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Federação de professores dos EUA apoia luta em defesa dos direitos no Brasil

Em resolução, entidade afirma que governo de Jair Bolsonaro é “autoritário e antidemocrático” e reafirma apoio à luta em defesa da democracia e da manutenção dos direitos no Brasil

Publicado: 12 Fevereiro, 2019 - 18h15 | Última modificação: 12 Fevereiro, 2019 - 18h28

Escrito por: Redação CUT

Divulgação
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A Federação Americana de Professores (AFT), entidade que representa 1,7 milhão de trabalhadores e trabalhadoras e tem mais de três mil sindicatos filiados nos Estados Unidos, se solidarizou à luta em defesa da democracia, dos direitos humanos e do meio ambiente no Brasil.

Segundo a entidade, que é filiada à Confederação de Sindicatos dos Estados Unidos (AFL-CIO), a eleição de Jair Bolsonaro (PSL) e a implementação de sua pauta reacionária e conservadora, com ataques à democracia, direitos humanos, direitos trabalhistas, liberdades políticas, direitos das minorias e questões ambientais, refletem a ascensão do autoritarismo antidemocrático em diversos países do mundo.

“Ele [Bolsonaro] se junta outros autoritários antidemocráticos eleitos em todo o mundo, como Recep Tayyip Erdoğan na Turquia, Viktor Orbán na Hungria, Abdel Fattah el-Sisi no Egito e Rodrigo Duterte nas Filipinas”, diz trecho da resolução.

Fim do Ministério do Trabalho, demissões arbitrárias de servidores públicos, intervenções nas universidades públicas e ataques aos direitos humanos são alguns dos exemplos citados pela entidade na resolução para reafirmar que a AFT “continuará com ações de rua, comunicação nas mídias sociais e manifestações públicas para chamar a atenção para a prática antidemocrática e os abusos dos direitos humanos do governo Bolsonaro”.

“A AFT se comunicará diretamente com indivíduos e grupos no Brasil para apoiar sua luta contra o autoritarismo e a resistência contra a odiosa agenda do Presidente Jair Bolsonaro”, destaca a entidade.

“A AFT afirma seu apoio aos indivíduos e grupos corajosos no Brasil que se empenham em defender os direitos e liberdades constitucionalmente protegidos, e nós apoiaremos aqueles no Brasil que se opõem ao autoritarismo e continuam a defender a democracia”.

Confira a resolução na íntegra:

Resolução da AFT - Federação Americana de Professores

EM APOIO À DEMOCRACIA, DIREITOS HUMANOS E MEIO AMBIENTE NO BRASIL

CONSIDERANDO que, após dois anos de turbulência política no Brasil, que resultaram em decisões judiciais que impediram o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva de concorrer às eleições, os eleitores brasileiros elegeram um ex-oficial militar de extrema direita, Jair Bolsonaro, para a presidência. Ele se junta à companhia de outros autoritários antidemocráticos eleitos em todo o mundo, como Recep Tayyip Erdoğan na Turquia, Viktor Orbán na Hungria, Abdel Fattah el-Sisi no Egito e Rodrigo Duterte nas Filipinas; e

CONSIDERANDO que os sindicatos estão sendo alvo de ataques. Mudanças recentes na legislação trabalhista brasileira eliminaram importantes direitos sindicais e trabalhistas, cortaram fontes de financiamento sindical e aumentaram significativamente o emprego precário nos setores público e privado. Os sindicatos relataram intensificação da perseguição de líderes sindicais e trabalhadores em todo o país; e

CONSIDERANDO que a AFL-CIO, a Confederação Internacional de Sindicatos, a Serviços Públicos Internacionais (ISP) e a Educação Internacional (IE) estão mobilizando organizações membros para protestar contra as ações do governo de Bolsonaro para reverter a democracia em direitos humanos, direitos trabalhistas, liberdades políticas, direitos das minorias e questões ambientais; e

CONSIDERANDO que Bolsonaro aboliu o Ministério do Trabalho do Brasil, entre outras agências governamentais e ministérios, e começou a demitir milhares de trabalhadores contratados do setor público que são considerados uma ameaça política à missão do governo; e

CONSIDERANDO que o Presidente Bolsonaro prometeu novas demissões no setor público, propôs a abolição dos tribunais trabalhistas no Brasil e promoveu assessores econômicos que buscavam cortar gastos com pensões, privatizar empresas estatais e serviços públicos e conceder cortes de impostos para os ricos; e

CONSIDERANDO que o sistema de educação do Brasil provavelmente será um dos alvos de Bolsonaro. Ele ameaçou acabar com a tradição de independência escolar de décadas, impondo diretores de direita em universidades federais. O ministro da Educação de Bolsonaro disse que quer eliminar a educação sexual, exigir que o criacionismo seja ensinado junto com a evolução, revisar materiais escolares para incluir uma visão mais “equilibrada” da ditadura militar do país e encorajar professores e alunos a delatar “esquerdismo” na sala de aula. Um projeto de lei, já em tramitação no Congresso, proibirá professores e professores universitários de expressarem suas opiniões políticas na sala de aula, proibir o uso dos termos “gênero” e “orientação sexual” e forçar o ensino da “educação moral e religiosa” se os pais o solicitarem; e

CONSIDERANDO que Bolsonaro transformou o Ministério dos Direitos Humanos no Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos e nomeou uma pastora conservadora como ministra, provocando protestos de ativistas feministas, indígenas e LGBTs. Bolsonaro ordenou que o Ministério da Agricultura agora tenha autoridade para demarcar o território indígena, que ameaça os povos indígenas e quilombolas do Brasil, comunidades descendentes de escravos fugitivos, impulsionando o agronegócio e ameaçando a Amazônia com mais desmatamento e degradação ambiental. Bolsonaro tem repetidamente feito declarações misóginas, racistas, anti-LGBT e anti-ambientalistas ao longo dos anos:

FICA RESOLVIDO que a Federação Americana de Professores - em conjunto com a AFL-CIO, a Internacional Educacional (IE) e a Public Services International (ISP) - continuará com ações de rua, comunicação nas mídias sociais e manifestações públicas para chamar a atenção para a prática antidemocrática e os abusos dos direitos humanos do governo Bolsonaro; e

FICA RESOLVIDO que a AFT se comunicará diretamente com indivíduos e grupos no Brasil para apoiar sua luta contra o autoritarismo e a resistência contra a odiosa agenda do Presidente Jair Bolsonaro; e

FICA RESOLVIDO que a AFT afirma seu apoio aos indivíduos e grupos corajosos no Brasil que se empenham em defender os direitos e liberdades constitucionalmente protegidos, e nós apoiaremos aqueles no Brasil que se opõem ao autoritarismo e continuam a defender a democracia.

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