Fim da 6x1: trabalhador terá tempo para cuidar da saúde; Flávio Bolsonaro é contra
Redução da jornada sem corte salarial é defendida pela CUT e está em discussão no Congresso Nacional
Publicado: 17 Setembro, 2026 - 16h51 | Última modificação: 17 Setembro, 2026 - 17h07
Escrito por: Walber Pinto
Trabalhar seis dias seguidos e ter apenas um dia de descanso reduz o tempo disponível para recuperar o corpo e a mente, dormir adequadamente e cuidar da saúde. A rotina de trabalho prolongada também pode afetar a saúde mental, especialmente quando o trabalhador e a trabalhadora não conseguem conciliar o descanso, a vida familiar, o lazer e outras atividades necessárias ao seu bem-estar.
Apesar dos impactos das jornadas prolongadas na saúde e na rotina de milhões de trabalhadores, o candidato à Presidência da República pelo PL, Flávio Bolsonaro, vem se posicionando contra o fim da escala 6x1, que prevê dois dias de descanso por semana.
O candidato trabalhou nos bastidores do Senado Federal para travar a votação do fim da escala 6x1. A proposta de redução da jornada sem redução salarial e de mudança da escala 6x1 tem apoio de mais de 70% da população brasileira, segundo pesquisas citadas no debate sobre o tema. A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 prevê a redução da jornada e está no centro da discussão no Congresso Nacional.
Adoecimento de trabalhadores com jornadas prolongadas
Segundo levantamento da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da Organização Internacional do Trabalho (OIT), publicado em 2021, trabalhar 55 horas ou mais por semana esteve associado a um risco 35% maior de acidente vascular cerebral (AVC) e a um risco 17% maior de morte por doença cardíaca isquêmica, em comparação com jornadas de 35 a 40 horas semanais.
O estudo, que analisou dados de 194 países e considerou o período até 2016, estimou ainda que jornadas de 55 horas ou mais estiveram associadas a 745 mil mortes por AVC e doença cardíaca isquêmica em 2016.
Os dados não significam que toda pessoa submetida a uma jornada extensa desenvolverá uma doença, mas mostram a relação entre longas horas de trabalho e riscos à saúde. A OMS considera as jornadas excessivas e a falta de controle sobre o tempo de trabalho fatores de risco psicossocial no ambiente laboral.
No Brasil, 21 milhões de trabalhadores cumprem jornadas superiores a 44 horas semanais, segundo o Dossiê 6x1, elaborado pela pesquisadora Marilane Teixeira, do Cesit/Unicamp.
Quando é perguntado em entrevista sobre esse tema, Flávio Bolsonaro não responde ou coloca em dúvida os dois dias de folga por semana do trabalhador.
Com o fim da 6x1 o trabalhador terá mais tempo para cuidar da saúde
Na escala 6x1, o único dia de folga precisa ser dividido entre descanso e uma série de tarefas que não podem ser realizadas durante os dias de trabalho. Consultas médicas, exercícios físicos, cuidados pessoais e atividades domésticas disputam espaço com o tempo necessário para simplesmente descansar.
Com dois dias de folga, a organização da semana pode ser diferente. A proposta permite que o trabalhador tenha um período maior entre as jornadas e possa distribuir melhor as tarefas, o descanso e os cuidados pessoais.
A mudança, portanto, não deve ser analisada apenas pela quantidade de horas trabalhadas, mas também pela forma como o tempo de trabalho interfere no período disponível para recuperação.
Com a redução da jornada o trabalhador terá mais tempo para estudar
Para quem trabalha seis dias por semana, frequentar uma faculdade, fazer um curso profissionalizante, estudar para uma prova ou participar de atividades de qualificação pode ser difícil. A rotina de trabalho, somada aos deslocamentos e às tarefas domésticas, reduz as horas disponíveis para os estudos.
Uma jornada menor pode abrir espaço para que trabalhadores frequentem cursos presenciais ou on-line, retomem os estudos, façam uma graduação ou participem de atividades de formação profissional.
A análise de Marilane Teixeira sobre a redução da jornada destaca o estudo como uma das atividades que podem ganhar espaço com mais tempo livre.
Segundo a economista, trabalhadores poderiam utilizar esse período para estudar ou voltar a estudar, movimentando também setores ligados à educação e à formação.
CUT defende redução da jornada desde sua fundação
A redução da jornada de trabalho faz parte da história da CUT desde sua fundação, em 1983. A defesa das 40 horas semanais, sem redução salarial, está entre as bandeiras históricas da Central.
Atualmente, a CUT, em unidade com as demais centrais sindicais, mobiliza sindicatos e ramos para defender a redução da jornada sem redução salarial e o fim da escala 6x1.
A proposta também conta com apoio do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que defende a redução da jornada sem redução salarial.
A PEC 221/2019 já foi aprovada na Câmara dos Deputados por ampla maioria e avançou também na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. A proposta agora está no centro da discussão sobre a redução da jornada de trabalho sem redução salarial e o fim da escala 6x1.