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Flávio Bolsonaro fala sobre ligação entre funcionárias e milícia do Rio

Gabinete do então deputado contratou Raimunda Veras Magalhães, mãe do PM Adriano Magalhães Nóbrega, acusado de comandar milícia no Rio de Janeiro

Publicado: 22 Janeiro, 2019 - 16h13 | Última modificação: 22 Janeiro, 2019 - 16h25

Escrito por: Redação CUT

Reprodução
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O senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) divulgou nota oficial nesta terça-feira (22) afirmando ter contratado para trabalhar em seu gabinete na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) a mãe do capitão da Polícia Militar, Adriano Magalhães da Nóbrega, a pedido do seu ex-motorista Fabrício Queiroz.

Raimunda Veras Magalhães, mãe do PM, aparece no relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) por ter repassado R$ 4.600,00 para a conta de Queiroz, investigado criminalmente pelo Ministério Público Estadual após o Coaf identificar movimentações suspeitas em sua conta corrente.

Já o PM está sendo procurado pela força tarefa da Polícia Civil do Rio e pelo Ministério Público do Estado, que cumprem 13 mandados de prisão contra apontados por prática de milícia que atuam na zona oeste do Rio. Eles são acusados de grilagem, construção, venda e locação ilegais de imóveis, receptação de carga roubada e extorsão, dentre outros crimes. Os milicianos também são suspeitos de terem ordenado a execução da vereadora do Psol Marielle Franco.

O deputado estadual e agora senador eleito homenageou na Alerj o PM e o major Ronald Paulo Alves Pereira, ambos estão entre os 13 alvos da Operação Intocáveis, iniciada na manhã desta terça-feira (22). Eles receberam, em 2003 e 2004, na Assembleia Legislativa do Rio, por indicação de Flávio, respectivamente, a Medalha Tiradentes - maior honraria do Estado - e uma menção honrosa, com elogios à atuação de ambos como policiais.

Segundo o jornal O Globo, o gabinete de Flávio Bolsonaro empregou também Danielle Mendonça da Costa da Nóbrega, mulher do capitão da PM. A Assembleia do Rio informou que a mãe do capitão da PM trabalhou no gabinete de Flávio de 11 de maio de 2016 até 14 de maio de 2018. Danielle, por sua vez, foi nomeada em 6 de setembro de 2007 e exonerada em 14 de novembro de 2018. Ambas pertenciam à categoria CCDAL-5 e recebiam um salário de R$ 6.490,35.

Na nota oficial, Flávio Bolsonaro afirmou que “continua sendo vítima de uma campanha difamatória com objetivo de atingir o governo de Jair Bolsonaro” e responsabilizou o ex-assessor pela contratação de uma das funcionárias.

“Não posso ser responsabilizado por atos que desconheço, só agora revelados com informações desse órgão. Tenho sido enfático para que tudo seja apurado e os responsáveis sejam julgados na forma da lei”, diz Flávio na nota que joga a culpa em Queiroz.

“Quanto ao parentesco constatado da funcionária, que é mãe de um foragido, já condenado pela Justiça”, prossegue o filho do presidente na nota, “reafirmo que é mais uma ilação irresponsável daqueles que pretendem me difamar”.

Já sobre as homenagens prestadas aos militares procurados, Flávio Bolsonaro diz que sempre atuou “na defesa de agentes de segurança pública e já concedi centenas de outras homenagens. Aqueles que cometem erros devem responder por seus atos.”

Segundo o jornal O Estado de S Paulo, esta é a segunda vez nos últimos meses que policiais denunciados pelo Ministério Público acusados de ligação com o agora senador eleito pelo PSL têm prisão decretada por suposta ligação com milícias. Em setembro do ano passado, o Estado mostrou que outros dois PMs presos haviam trabalhado na campanha dele foram para a prisão, sob a mesma suspeita.

Na ação desta terça, diz o jornal, os denunciados são apontados como integrantes de uma milícia que atua nas comunidades de Rio das Pedras, Muzema e adjacências, todas na zona oeste. Os agentes também estiveram em endereços dos denunciados e de algumas empresas relacionadas ao grupo criminoso.

Em dezembro passado, o general Richard Nunes, então secretário estadual de Segurança Pública do Rio, revelou ao Estado que milicianos ligados à grilagem de terras e que atuam na zona oeste da capital haviam ordenado a morte da vereadora Marielle Franco (PSOL). No crime, ocorrido em março, morreu também o motorista Anderson Gomes.

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