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Ex-secretária parlamentar de Jair Bolsonaro é personal trainer de famosos

A filha de Fabrício Queiroz, ex-motorista de Flávio Bolsonaro, trabalhava como personal trainer no mesmo horário em que devia cumprir o expediente como secretária parlamentar de Jair Bolsonaro

Publicado: 14 Dezembro, 2018 - 17h31 | Última modificação: 14 Dezembro, 2018 - 17h53

Escrito por: Redação CUT

A filha de Fabrício Queiroz, ex-motorista de Flávio Bolsonaro (PSL), foi secretária parlamentar de Jair Bolsonaro (PSL) e personal trainer de famosos ao mesmo tempo. E quando foi assessora do filho mais velho do presidente eleito também teve dois empregos e ainda estudava a noite. 

Nathalia Queiroz iniciou a carreira no mundo da política trabalhando como assessora de Flávio Bolsonaro quando ele era vice-líder do PP na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), em 2007. Depois foi contratada pelo gabinete do deputado onde ficou até dezembro de 2016.

No mesmo período em que aparecia na folha de pagamento da Alerj, de abril de 2011 a julho de 2012, ela trabalhou como recepcionista em uma rede de academias no Rio. Tinha até carteira assinada. E ainda estudava Educação Física da Universidade Castelo Branco.

Já formada, Nathalia virou personal trainer de famosos, como Bruna Marquezine, mas manteve o cargo de assessora parlamentar, só que dessa vez no gabinete de Bolsonaro pai. Ela seguiu sua vida até ser pega pelos técnicos do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF), que identificaram movimentações suspeitas nas contas de funcionários da Alerj.

Entre os suspeitos está o pai, que movimentou R$ 1,2 milhão de janeiro de 2016 a janeiro de 2017. A maioria dos depósitos foi feito por nove funcionários da Alerj no mesmo dia ou até uma semana depois do pagamento dos salários. Nesse período, a assessora Nathalia transferiu para a conta do pai R$ 84.110,04.

Todos os assessores, inclusive o ex-motorista e sua filha, foram exonerados em outubro, antes de ser deflagrada a Operação Furna da Onça, que prendeu dez deputados e secretários estaduais do Rio, em novembro – no total, 36 estão sendo investigados pela Polícia Federal e pelo Ministério Público por corrupção.

Reportagem da jornalista Ana Luiza Albuquerque na Folha de S. Paulo desta sexta-feira (14) indica que Nathalia nunca exerceu a função de secretária parlamentar e provavelmente atuava como mera repassadora dos recursos para o esquema do clã Bolsonaro.

Secretária parlamentar e personal trainer ao mesmo tempo 

Segundo a lei, a atividade de secretária parlamentar exige dedicação semanal de 40 horas. No entanto, no período em que deveria, em tese, estar assessorando Jair Bolsonaro, a filha de Queiroz indicava em suas redes sociais uma atividade intensa como personal trainer.  

O período em que Nathalia deveria atuar como secretária nos gabinetes de Flávio e depois de Jair Bolsonaro é o de maior atividade da personal trainer, conforme os registros em seus perfis nas redes sociais. 

Divulgação Divulgação

"As datas das fotos coincidem com o período em que esteve lotada em ambos os gabinetes. Em setembro, Nathalia recebeu uma remuneração bruta de cerca de R$ 10 mil como secretária parlamentar de Jair Bolsonaro", informa a Folha

O que é o COAF? 

O COAF é a sigla do Conselho de Controle de Atividades Financeiras, órgão de inteligência que trabalha no combate a  lavagem de dinheiro. O COAF é ligado ao Ministério da Fazenda, mas no governo de Bolsonaro será subordinado ao ex-juiz Sérgio Moro, futuro ministro da Justiça. 

Como ele trabalha?

O COAF recebe informações de bancos, corretoras, imobiliárias, joalherias e galerias de arte são obrigadas a comunicar negócios suspeitos, como por exemplo os que são em dinheiro.

Os técnicos do COAF analisam amostras desses informes e, se detectarem suspeitas de crime, encaminham os casos para o Ministério Público.

O que é movimentação atípica? 

Para o COAF movimentação atípica é quando alguém faz depósito ou saque bancário em valores fracionados inferiores a R$ 30 mil.

As instituições financeiras são obrigadas a informar todas as movimentações suspeitas a partir desse valor. Quem tenta burlar essa norma, com movimentações menores fracionadas, entra no radar dos bancos. Depósitos em dinheiro vivo ou compra de seguro ou previdência privada com recursos de origem duvidosa também são considerados atípicos.

Como Jair Bolsonaro apareceu neste caso?

O ex-assessor de Flávio Bolsonaro repassou um cheque de R$ 24 mil para a mulher do presidente eleito, Michelle Bolsonaro. Segundo Bolsonaro, o empréstimo foi de R$ 40 mil e não consta de declaração de Imposto de Renda do presidente eleito.

Bolsonaro comete crime fiscal ao omitir um empréstimo?

Não, desde que ele ratifique a sua declaração de IR e mostre que tinha recursos disponíveis para emprestar o valor. Em casos similares, a Receita aplica multa a quem omite o empréstimo.

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