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Federação Livre conquista reajuste mínimo de 9,85% para trabalhadores na Vivo

O reajuste salarial deste ano pode ultrapassar a 10%, dependendo da inflação deste mês de agosto

Publicado: 13 Agosto, 2021 - 10h54 | Última modificação: 13 Agosto, 2021 - 10h58

Escrito por: Tânia Trento, da Federação Livre de Trabalhadores em Telecom

Reprodução/Federação Livre
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Os 35 mil trabalhadores e trabalhadoras na Vivo já podem contar com um reajuste salarial que pode ultrapassar 10% na data base, em 1º de setembro.

O definição sobre o percentual do reajuste depende apenas da inflação de agosto, que costuma ser anunciada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no início do mês seguite à apuração dos preços.

Em Julho, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC-IBGE), usado para definir reajustes salariais, foi de 1,02% e em 12 meses o acumulado chegou 9,85%.

Essa é uma grande conquista da estratégia de negociação adotada no ano passado pela Federação LIVRE e seus sindicatos (Sinttel AM, CE, ES, PE, RJ, RN e RO), afirma o presidente da Federação, Luis Antonio Silva.

De acordo com ele, as entidades brigaram para fazer um acordo coletivo com validade de 2 anos (até setembro de 2022)  e com reajuste automático pelo INPC integral, inflação registrada entre 1º/set/2020 a 31/ago/2021.

Além dos salários, o reajuste automático pelo INPC incide também sobre os benefícios como auxílios alimentação (VA, VR e refeição extraordinário), creche, cesta básica, babá, para dependentes portadores de deficiência, funeral e condutor; quebra de caixa e reembolso para dirigir veículo próprio na empresa.

Ajuda de custo de R$ 250 para o Teletrabalho

Após conquistado o reajuste, a Federação Livre deu início as negociações com a operadora de outros itens importantes para a categoria. A pauta de reivindicações enviada pela Livre para a emrpesa inclui discussões importantes como o teletrabalho (home office) com uma ajuda de custo de 250 reais (ainda sem regramento); além de garantia de empregos; qualificação profissional e a renovação do Acordo Coletivo por mais 2 anos.

Esse reajuste só está garantido no acordo da Vivo. Nas demais operadoras a luta é também conquistar a reposição integral, ressalta o presidente da Livre.

A Federação já enviou a pauta de reivindicações unificada para Oi, Claro, Algar e Tim e as negociações já estão em andamento na Algar. A primeira reunião com a TIM será no próximo dia 18.

Reajuste não é aumento real de salário

Como o nome diz, reajuste é um reequilíbrio, um reacerto de contas. E nos salários é a recuperação do seu poder de compra. Resumindo, significa que o salário recebido em setembro do ano passado, perdeu ao longo dos meses (até julho, 9,85%) e quando chegar na data base, 1º de setembro, terá sido corroído em mais de 10% do seu valor, não conseguindo comprar as mesmas quantidades e mercadorias que comprava.

O presidente da Federação Livre e coordenador do SinttelRio, Luis Antônio Silva, esclarece que os salários não terão aumento real.

“A reposição da inflação apenas recupera aquilo que o salário perdeu. Contudo, essa é uma vitória para os trabalhadores na Vivo, pois há três anos, todas as operadoras, Oi, Claro, Algar e Tim negavam a reposição integral da inflação”, afirmou o dirigente.

“As empresas impuseram a política de abonos remuneratórios que não incorporavam valor aos salários. E isso se refletia, por exemplo, na redução do valor da aposentadoria e nos depósitos do FGTS do/a trabalhador/a ao longo do tempo de trabalho”, explicou Luis Antônio.

Inflação acelera

O INPC  mede a inflação para as famílias com rendimentos de um a cinco salários-mínimos e chefiadas por assalariados.  Acelerou para 1,02% em julho, após a alta de 0,60% em junho. Alta acumulada em 12 meses de 9,85%, acima dos 9,22% dos 12 meses em junho. Em julho de 2020, o indicador ficou em 0,44%, muito abaixo desses 1,02%, divulgados nesta quinta, 12/08. (dados do IBGE).

A inflação tem corroído o poder de compra da classe trabalhadora, principalmente os mais pobres.

O gás de cozinha aumentou 30%, acompanhado pela gasolina (45%) e da energia elétrica (20%) nos últimos 12 meses. Alimentos tiveram aumentos significativos: No acumulado em 12 meses ficou em 42,96% para o tomate, 34,28% nas carnes, 21,88% no frango em pedaços e 11,29% para o leite longa vida. O arroz, apesar da queda no mês, tem alta de 39,69% em 12 meses, segundo a Agência de notícias do IBGE.