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Estudantes ocupam as ruas e as redes para fortalecer a luta pela educação

Governo Bolsonaro não investe em educação e ministro quer universidade para poucos, ao contrário dos governos de Lula e Dilma que investiram e deram ao filho do pedreiro a chance de ser doutor

Publicado: 11 Agosto, 2021 - 11h00 | Última modificação: 11 Agosto, 2021 - 12h32

Escrito por: Redação CUT

Reprodução/UBES
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Na antevéspra do Dia do Estudante, criado em 11 de agosto de 1927 para homenagear quem tinha a possibilidade de estudar no país, o ministro da Educação, Milton Ribeiro, afirmou à TV Brasil que a "universidade deveria, na verdade, ser para poucos”. Segundo ele, só assim seria “útil à sociedade".

Para fortalecer a luta contra os cortes na educação e para que todos tenham direito de cursar uma universidade, os estudantes ocuparão as redes e as ruas neste 11 de agosto. 

As atividades ocorrerão no país inteiro e serão encabeçadas pela União Nacional dos Estudantes (UNE), União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes) e Associação Nacional de Pós-graduandos (ANPG), juntamente com o movimento social e educacional de todo no país.

Reprodução/TwitterReprodução/TwitterA fala do ministro explica porque, ao invés de lamentar, ele comemorou o menor número de inscritos para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2021 dos últimos 13 anos. O exame, que chegou a ter mais de 8,7 milhões de inscrições em 2014, antes do golpe que destituiu Dilma Roussef, teve apenas 3,1 milhões na edição deste ano.

A redução no número de alunos é resultado de uma ação direta de Milton Ribeiro que não isentou da taxa de inscrição quem faltou na prova de 2020 com medo da pandemia do novo coronavírus que fazia milhares de vítimas todos os dias na época.

Para reverter a decisão, a União Nacional dos Estudantes (UNE), a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes) e o Educafro protocolaram, nesta terça (10), no Supremo Tribunal Federal (STF), uma Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) em que pedem a reabertura das inscrições do Enem com isenção aos estudantes ausentes na última edição.

Sem uma decisão judicial, o Ministério da Educação (MEC), dificilmente isentará de taxas os alunos mais pobres. E a fala do ministro Milton Ribeiro no programa "Sem Censura", na noite de segunda-feira (9), deixa isso claro. Ele defendeu que, no futuro, os investimentos deveriam ser nos institutos federais, capazes de formar técnicos porque tem muita gente se formando e trabalhando como Uber.

"Tem muito engenheiro ou advogado dirigindo Uber porque não consegue colocação devida. Se fosse um técnico de informática, conseguiria emprego, porque tem uma demanda muito grande", disse Ribeiro.

Ao contrário do governo Lula que investiu Educação, criando universidades, dando oportunidades aos filhos dos pedreiros de serem doutores, ao mesmo tempo em que gerava empregos e renda, o governo de Jair Bolsonaro (ex-PSL), quer acabar com o sonho de milhões de brasileiros e nada faz para gerar empregos. É por isso que os doutores estão dirigndo Uber, mas isso o ministro não disse.

Em apenas 13 anos, Lula e Dilma criaram 422 escolas técnicas - três vezes mais do que fizeram todos os governos anteriores em mais de um século de história (140 escolas). Criaram também 18 universidades federais, 178 campus e programas como o ProUni e o Fies, que democratizaram o acesso ao ensino superior. Resultado: o país que levou cinco séculos para ter 3,5 milhões de jovens frequentando universidades, precisou de apenas 13 anos para chegar aos mais de 8,03 milhões de brasileiros universitários.

Em texto publicado no Portal da CTB, Marcos Aurélio Ruy lembra que o país se aproxima de comemorar os 200 anos das primeiras faculdades do país e está submerso em um desgoverno que visa destruir a educação, a ciência, a cultura e os institutos e universidades federais e toda a possibilidade de futuro da juventude que sonha em ter vida digna.

“A juventude retoma as ruas neste Dia do Estudante porque, os jovens querem estudar, ter emprego e direitos” e “o atual governo não só não oferece essas políticas, como desrespeita e precariza a vida dos jovens”, disse a presidenta da Ubes, Rozana Barroso.

A reportagem diz ainda que, de acordo com o Censo Escolar 2020, existem no país 47,3 milhões de crianças e jovens matriculados no ensino básico, em 179.533 escolas. Apenas no ensino médio, são 7,6 milhões de estudantes, ou 89% da população entre 15 e 17 anos matriculados nas escolas. Isso significa que 11%, dessa parcela da juventude, estão fora da escola.

Pelo índice do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 29,8% dos jovens de 18 a 24 estavam sem emprego em 2020. Em 2018, 11 milhões de jovens nem estudavam nem trabalhavam.

“Não há Brasil quando não se tem estudante estudando, quando a maior parte da juventude não acessa a educação, porque o presidente da República entrou na justiça para impedir uma lei, que construímos com muito suor, possa ser implementada para garantir internet a 18 milhões de meninas e meninos que estão sem estudar por conta disso”, reforça a presidenta da Ubes na reportagem da CTB.

“Educação, cultura e esporte são fundamentais para uma vida digna e absolutamente se complementam”, acentua Beatriz, “seja na perspectiva da formação intelectual, do desenvolvimento de habilidades, na promoção da saúde e porque não dizer dos mais diversos talentos”.