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Engenharia brasileira tem o desafio de retomar empregos e investimentos

No dia 11 de dezembro se celebra o Dia da Engenharia, mas a categoria e o país têm poucos motivos para comemorar

Publicado: 10 Dezembro, 2019 - 10h49 | Última modificação: 10 Dezembro, 2019 - 12h12

Escrito por: Manoel Ramirez, do Porém.Net

Marcelo Camargo/Agência Brasil
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O ano de 2019 não foi suficiente para a retomada da atividade econômica e do emprego no Brasil.
Com os baixos índices de crescimento na indústria e na construção civil, a engenharia brasileira custa a
se recuperar após a Operação Lava Jato. O cenário pode piorar na medida em que não existe uma política de retomada dos investimentos e que a agenda econômica passa pela privatização.

O Brasil tem mais de 1 milhão de profissionais engenheiros e engenheiras espalhados em diversos
ramos de atividade. O Paraná tem 61.085 engenheiros com registro válido no CREA-PR. A engenharia
brasileira é a ponte para o desenvolvimento e a crise econômica é a barreira para os empregos dos
engenheiros. Se de um lado, a indústria de transformação e a construção civil abriram as portas, de
outro, depois de 2014, a queda de empregos ocorreu, sobretudo, na redução de investimentos em
obras públicas e estruturais, além da reforma Trabalhista.

“No Brasil, a reforma Trabalhista institui uma intensa precarização das relações de trabalho,
expandindo a informalidade e o rebaixamento dos salários. A superação da crise se dará com
valorização da engenharia nacional, com investimentos públicos em infraestrutura e uma economia
com a presença do Estado e da soberania”, destaca Clovis Nascimento, presidente da Fisenge.

Do boom à estagnação

Quando analisada a origem do investimento público, percebe-se, em todos os anos, que o boom se deveu, em sua maior parcela, aos investimentos com origem nas empresas públicas da União, tendo atingido 1,9% do PIB entre 2010 e 2013. É o período de obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), Minha Casa, Minha Vida, obras da Copa do Mundo e das Olimpíadas.

“A ocupação total de engenheiros começou a cair em 2016 [ano do golpe de estado], após atingir o maior patamar em 2015 (504 mil engenheiros), um ano depois do início da queda do número de vínculos formais da engenharia, que chegou a registrar 262 mil vínculos em 2014”, de acordo com o livro “O mercado de trabalho e a formação dos engenheiros no Brasil”, produzido pela Fisenge e DIEESE.

Os engenheiros reconhecem o papel central do Estado Brasileiro. Pesquisa realizada durante a 76ª
Semana Oficial de Engenharia e Agronomia (SOEA) apontou que mais de 80% dos engenheiros são a
favor do papel do Estado na estratégia de desenvolvimento do país. A análise ainda perguntou sobre
atuação profissional, posicionamento político, expectativas para o mercado de trabalho da área e
conhecimento sobre a tramitação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) nº 108/2019. 77,4% se mostram contrários à proposta que prevê a regulamentação da atuação dos conselhos profissionais, impondo limitações de atuação e fiscalização, encerrando a obrigatoriedade do registro de profissionais e empresas para alguns conselhos e alterando regime de contratação dos profissionais.

Em relação ao cenário econômico, 44,3% dos engenheiros acreditam que tende a melhorar nos
próximos 2/3 anos, enquanto 25,5% esperam que se manterá estável e 23,9% confiam que tende a
piorar.

Contudo, os números atuais contrariam qualquer otimismo. Para o DIEESE, que analisou a atividade
econômica entre 2018 e 2019, o cenário é de uma economia em semi-estagnação. Apesar de alguma
melhora nos investimentos e no consumo das famílias, o recuo de gastos do governo e as variações
negativas da indústria de transformação indicam que esse baixo dinamismo deve continuar.

“Vai se consolidando um cenário, para 2020, de crescimento vagaroso, em meio à incerteza sobre os
rumos da política econômica: o “novo normal” da economia brasileira é crescer a taxas mais
discretas, insuficientes para sustentar a expansão do emprego assalariado formal”, frustra o DIEESE.