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Em plena pandemia, Santander quebra acordo e ameaça demitir 9 mil trabalhadores

Um dos maiores bancos do país quebra acordo feito com trabalhadores e começa a demitir em plena pandemia da Covid-19. Santander quer demitir 20% do seu quadro e deu já início ao processo, acusa sindicalista

Publicado: 11 Junho, 2020 - 09h00 | Última modificação: 11 Junho, 2020 - 15h35

Escrito por: Rosely Rocha

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O banco Santander de origem espanhola, um dos maiores instalados no Brasil, com um lucro líquido de R$ 3,77 bilhões no primeiro trimestre de 2020 (+10,5% sobre igual período de 2019) começou em plena pandemia do novo coronavírus (Covid-19) a demitir seus funcionários, mesmo tendo feito um acordo com o sindicato dos bancários. Na ocasião, a direção da instituição financeira disse que não demitiria ninguém enquanto a crise sanitária não fosse contida.

A previsão é demitir 20% do seu quadro funcional, o que equivale a 9 mil trabalhadores. Embora a direção do banco tenha negado a informação publicada no jornal Folha de São Paulo, a dirigente executiva do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região e funcionária do Santander, Rita Berlofa, afirma que a instituição já começou o desmonte do quadro de funcionários.

Segundo Rita, na última sexta-feira (5) foram demitidos15 trabalhadores, na terça-feira (9), outros seis na Aymoré, instituição financeira do Santander, e nesta quarta-feira (10) mais sete perderam seus empregos. Outras demissões ocorreram no Rio de Janeiro, Bahia e Paraná, mas ainda não se sabe o número total de demissões.

A dirigente conta que no início da pandemia houve um diálogo envolvendo o comitê de crise envolvendo a Federação dos Bancos (Fenaban) e o Comando Nacional dos Bancários sobre os procedimentos na crise, e o compromisso assumido pelo Santander foi o de não demitir ninguém durante a pandemia. Inclusive, a vice-presidente do RH do banco Vanessa Lobato enviou um aviso neste sentido, como mostra a foto abaixo. O banco também assumiu o compromisso de que qualquer alteração no acordo deveria passar por uma negociação com o sindicato, o que também não ocorreu.

“Demitir na pandemia é uma insanidade, um requinte de crueldade. O Santander tem uma política antissindical, avessa ao diálogo e está se aproveitando da pandemia para demitir a conta gotas para não caracterizar demissão em massa, com o objetivo de reduzir despesas e aumentar ainda mais seus lucros”, diz Rita

Para a dirigente é inaceitável a postura de colonizadores do Santander no Brasil, já que na Espanha a postura do banco com seus trabalhadores foi respeitosa, totalmente diferente do que está fazendo aqui.

“O Santander faz parte do governo fascista de Jair Bolsonaro que só pensa em retirar direitos dos trabalhadores, porque tem como diretor-executivo do banco, o presidente do Banco Central do Brasil [Roberto Campos Neto]. Já não basta o desespero pra sobreviver à Covid e agora temos de nos preocupar com demissões”, afirma a dirigente sindical.

Santander também quebra acordo sobre previdência dos funcionários

Outro problema relatado pela dirigente executiva do sindicato dos bancários é a reforma no Fundo de Pensão dos trabalhadores. Hoje, eles pagam o chamado “benefício definido”, com valores que podem variar mensalmente caso haja déficit, mas o trabalhador sabe o quanto vai receber na sua aposentadoria.

O Santander quer mudar para “contribuição definida”, com valores fixos, mas o trabalhador não saberá o quanto vai receber ao se aposentar.

“O problema é que o Santander aceitou dialogar sobre o plano de previdência após a pandemia porque envolve muita gente, inclusive os aposentados. Não dá para fazer uma reunião virtual com centenas de pessoas. Muitos, sequer, têm conexão com a internet. O RH mandou comunicado aceitando nossos termos no dia 21 de março e no dia dois deste mês mudou de ideia. Eles não mantêm a palavra”, denuncia Rita Berlofa.