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Fachin vê indícios de execução e pede para Aras investigar operação em favela do Rio

Ministro do STF enviou ofício do Procurador-Geral da República pedindo uma investigação sobre a operação que assassinou 25 homens de 18 a 41 anos

Publicado: 07 Maio, 2021 - 16h39 | Última modificação: 07 Maio, 2021 - 16h49

Escrito por: Redação CUT

Reprodução, ICICT/Fiocruz
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“Há indícios de atos que, em tese, poderiam configurar execução arbitrária”, afirmou o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, em ofício encaminhado ao procurador-geral da República, Augusto Aras, pedindo uma investigação sobre a operação na favela do Jacarezinho, que terminou com a execução de 25 pessoas, nesta quinta-feira.

 “Os fatos relatados parecem graves e, em um dos vídeos, há indícios de atos que, em tese, poderiam configurar execução arbitrária”, disse Facin, que continuou dizendo acreditar que Aras “adotará as providências devidas”, e e pediu para “ser informado das medidas tomadas e, eventualmente, da responsabilização dos envolvidos nos fatos”.

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A operação ocorreu, apesar de, no ano passado, o plenário do STF ter determinado a suspensão das operações policiais em comunidades do Rio durante a pandemia do novo coronavírus, referendando uma decisão de Fachin, que é o relator de uma ação sobre o tema.

Tanto no ofício enviado a Aras quando no enviado ao procurador-geral de Justiça do Estado do Rio, Luciano Oliveira Mattos de Souza, Fachin mencionou dois vídeos que recebeu do  Núcleo de Assessoria Jurídica Universitária Popular da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Em um deles, aparece a imagem de cinco corpos baleados. Em outro, agentes policiais abrem à força a porta de uma residência, atiram em um homem que já estava deitado no chão e gritam: “Abre essa porra. Polícia! Mão na cabeça, tá fodido, vagabundo!”.

Também nesta sexta-feira (7), o escritório de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) pediu uma investigação independente sobre o caso.

16 vítimas identificadas

Advogados da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil, seção Rio de Janeiro (OAB-RJ), que acompanhaa as famílias dos mortos, identificaram 16 das vírtimas, com idades entre 18 a 41 anos - sete das vítimas têm até 23 anosm seguno o UOL.

Desde 2020, polícia do Rio matou mais de mil pessoas

As intervenções policiais no Rio de Janeiro mataram 1.245 pessoas em 2020 – 3 mortes por dia -, segundo dados do Instituto de Segurança Pública, diz a BBC Brasil.

O número, apesar de muito alto, é menor que o total de vítimas fatais dos dois anos anteriores. Em 2019, foram 1.814 e em 2018, 1.534.

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