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Fim da escala 6x1 e redução da jornada são positivos para a economia, diz Ipea

Estudo derruba argumentos de empresários sobre perda de lucros das empresas com o fim desse modelo. Mais de 70% dos brasileiros apoiam a mudança sem redução salarial

Publicado: 23 Fevereiro, 2026 - 14h42 | Última modificação: 23 Fevereiro, 2026 - 15h04

Escrito por: Walber Pinto | Editado por: André Accarini

Roberto Parizotti/CUT
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Ao contrário do que alegam empresários, de que o fim da escala 6x1 poderia gerar perda de lucros e aumento significativo de custos pela necessidade de contratar mais trabalhadores e trabalhadoras, estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) aponta que o impacto seria mínimo para grandes setores da economia.

Nota técnica do órgão, divulgado na semana passada, indica que, na indústria e no comércio, o custo operacional adicional ficaria abaixo de 1%. O debate sobre o fim desse modelo em que o trabalhador atua seis dias consecutivos para folgar um, e a redução da jornada de trabalho sem diminuição salarial está no centro do debate público.

A proposta é defendida pela CUT e demais centrais sindicais, que argumentam que a medida pode melhorar a qualidade de vida do trabalhador e da trabalhadora, ampliar a produtividade e gerar empregos.

Impacto reduzido

Segundo o Ipea, a redução da jornada para 40 horas semanais elevaria, em média, o custo do trabalho celetista em 7,84%. No entanto, quando se considera o peso da mão de obra no custo total de cada setor, o efeito se dilui.

Nos grandes setores com forte geração de empregos, como indústria e comércio, o impacto estimado é inferior a 1% do custo operacional, indicando capacidade de absorção das mudanças.

O estudo aponta ainda que no setor de serviços com alta dependência de mão de obra, como vigilância, segurança e limpeza, o impacto tende a ser maior. No setor de vigilância, segurança e investigação, por exemplo, o aumento estimado pode chegar a 6,6% do custo operacional.

O Ipea destaca ainda que aumento de custo do trabalho não implica, necessariamente, redução da produção ou aumento do desemprego.

Produtividade e emprego

Ao contrário do argumento de que menos horas de trabalho levariam à estagnação econômica, pesquisas nacionais e internacionais indicam que a reorganização das escalas pode elevar a produtividade, reduzir o absenteísmo (que indica as ausências dos funcionários no trabalho, incluindo faltas, atrasos e saídas antecipadas), melhorar o bem-estar e estimular o consumo.

Levantamento realizado pela Nexus – Pesquisa e Inteligência de Dados indica que 73% dos brasileiros são favoráveis ao fim da escala 6x1, desde que a mudança não implique redução salarial. O estudo foi conduzido entre 30 de janeiro e 5 de fevereiro, nas 27 unidades da Federação, com 2.021 entrevistados de 16 anos ou mais.

Para o Ipea, a redução da jornada também pode gerar novos postos de trabalho, ao demandar recomposição de equipes em setores específicos.

Especialistas defendem, no entanto, que áreas mais intensivas em mão de obra podem precisar de políticas de transição para adaptação gradual às mudanças.

Acesse o estudo do Ipea aqui.

Lula defende debate sobre bem-estar no trabalho

Nesta segunda-feira (23), o presidente Lula se manifestou na rede social X (antigo Twitter) sobre o debate em torno da jornada de trabalho.

Na  publicação, ele afirmou que “o mundo do trabalho está em transformação” e citou o filósofo coreano Byung-Chul Han, que define o momento atual como uma “sociedade do cansaço”, marcada pela pressão por desempenho e pelo desequilíbrio entre vida pessoal e profissional.

O presidente destacou que o Brasil discute o fim da jornada 6x1 para assegurar dois dias de descanso semanal aos trabalhadores. Segundo ele, os avanços tecnológicos permitiram alcançar níveis inéditos de produtividade e é necessário que esse progresso esteja associado ao bem-estar da população.

 “É hora de pensar no bem-estar das pessoas”, escreve