Frente à falência da Busscar...
Iniciativa pretende unir os ex-funcionários e torná-los sócios de uma nova fábrica
Publicado: 21 Janeiro, 2013 - 15h09
Escrito por: Sílvia Medeiros/CUT-SC
A empresa Busscar de Joinville que chegou a ser o segundo maior centro de fabricação de carrocerias do país foi fechada pela justiça em setembro do ano passado. A empresa já chegou a empregar mais de cinco mil pessoas e depois da falência diversos/as trabalhadores/as ainda estão desempregados/as e sem alternativas de renda.
Frente a isso, um grupo formado/a por trabalhadores/as que acompanham o processo de falência da Busscar iniciaram um planejamento de criação de uma Cooperativa que visa reunir os/as trabalhadores/as dispensados/as da antiga empresa e juntos formarem uma nova fábrica de ônibus, uma nova empresa em que todos/as serão sócios/as e ao mesmo tempo trabalhadores/as. O grupo estuda o projeto desde o ano passado e tem como maior objetivo, garantir emprego para pelo menos 600 ex-funcionários/as da Busscar.
Na quinta-feira, dia 17 de janeiro e no sábado dia 19, na sede do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias e Oficinas Mecânicas de Joinville e Região, foram realizadas reuniões que apresentaram para os/as trabalhadores/as um esboço do projeto de criação da cooperativa. De acordo com Liliana Piscki, membro do Sindicato dos Mecânicos e Secretária de Formação da CUT-SC, o motivo destes encontros é esclarecer as dúvidas dos/as trabalhadores/as sobre a criação da cooperativa e conseguir adesão de um maior número de sócios/as. “Mantê-los unidos e ajudá-los na construção de uma empresa cooperada é um dos nossos papéis, seja quanto sindicato que os representa ou quanto central dos/as trabalhadores/as”, comentou Liliana, que percebeu uma grande apoio dos/as trabalhadores/as em dois dias de reuniões.
Para a criação da cooperativa são necessários três pontos importantes: a adesão dos/as trabalhadores; o suporte financeiro que poderá vir de um banco que apóia cooperativas e também da parte de liberação judicial para o uso da fábrica. A ideia esta sendo apoiada pela União de Cooperativas do Brasil, a Unisol, pela Confederação Nacional dos Metalúrgicos, a CNM e pela Central Única dos Trabalhadores, CUT. “Nós enquanto Central dos/as Trabalhadores/as estamos dando todo o apoio a esta iniciativa. Vamos contatar o representante da CUT com o conselheiro do BNDES, para que possamos fazer esta ponte entre os/as trabalhadores/as e os recursos necessários para implantação desta cooperativa”, destacou Vilmar Osovsky, Secretário de Organização e Política Sindical da CUT-SC. Na reunião que aconteceu na quinta-feira, contou também com a participação do presidente da CNM, Paulo Caires, que destacou que esta ali representando a base nacional dos metalúrgicos, que envolve cerca de um milhão de trabalhadores/as de todo o Brasil.
A Comissão dos Trabalhadores pretende buscar apoios das três esferas de poder, tanto com o prefeito de Joinville e governador do Estado, quanto com os/as deputados/as estaduais, federais e senadores, além do Governo Federal, para dar sustentabilidade e garantir apoios de financiamentos ao projeto.