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Escândalo da "rachadinha" está cada vez mais perto de Bolsonaro

Ex-assessores de Bolsonaro foram trabalhar nos gabinetes dos filhos Flávio e Carlos e, juntos, sacaram em dinheiro vivo pelo menos 90% dos salários recebidos

Publicado: 25 Março, 2021 - 10h41 | Última modificação: 25 Março, 2021 - 10h57

Escrito por: Redação CUT

Reprodução
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Seis pessoas trabalharam no gabinete de Jair Bolsonaro na Câmara dos Deputados e, anos depois, foram assessorar os filhos zero um, Flávio Bolsonaro, na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj); e zero dois, Carlos Bolsonaro, na Câmara Municipal do Rio,

Juntos, os seis ex-assessores sacaram pelo menos 90% dos salários pagos pelos gabinetes dos filhos do presidente em dinheiro vivo. No total, elas ganharam R$ 1,58 milhão e retiraram, em dinheiro vivo, pelo menos R$ 1,41 milhão.

Todos tiveram sigilo bancário quebrado pela investigação da "rachadinha" no gabinete de Flávio Bolsonaro na Alerj, diz reportagem do UOL. Como a quebra começa em janeiro de 2007, depois que essas pessoas já tinham saído da Câmara dos Deputados, não é possível saber o que fizeram com os salários que recebiam do gabinete de Jair Bolsonaro, completam as repórteres Amanda Rossi, Gabriela Sá Pessoa e Juliana Dal Piva e o repórter Flávio Costa.

De acordo com a reportagem, dos seis ex-assessores, pelo menos quatro têm algum grau de parentesco com Jair Bolsonaro ou com uma de suas ex-mulheres. Uma é Juliana Siqueira Guimarães Vargas, prima de Ana Cristina Siqueira Valle, segunda ex-mulher de Bolsonaro. 

Juliana passou trabalhou na Câmara dos Deputados, entre 1999 e 2003. Depois foi trabalhar com Flávio Bolsonaro na Alerj, onde ficou por oito anos, até 2011. Entre 2007 e 2011, Juliana recebeu R$ 326 mil da Alerj, entre salários e benefícios. Sacou pelo menos R$ 244 mil (75%).

Entre os ex-assessores também estão os dois primeiros sogros de Bolsonaro: João Garcia Braga, pai de Rogéria Bolsonaro, primeira mulher do atual presidente, e José da Silva Valle, pai de Ana Cristina. Na lista, ainda está Marselle Lopes Marques, amiga de Ana Cristina.

Os três - João Garcia, José da Silva e Marselle - começaram trabalhando com Jair, na Câmara de Deputados, e foram para o gabinete de Flávio, na Alerj. O percentual de saques de salários é acima de 90%, nos três casos.

De todos os seis ex-funcionários de Jair Bolsonaro, quem mais sacou dinheiro vivo foi Andrea Siqueira Valle, irmã de Ana Cristina Siqueira Valle. Entre 1998 e 2006, período em que Jair Bolsonaro e Ana Cristina estavam juntos, Andrea teve cargo na Câmara dos Deputados, apesar de nunca ter vivido na capital federal. Depois da exoneração, Ana Cristina ficou com todo o dinheiro acumulado da conta em que a irmã aparecia como titular e recebia o salário da Câmara: saldo de R$ 54 mil — quantia equivalente a R$ 110 mil, em valores de hoje.

Depois, Andrea foi trabalhar no gabinete de Carlos Bolsonaro na Câmara Municipal do Rio, que era chefiado por Ana Cristina. Ficou no cargo por dez meses e sacou, em dinheiro vivo, 100% do salário que recebeu. Também sacou toda a restituição do imposto de renda. Ao sair do gabinete de Carlos, Andrea foi nomeada na Alerj, por Flávio Bolsonaro. Passou 11 anos no cargo. Os salários, que somaram R$ 675 mil líquidos, eram depositados em uma agência bancária em Resende (150 km do Rio de Janeiro). Novamente, Andrea sacou 100% do que recebeu no novo cargo. Também retirou em dinheiro vivo 100% da restituição do imposto de renda. Foram R$ 691 mil em saques.

Confira a integra da reportagem aqui.