Fim da escala 6x1: saiba o que já foi aprovado e o que falta para virar realidade
Após aprovação na CCJ do Senado, proposta segue para o plenário; CUT e movimentos pressionam por votação antes das eleições
Publicado: 11 Setembro, 2026 - 11h35 | Última modificação: 11 Setembro, 2026 - 11h48
Escrito por: Walber Pinto
A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 foi aprovada em 2 de setembro pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado e está pronta para ser analisada pelo Plenário. Para entrar em vigor, a proposta que acaba com o fim da escala 6x1 ainda precisa ser aprovada em dois turnos pelos senadores e senadoras, com o quórum previsto na Constituição. A CUT, as demais centrais sindicais, movimentos sociais e populares pressionam, por meio de mobilizações nas ruas e nas redes sociais, pela votação da proposta antes das eleições.
A redução da jornada de trabalho também conta com o apoio da maioria da população. Segundo pesquisa Datafolha, mais de 70% dos brasileiros são favoráveis à redução da jornada sem redução salarial.
Com a PEC em tramitação no Senado, é necessário entender o que já foi aprovado, o que ainda falta e quais mudanças estão previstas no texto.
O que é a escala 6x1?
A escala 6x1 é o regime em que o trabalhador trabalha por seis dias e tem um dia de descanso. É utilizada em setores como comércio, serviços, alimentação, hotelaria, transporte e outras atividades que funcionam durante toda a semana.
Atualmente, a Constituição Federal estabelece jornada normal de até 44 horas semanais e garante o repouso semanal remunerado. A distribuição dessas horas pode resultar em seis dias de trabalho e um dia de folga.
A proposta em tramitação prevê a redução da jornada máxima para 40 horas semanais, sem redução salarial.
Qual proposta está em discussão?
A PEC 221/2019, de autoria do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), é a principal proposta em discussão sobre o tema. A ela foi apensada a PEC 8/2025, da deputada Erika Hilton (PSOL-SP).
Em 22 de abril de 2026, a Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania da Câmara dos Deputados aprovou a admissibilidade da proposta.
Na sequência, a matéria foi analisada por uma comissão especial. O colegiado aprovou, por 34 votos a 4, o substitutivo apresentado pelo relator, deputado Léo Prates (Republicanos-BA), reunindo em um único texto as propostas das PECs 221/2019 e 8/2025.
O texto aprovado estabelece jornada máxima de 40 horas semanais, em vez das 36 horas previstas originalmente nas propostas.
Câmara aprovou em dois turnos
Em 27 de maio de 2026, o Plenário da Câmara dos Deputados aprovou o substitutivo em dois turnos.
No primeiro turno, foram 472 votos favoráveis e 22 contrários. No segundo, 461 votos a favor e 19 contra. Para a aprovação de uma PEC, são necessários pelo menos 308 votos, equivalentes a três quintos dos 513 deputados. Em 28 de maio, a proposta foi encaminhada ao Senado Federal.
O que aconteceu no Senado?
Após cerca de três meses de tramitação no Senado, a PEC 221/2019 foi aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), em 2 de setembro, nos mesmos termos do texto encaminhado pela Câmara dos Deputados.
Com a aprovação na comissão, a proposta está pronta para ser votada pelo Plenário do Senado.
O que falta para a PEC ser aprovada?
A próxima etapa é a votação no Plenário do Senado Federal. Por se tratar de uma Proposta de Emenda à Constituição, o texto precisa ser votado em dois turnos. Em cada turno, são necessários pelo menos 49 votos favoráveis, o equivalente a três quintos dos 81 senadores.
Se o Senado aprovar o texto sem alterações, a PEC seguirá para promulgação pelas Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado, sem necessidade de sanção presidencial.
Se houver mudanças no texto, a proposta deverá retornar à Câmara dos Deputados para nova análise.
O que pode mudar?
O texto atualmente em tramitação estabelece jornada máxima de 40 horas semanais, quatro horas a menos do que o limite constitucional atual de 44 horas, sem redução salarial.
A mudança também deverá alterar a organização das jornadas de trabalho. A forma como a redução será aplicada dependerá das regras previstas na própria emenda e de sua regulamentação, quando necessária.
A redução da jornada é uma reivindicação histórica do movimento sindical. A Constituição de 1988 reduziu o limite máximo semanal de 48 para 44 horas.
Onde a proposta está agora?
A PEC 221/2019 já foi aprovada pela Câmara dos Deputados e pela CCJ do Senado. O próximo passo é a votação no Plenário do Senado, em dois turnos.
Até que todas as etapas sejam concluídas e a emenda seja promulgada, continuam valendo as regras atuais sobre jornada de trabalho.
Como pressionar os senadores?
Além da mobilização de rua, trabalhadores e trabalhadoras poderão atuar pelo celular, tablet ou computador. Usando a plataforma da CUT, Na Pressão, a população pode enviar um recado para os senadores. Clique AQUI.