• TVT
  • RBA
  • Rádio CUT
MENU

Filho de trabalhador rural foi aprovado em duas federais de medicina

O estudante disse que não esperava ser aprovado, quanto mais em duas universidades federais de medicina, o curso mais concorrido no país, pelo fato de morar na zona rural e ter dificuldade do acesso à internet

Publicado: 05 Fevereiro, 2020 - 10h33 | Última modificação: 05 Fevereiro, 2020 - 10h38

Escrito por: Contag

Comunicação FETAG-PI - Paes Landin
notice

Residente no Assentamento Lagoa do Mato, zona rural do município de Pajeú do Piauí, ao Sul do Estado, o estudante da rede pública, Lucas de Oliveira Santos, 19 anos, filho do trabalhador rural e presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais (STTR) de Pajeú, Claudio José dos Santos e Vanessa de Oliveira Santos, foi aprovado no último Exame Nacional do Ensino Médios (Enem) com 980 pontos na redação para duas universidades federais de medicina pelo sistema de cotas: Universidade Federal do Piauí (UFPI) e Universidade de São Paulo (USP).

“A ficha ainda não caiu, estou flutuando”, disse o estudante. Ele conta como ficou sabendo da aprovação “No dia que saiu o resultado, não consegui acessar ao sistema do Enem, então liguei para meus amigos e pedi para conferirem minha nota. À noite, quando já me preparava para dormir, eles me retornaram a ligação e comunicaram que eu tinha sido aprovado com 980 pontos na redação”, comentou emocionado.

O estudante disse que não esperava ser aprovado, quanto mais em duas universidades federais de medicina, o curso mais concorrido no país, pelo fato de morar na zona rural e ter dificuldade do acesso à internet.

“São 12km de minha casa para cidade e ainda tenho dificuldades em relação ao acesso à internet, mesmo assim vi que não era motivo para desistir, pelo contrário. Mantive o foco nos estudos e ‘comendo’ vários livros, porque percebo que muitas pessoas querem um bom futuro, com bens materiais e dinheiro, mais não querem ter trabalho e passar por dificuldades”, relatou.

Lucas afirmou que já passou 12 horas por dia estudando e até foi hospitalizado por conta de ler vários livros. Ele lembrou que a história de vida de seus pais diante de diversas dificuldades, pois o homem e a mulher da roça lutam bastante para criar seus filhos diante da falta de políticas públicas, mais que isso foi e é fonte de inspiração para que possa ser um vencedor.

Diante de tantas dificuldades, o futuro médico objetiva ajudar as pessoas de Pajeú. “Como profissional vou procurar atender o máximo as pessoas da minha cidade, para isso vou fazer o maior número de amigos possíveis do meu curso, para que quando alguém precisar dos meus serviços e não for da minha especialização, eu possa encaminhar para o especialista e estar aberto para toda e qualquer demanda e assim contribuir de alguma maneira”, frisou.

Emocionado, Claudio José dos Santos, pai de Lucas conversou com nossa reportagem.

“Sei que o agricultor familiar precisa avançar, mais temos os entraves como a condição financeira, porque nós que vivemos no campo e estamos na base, a gente percebe que muitas pessoas não querem ver o trabalhador rural avançar, ter espaço na sociedade. E eu como pai só tenho que agradecer à Deus por esta oportunidade, em ter um filho universitário e dizer que esta é uma conquista do trabalhador rural”, disse.

“A melhor coisa que existe entre pai e filho é o diálogo, precisamos entender e compreender nossos filhos, andar com eles, motivá-los, procurar quais são suas habilidades, mostrar a realidade, porque acredito que não podemos obrigá-los a estudarem, mais é necessário convencermos a praticar os estudos para que eles sejam ótimos profissionais, pois o importante são eles se convenceram de que realmente precisam estudar e serem bons cidadãos e acima de tudo, ser humano, se sensibilizar e valorizar o próximo”, concluiu Claudio.

O jovem irá residir em Teresina na casa do estudante e cursar medicina na UFPI. Na última terça-feira (4) ele e seu pai visitaram a FETAG-PI e recebeu o carinho e os parabéns da diretoria.

“Agradecer primeiro a Deus por este momento, meus pais e professores que sempre me incentivaram e acreditaram em minha capacidade de vencer”, concluiu o futuro médico.