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Enquanto a renda dos pobres caiu, a fortuna dos bilionários aumentou em 12%

Taxar fortunas de bilionários em 0,5% incluiria 262 milhões de crianças na escola e ainda poderia salvar a vida de mais de 3 milhões de pessoas com pouco acesso à saúde, diz relatório da Oxfam

Publicado: 21 Janeiro, 2019 - 16h19 | Última modificação: 21 Janeiro, 2019 - 16h48

Escrito por: Redação CUT

Reprodução
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Enquanto a metade mais pobre do planeta, que corresponde a 3,8 bilhões de pessoas, teve a ‘riqueza’ reduzida em 11%, a fortuna dos bilionários do mundo aumentou 12% em 2018 (US$ 900 bilhões), o que significa uma elevação de US$ 2,5 bilhões por dia. Entre 2017 e 2018, surgiu um novo bilionário a cada dois dias no mundo.

A concentração de riqueza é tanta que uma taxa extra de apenas 0,5% sobre as fortunas desses bilionários, que fazem parte do 1% mais rico do mundo, seria o suficiente para garantir o direito à educação de 262 milhões de crianças excluídas da educação formal e assegurar serviços de saúde que poderiam salvar a vida de mais de três milhões de pessoas. 

As informações são do relatório “Bem público ou riqueza privada?”, produzido pela Oxfam, organização global de combate à pobreza e à desigualdade, e apresentado nesta segunda-feira (21), no Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça. 

O relatório mostra, ainda, que o número de bilionários dobrou desde a crise financeira de 2008, passando de 1.125 bilionários para 2.208 em 2018. 

As fortunas dos super-ricos do mundo cresceram a níveis nunca vistos
- Relatório Oxfam

Além disso, diz o relatório, atualmente, corporações e cidadãos pagam menos impostos do que nas décadas anteriores. Nos países ricos, a alíquota máxima média do imposto de renda de pessoa física caiu de 62%, em 1970, para 38%, em 2013. Nos países em desenvolvimento, essa alíquota é de 28%.

No caso do Brasil, os 10% mais pobres pagam atualmente uma proporção maior de sua renda em impostos do que os 10% mais ricos. Somente em 2018, no Brasil tinham 42 bilionários, com riqueza total de US$ 176,4 bilhões.

“Há um consenso cada vez maior de que a riqueza de indivíduos e grandes empresas não está sendo adequadamente tributada; em vez disso, os impostos recaem sobre os trabalhadores de forma desproporcional. Para cada dólar de receita tributária, em média, apenas quatro centavos correspondem a impostos sobre a riqueza”, diz trecho do documento.

A desigualdade é sexista

O relatório da Oxfam aponta, ainda, a desigualdade de gênero como um dos grandes desafios para combater a desigualdade social no mundo. A maioria das pessoas mais ricas é do sexo masculino. Os homens detêm 50% a mais da riqueza total do que as mulheres, que, em nível global, ganham 23% a menos do que os homens.

A desigualdade de gênero não é acidente nem novidade. Nossas regras econômicas foram escritas por homens ricos e poderosos, em defesa de seus próprios interesses
- Relatório Oxfam

“O atual modelo econômico neoliberal piorou essa situação, e cortes nos serviços públicos, redução de impostos para pessoas físicas e jurídicas mais ricas e o achatamento de salários prejudicaram mais às mulheres do que aos homens”, alerta o documento.

Segundo a Oxfam, a diferença entre ricos e pobres está afastando as pessoas umas das outras. E esse abismo social "nos impede de vencer a pobreza e alcançar a igualdade entre mulheres e homens".

"A maioria dos nossos líderes políticos não está conseguindo reduzir essa perigosa divisão. Não tem que ser obrigatoriamente assim. A desigualdade não é inevitável, e sim uma escolha política, e é possível dar passos concretos para reduzi-la”.

Recomendações

No relatório, a Oxfam apresenta algumas recomendações para os governos e afirma que as lideranças políticas “devem ouvir os cidadãos comuns e tomar medidas significativas para reduzir a desigualdade”.

“Todos os governos devem estabelecer metas e planos de ação concretos e com prazos definidos para reduzir a desigualdade, como parte de seus compromissos com o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS)”.

Esses planos devem incluir ações nas três áreas: proporcionar saúde, educação e outros serviços públicos de forma universal e gratuita, que também funcionem para mulheres e meninas; liberar o tempo das mulheres, reduzindo os milhões de horas não remuneradas que elas passam cuidando de suas famílias e lares, todos os dias; e rever a baixa tributação de empresas e pessoas ricas.

> Confira aqui o relatório na íntegra