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Entenda por que os atos bolsonaristas deste 7 de Setembro são um risco à  democracia

Ao invés de resolver os problemas do país, Bolsonaro quer dar um golpe para se perpetuar no poder e manter seus filhos fora cadeia

Publicado: 07 Setembro, 2021 - 11h06 | Última modificação: 07 Setembro, 2021 - 11h08

Escrito por: Redação CUT

Reprodução/Twitter
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Em meio a uma da maiores crises econômicas, sociais e sanitária já vividas no Brasil, com altas taxas de desemprego e inflação empobrecendo a classe trabalhadora, o presidente Jair Bolsonaro (ex-PSL), resolveu partir para o tudo ou nada.

Ao invés de pelo menos tentar resolver os problemas do país, Bolsonaro quer dar um golpe para se perpetuar no poder e manter seus filhos fora cadeia. Flávio, Carlos, Eduardo e até o caçula Renan Bolsonaro são investigados por diversas razões, desde rachadinhas, envolvimento em fakes news, a associação com lobista para abrir empresa.

Isolado e sem apoio de grande parte das classes política e empresarial, com a popularidade descendo a ladeira, as investigações contra os supostos crimes cometidos por seus filhos avançando  e grande possibilidade de não se reeleger em 2022, o presidente passou a acenar claramente com o autoritarismo e projetos de se perpetuar no poder.

Uma das estratégias que atrai seus apoiadores foi atacar os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e  do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em defesa do voto impresso, ameaçando, inclusive, a não realização das eleições no ano que vem por desconfiar da urnas eletrônicas que o elegeram tantas vezes, até mesmo em 2018, quando utilizou de disparos massivos de fake news contra o seu adversário no segundo turno, Fernando Haddad (PT).   

Como a proposta de voto impresso foi derrotada na Câmara dos Deputados, ao invés de recuar, Bolsonaro dobrou a aposta no caos institucional. O presidente enviou ao Senado um pedido  de impeachment contra o ministro do STF, Alexandre de Moraes. Ele também havia ameaçado pedir o afastamento do ministro Luís Roberto Barroso, presidente do TSE, mas recuou. O pedido foi arquivado pelo presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG).

Em recados a seus apoiadores, ignorando a crise do país, Bolsonaro centrou ainda mais a sua atenção nas pautas conservadoras, como a liberação de armas e os ataques ao Poder Judiciário. Paralelamente, começou a organizar atos do dia 7 de setembro para pressionar o STF e mostrar força.

Os ministros reagiram e começaram a prender quem ameçava um golpe, como o presidente do PDT, Roberto Jefferson. Diante  possibilidade de ver seus apoiadores encarcerados, o discurso bolsonarista mudou: os atos são pela liberdade de expressão, passaram a dizer.

Mas na manhã desta terça-feira (7), em Brasília, o ato a favor do presidente começou com confusão de manifestantes tentando avançar sobre o bloqueio da Polícia Militar (PM) na altura da Praça dos Três Poderes. Eles tentaram tirar as grades que limitam o acesso até a região e afirmaram que "vieram para guerra e não fazer carnaval", segundo o UOL. Os policiais reagiram e usaram spray de pimenta para dispersar os manifestantes, que estão com bandeiras golpistas, pedindo o fechamento do STF e contra o Congresso.

Mas a reação dos ministros do Supremo contra os protestos de raiz golpista e de pautas autoritárias a favor de Bolsonaro foi mais dura e outros golpistas passaram a ser investigados, como o cantor Sérgio Reis.

Bolsonaro atacou mais ainda os ministros, insuflando seus apoiadores que passaram a falar até em invadir o Supremo.

Segundo os analistas, Bolsonaro quer tirar um foto na Avenida Paulista ou na Esplanada dos Ministérios, onde se concentrarão os atos golpistas e onde o presidente pretende discursar aos milhares de apoiadores para ganhar fôlego em meio a crise institucional provocada por ele mesmo.

Neste fim de semana, o presidente repetiu ameaças golpistas, falou numa "ruptura que nem eu nem o povo deseja" e defendeu que ministros do STF sejam "enquadrados" pela população.

Mais, uma vez, a reação dos ministros foi dura e rápida. Nesta segunda-feira (6), a pedido da Procuradoria-geral da República (PGR), o ministro Alexandre de Moraes determinou a prisão preventiva do ex-PM de Minas Gerais, Cássio Rodrigues Costa Souza. O ex-PM fez em redes sociais ameaças de morte a Moraes e sua família.

O “professor” Marcio Giovani Niquelatti, segundo o qual haveria recompensa pela “cabeça” do ministro do STF “vivo ou morto”, também teve pedido de prisão. Moraes ainda ordenou operação de busca e apreensão em propriedades de Gilmar João Alba, prefeito de Cerro Grande do Sul (RS) flagrado no aeroporto de Congonhas, em São Paulo, com R$ 505 mil na bagagem.

Moraes também determinou bloqueio de contas bancárias da Associação Nacional dos Produtores de Soja (Aprosoja) e da unidade da entidade em Mato Grosso (Aprosoja-MT). A associação é investigada por financiar manifestações extremistas de direita e ataques contra a democracia. Há indícios de que as manifestações bolsonaristas contarão com apoio maciço dos chamados CACs (colecionadores, atiradores desportivos e caçadores) e de religiosos. Ou seja, não apenas apoio político, mas também financeiro.

Na decisão, Moraes diz que, por incentivo de Bolsonaro, Aprosoja e Aprosoja-MT utilizariam “fundos (Fethab e Iagro) compostos por recursos públicos, os quais, segundo documento dos autos, não possuem maior transparência nem têm sido destinados para suas finalidades originárias, mas, sim, como capital para o financiamento de agentes para a realização das condutas antidemocráticas”.

De acordo com a decisão do ministro do STF sobre as associações de soja, todos os valores transferidos a partir das contas bancárias dessas para outras entidades ou terceiros (doc, Ted, PIX ou outras) a partir de dia 10 de agosto devem ser identificados e informados.

Pode ter violência?

Nenhuma autoridade consegue prevê risco de violência, mas os governadores dos locais onde vai ter atos colocaram toda a força de segurança a postos neste 7 de setembro.

Em Brasília, onde o governador Ibaneis Rocha deixou o Distrito Federal e foi para o Piauí passar o feriado, hordas bolsonaristas invadiram a Esplanada do Ministério e Polícia Militar (PM) nada fez para impedir.

A preocupação na Capital Federal é com a Praça dos Três Poderes, onde estão localizados os prédios do Congresso e do STF, que já foram alvo de ameaças de bolsonaristas, e onde será realizado o ato desta manhã.

Em São Paulo, onde o governador, João Doria (PSDB) tentou impedir um ato de grupos de oposição a Bolsonaro, mas a Justiça concedeu uma liminar garantindo a manifestação no vale do Anhangabaú, no centro da cidade – os  bolsonaristas estarão na mesma hora na avenida Paulista – a preocupação é com parte da PM que aderiu ao ato golpista.

Promotores da Justiça Militar e até juízes têm se movimentado para coibir a presença de PMs da ativa nos atos, reiterando leis e regimentos que impedem manifestações de caráter político-partidário.