Encontro de Médicas e Médicos com Alckmin defende atual gestão do SUS
Ato em São Paulo destacou medidas da atual gestão para a saúde pública, criticou a condução da pandemia por Bolsonaro e convocou profissionais a dialogar com a população
Publicado: 16 Outubro, 2026 - 18h57 | Última modificação: 16 Outubro, 2026 - 19h10
Escrito por: Redação CUT
A defesa do Sistema Único de Saúde (SUS) e o apoio à candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à reeleição marcaram o Encontro de Médicas e Médicos com Alckmin, realizado nesta sexta-feira (16), na Casa de Portugal, no bairro da Liberdade, em São Paulo. A atividade reuniu profissionais da medicina, pesquisadores e lideranças políticas para discutir os desafios da saúde pública e as propostas para o setor.
Além da participação do vice-presidente Geraldo Alckmin, médico de formação, e do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, médico sanitarista e infectologista, a mobilização reuniu profissionais ligados ao movimento Médicos com Lula, que defende a candidatura do presidente à reeleição e a continuidade das políticas públicas de saúde.
Durante o evento, os participantes destacaram as políticas retomadas e ampliadas pelo governo Lula, defenderam a continuidade dos investimentos no sistema público e fizeram críticas à gestão de Jair Bolsonaro, especialmente à condução da pandemia de Covid-19. A avaliação predominante foi a de que a saúde pública depende de financiamento, planejamento, valorização dos profissionais e compromisso do Estado com o atendimento universal.
Governo Lula: continuar é preciso
Entre as políticas destacadas e elogiadas pelos participantes estão o Farmácia Popular, que facilita o acesso a medicamentos; o Mais Médicos, que amplia a presença de profissionais em regiões com dificuldade de atendimento; e a Rede Alyne, voltada à saúde de gestantes e bebês. “São iniciativas que procuram enfrentar problemas concretos do dia a dia da população: conseguir os remédios necessários, encontrar atendimento médico perto de casa e receber assistência adequada durante a gravidez e nos primeiros meses de vida da criança”, afirmou o candidato a vice-presidência, Geraldo Alckmin.
Outra medida destacada foi o fortalecimento do Complexo Econômico-Industrial da Saúde. Na prática, a proposta é ampliar a fabricação, no Brasil, de medicamentos, vacinas, equipamentos e outros produtos essenciais ao SUS. Com maior produção nacional, o país pode reduzir a dependência de fornecedores estrangeiros e diminuir o risco de falta de insumos necessários ao atendimento da população. A meta do governo é que, até 2033, 70% das necessidades nacionais de insumos estratégicos para a saúde sejam atendidas pela produção brasileira.
Os palestrantes também defenderam mais investimentos em pesquisa, melhores condições de trabalho e valorização de quem atua no atendimento à população. Para o médico Aitan Sipahi, “o governo Lula tem oferecido mais recursos e dado maior atenção à dimensão humana da saúde e do trabalho acadêmico”.
Na avaliação dos participantes, manter e ampliar essas políticas é fundamental para que o SUS consiga atender às necessidades de uma população que depende do sistema público para consultas, exames, vacinas, medicamentos e tratamentos. Por isso, defenderam a continuidade e a ampliação dos investimentos e das ações em um eventual novo mandato de Lula. Para eles, a eleição também coloca em debate qual deve ser o papel do Estado na garantia da saúde como um direito de todos.
Governo Bolsonaro: críticas à condução da pandemia
Em contraste com as medidas defendidas pela atual gestão, os profissionais fizeram duras críticas à atuação do governo Bolsonaro durante a pandemia de Covid-19. Entre os problemas apontados estavam a falta de coordenação nacional, a ausência de protocolos claros, a demora na compra de vacinas e a insuficiência de equipamentos de proteção para os trabalhadores da saúde.
A médica Adriana Melo classificou a condução da crise sanitária como o “pior desgoverno” de sua vida. Ela também criticou a promoção da cloroquina sem comprovação científica, inclusive em situações envolvendo gestantes. A médica afirmou que milhares de mortes poderiam ter sido evitadas e citou uma estimativa de centenas de milhares de vidas.
A doutoura Mariane Pinotti também criticou o período, que descreveu como um “aperitivo muito ruim, muito amargo de quatro, talvez seis anos de desmanche do nosso Sistema Único de Saúde, do nosso Ministério da Saúde, através de militarização”.
As críticas se estenderam às prioridades orçamentárias e políticas do governo anterior. Alckmin questionou a destinação de benefícios fiscais a setores como o de armas e a produtos como jet skis, em vez de priorizar, segundo sua avaliação, investimentos voltados à saúde e à proteção social.
Resultado do encontro
A mensagem central do encontro foi que o futuro da saúde pública está ligado às escolhas políticas do país. Para os profissionais que apoiam o atual governo, a continuidade e a ampliação das políticas de acesso a medicamentos, atenção básica, saúde materna, pesquisa e produção nacional são parte do caminho para fortalecer o SUS. A comparação com a gestão Bolsonaro, marcada pelas críticas dos participantes à condução da pandemia, foi apresentada como um alerta sobre os efeitos que as decisões de um governo podem ter sobre a vida da população.