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Entregadores de aplicativos dizem que greve cumpriu objetivo de parar shopping

Em SP, o objetivo era parar shopping e isso foi um sucesso. Em Brasília, dirigente diz que apesar de duas greves, empresas não dão sinais de que querem dialogar

Publicado: 27 Julho, 2020 - 11h06 | Última modificação: 27 Julho, 2020 - 11h24

Escrito por: Redação CUT

Roberto Parizotti
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A segunda greve de 24 horas dos entregadores de aplicativos por direitos e contra a precarização das condições de trabalho, realizada neste sábado (25) em pelo menos sete capitais e no Distrito Federal, teve menos atos de rua, mas, segundo os organizadores, cumpriu o objetivo de impedir que pedidos fossem feitos por meio de aplicativos como Rappi, Loggi, Ifood e Uber Eats.  Eles tinham dito que é preciso fazer as empresas sentirem no bolso para que aceitem sentar à mesa de negociação e dialogar com a categoria.

Em São Paulo, um dos objetivos era parar as entregas nos shoppings e a meta foi alcançada, segundo Diógenes Souza da Silva, um dos organizadores da paralisação. “No Center Norte foram feitas apenas 50 entregas no sábado contra mais de mil em fins de semana normais”, afirmou.

De acordo com o trabalhador, o Center Três, na Avenida Paulista, não entregou nada, praticamente fechou.  

O #BrequeDosApps, como as duas paralisações foram chamadas – a primeira em 1º de julho e a 2º neste sábado -, reivindica aumento das taxas mínimas que os entregadores ganham a cada corrida – a categoria reclama da baixa remuneração por quilometragem rodada -; o fim dos bloqueios injustos de entregadores, seguros de vida e contra roubo e furto, base de apoio para descanso, alimentação e fim da pontuação e ranking, sistema que obriga os trabalhadores a fazer a jornada que o aplicativo impõe.

Essa pauta une a categoria, apesar do movimento de sábado não ter tido a grande adesão da primeira paralisação, avalia Alessandro Conceição, conhecido como Sorriso, presidente da Associação de Motoboys, Autônomos e Entregadores do Distrito Federal (AMAE-DF), mas o importante é participar, diz o dirigente.

De acordo com Sorriso, apesar das duas paralisações, as empresas não se deram sinais de que vão dialogar com os trabalhadores e ainda tentam desvalorizar a movimentação da categoria.

"Nós vamos continuar lutando sim, não vamos desistir agora (...) já foram marcada duas audiências públicas e em nenhuma delas os aplicativos quiseram diálogo com os entregadores. Eles estão correndo do diálogo e, quando aparecem estão dando entrevistas e gastando dinheiro com propaganda para mostrar para a sociedade que são bonzinhos, que são os mocinhos da história. Mas nós sabemos que a realidade é bem outra."

No Recife (PE), alguns manifestantes foram abordados pela polícia. Agentes chegaram a filmar placas das motos e registraram os nomes dos trabalhadores, numa ação que foi encarada como constrangedora.

Na cidade de São Paulo (SP), os protestos também foram acompanhadas pela polícia. Os entregadores se concentraram nas entradas de diversos shoppings, para protestar contra a saída de entregas, e em frente ao estádio do Pacaembu.

Em Belo Horizonte (MG), Rio Branco (AC), Porto Alegre (RS) e Brasília (DF) os trabalhadores percorreram ruas das regiões centrais.