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Entrevista do presidente da CUT ao Valor Econômico

Vagner Freitas frisa que a Central é contra as medidas provisórias anunciadas pelo governo

Publicado: 05 Fevereiro, 2015 - 14h16 | Última modificação: 05 Fevereiro, 2015 - 14h30

Escrito por: Reprodução de matéria do Valor Econômico

Roberto Parizotti
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Confira a íntegra da matéria publicada no Valor Econômico desta quinta-feira (5):

 

CUT afirma que ajuste fiscal é "estapafúrdio"

Vandson Lima e Bruno Peres, de Brasília

Maior central sindical do país e tradicional aliada do PT, a CUT realizou no Congresso uma mobilização contra as alterações propostas pelo governo nas medidas provisórias 664 e 665, que endurecem as regras para a concessão de benefícios trabalhistas. Segundo o presidente da central, Vagner Freitas, "a agenda que a presidente está colocando é a agenda que foi derrotada na eleição". De acordo com o sindicalista, "quem disse que ia fazer essas coisas que estão sendo feitas agora era o candidato do PSDB", em uma referência ao senador tucano Aécio Neves (MG).

Freitas disse que as medidas propostas são "estapafúrdias" e rompem com um processo de negociação que vinha sendo construído desde 2007.

"A CUT tomou lado na eleição presidencial. Demos o apoio à candidata Dilma Rousseff", frisou Freitas, afirmando que o pacote de ajuste fiscal foi "uma grande surpresa". "Colocaram um ministro da Fazenda ligado ao mercado, ligado a um banco, que poderia muito bem ser o ministro do candidato do PSDB. Estamos surpresos e não vamos aceitar isso", insistiu o sindicalista. O ministro da Fazenda Joaquim Levy administrava até o ano passado um ramo de investimentos do Bradesco.

A central pede a revogação das MPs e criação de um conselho tripartite, com governo, parlamentares e representantes dos trabalhadores para discutir alterações na concessão de direitos trabalhistas. "O governo colocou essas medidas, mexendo em questões previdenciárias sem tocar na questão da rotatividade no mercado de trabalho, que é o mais grave. O governo cometeu um equívoco, uma coisa desorientada", disse o presidente da CUT.

Para Freitas, "algumas das alterações eram factíveis de serem realizadas desde que o governo fizesse de maneira negociada, com os trabalhadores sendo contemplados. O governo meteu os pés pelas mãos, criou uma agenda negativíssima".

Outro equívoco, na visão da central, é ter vinculado as alterações à necessidade de composição de receita. "Eu disse pro governo, em reunião ontem [anteontem], 'se vocês querem economizar, vão tributar as grandes fortunas. Vá penalizar quem lucra mais. Se tem desmando na economia, não fomos nós que construímos".

Além da ofensiva da CUT, ontem a Força Sindical resolveu levar a questão aos tribunais e ajuizou no Supremo Tribunal Federal (STF) ações diretas de inconstitucionalidade que questionam as medidas contidas nas MPs. A ação da Força Sindical foi feita em conjunto com o partido Solidariedade e a Confederação Nacional dos Trabalhadores Metalúrgicos (CNTM).