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Ex-assessor de Flávio Bolsonaro diz que era obrigado a devolver salário e benefícios

Reportagens apontam compra de imóveis com recursos de “laranja” e repasse de dinheiro em gabinetes de Flávio e Carlos

Publicado: 03 Setembro, 2021 - 17h02 | Última modificação: 03 Setembro, 2021 - 17h13

Escrito por: Redação RBA

Agência Senado
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O ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro, Marcelo Luiz Nogueira dos Santos, afirmou ter devolvido 80% de seu salário e benefícios, durante o período de quatro anos em que foi servidor na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), quando zero quatro era deputado estadual. Em entrevista ao jornalista Guilherme Amado, do Metropole, o ex-funcionário de Flávio disse ter repassado cerca de R$ 340 mil no total.

A informação foi confirmada pela também jornalista Juliana Dal Piva, do Uol, que em outra matéria revela que Marcelo entregava os valores, em dinheiro vivo, nas mãos da advogada Ana Cristina Siqueira Valle, então esposa de Jair Bolsonaro.

De acordo com Nogueira, entre 2003 e 2007, ele foi lotado no gabinete de Flávio na assembleia do Rio. Durante esse período, Ana Cristina era chefe de gabinete de Carlos Bolsonaro, em seu primeiro mandato na Câmara Municipal do Rio.

O ex-assessor de Flávio explicou ainda que a esposa de Bolsonaro foi quem precedeu Fabrício Queiroz e era a encarregada de fazer o recolhimento de valores. A ação era aplicada no gabinete de Flávio e mas também no de Carlos. O servidor afirma que, somente depois da separação de Jair e Ana Cristina, em 2007, Flávio e Carlos teriam assumido a responsabilidade pela coleta.

Quebra de sigilo

A matéria do UOL aponta que, na quebra de sigilo bancário autorizada durante as investigações contra Flávio Bolsonaro, foi possível encontrar saques mensais feitos por Nogueira ao longo de 2007. Em 13 oportunidades Marcelo realizou saques de mais de R$ 1 mil. Em abril de 2007, dois dias após receber R$ 4 mil da Alerj, ele fez um saque de R$ 3 mil.

No último dia 31, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ) autorizou a quebra de sigilo bancário e fiscal de Carlos, Ana Cristina e outros 25 assessores para apurar a denúncia de rachadinha e da nomeação de funcionários fantasmas no gabinete do vereador.

O MP suspeita de que a prática criminosa ocorra desde o primeiro mandato de Carlos Bolsonaro na Câmara do Rio, em 2001. Outras suspeitas no mesmo sentido já envolveram também o irmão Flávio Bolsonaro, quando o hoje senador (Republicanos) era deputado estadual pelo Rio de Janeiro (2003-2019), e o gabinete do pai, o presidente Jair Bolsonaro, quando este era deputado federal (1991-2019).

Imóveis dos Bolsonaros

Ainda no UOL, Marcelo Nogueira diz que acompanhou as compras de imóveis feitas por Ana Cristina no período do casamento com Jair Bolsonaro. A advogada não tinha bens antes da união, em 1998, mas até 2007, o casal era dono de 14 imóveis dos quais cinco foram comprados em dinheiro vivo.

Questionado se sabia que os imóveis estavam em nome de Ana Cristina e Bolsonaro, o ex-assessor afirmou que “ela colocava, mas ele não concordava muito não”.

Marcelo trabalhou durante 14 anos para a família Bolsonaro e, segundo ele, a compra da mansão em que Ana Cristina mora atualmente em Brasília, no Lago Sul, com o filho, Jair Renan, foi comprada com dinheiro de “laranjas”. O imóvel de luxo da família Bolsonaro tem 1.200 m² de área total e 395 m² de área construída, uma piscina de 50 m², aquecimento solar e quatro suítes.