Brasil de Fato.