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Freixo cobra explicação da família Bolsonaro sobre relações com milícias

"O Bolsonaro defendeu a legalização das milícias abertamente. Isso tudo leva a uma responsabilidade política muito grande de conivência com essa máfia", afirma deputado federal

Publicado: 14 Março, 2019 - 10h19

Escrito por: Redação RBA

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Cerca de 24 horas depois da prisão dos acusados de terem executado a vereadora Marielle Franco (Psol-RJ) e o motorista Anderson Gomes, o deputado federal Marcelo Freixo (Psol-RJ) disse que o presidente Jair Bolsonaro (PSL) e seus filhos devem respostas à sociedade brasileira sobre suas relações com as milícias.

“Não tenha dúvida de que a família Bolsonaro, pelas suas práticas e suas defesas, deve muitas explicações e precisam repensar o seu posicionamento. Eles sempre defenderam grupo de extermínio, sempre defenderam milícia. O Bolsonaro defendeu a legalização das milícias abertamente. Isso tudo leva, evidentemente, a uma responsabilidade política muito grande de conivência com essa máfia tão violenta e ameaçadora da democracia”, afirmou Freixo, em entrevista à jornalista Marilu Cabañas, na Rádio Brasil Atual.

Atual senador, quando ainda era deputado estadual no Rio de Janeiro, Flávio Bolsonaro prestou uma série de homenagens e condecorações a policiais militares envolvidos com grupos milicianos.

A pergunta que não cala

Por outro lado, o deputado federal elogiou a prisão dos suspeitos de terem executado Marielle, destacando, porém, que a prisão dos assassinos não é a elucidação do crime e o mais importante ainda é saber quem mandou matar Marielle. “É evidente que isso não é suficiente, é só o primeiro passo. É muito importante chegar ao mandante, a quem planejou, qual grupo político é esse”, disse. “O delegado Giniton Lages cumpriu uma etapa importante, mesmo tendo demorado muito, amanhã completa um ano da morte da Marielle, mas conseguiu chegar aos executores, a quem apertou o gatilho.”

O deputado do Psol diz reconhecer que a investigação do duplo homicídio não é simples e elogiou a postura “correta” do delegado Marcus Vinícius, novo chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro, sempre disposto a prestar esclarecimentos sobre a investigação para a família e amigos das vítimas, algo que, segundo Freixo, não estava acontecendo antes. Todavia, faz questão de reafirmar que o mais importante ainda não foi descoberto.

“Nada vai adiantar se não soubermos quem foram os mandantes. Quem apertou o gatilho não é suficiente. O importante é saber qual foi a motivação, quem mandou matar Marielle, qual grupo político é capaz de matar uma vereadora em pleno século 21, no Rio de Janeiro”, diz Freixo. “O caso não está solucionado. Ele só teve um passo, e demorou um ano pra isso.”

CPI das Milícias

Freixo disse ainda acreditar ser importante a proposta, aventada nesta terça-feira (12), de criação de uma CPI Mista no Congresso Nacional para investigar a atuação das milícias no país.

“Acho que seria uma bela contribuição do Congresso ao que vem acontecendo no Rio de Janeiro e em outros lugares do Brasil, porque houve uma metástase das milícias e acabou se espalhando pelo Brasil inteiro, o que é uma prática muito perigosa e um atentado contra a democracia. É o domínio territorial se transformando em domínio político-eleitoral, uma relação entre crime, polícia e política que não se separam mais em alguns lugares do Brasil”, explicou.

Ouça a entrevista na integra

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