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Em meio a "apagão" na Previdência, presidente do INSS pede demissão

Governo afirma que decisão tem caráter pessoal e já anunciou o substituto

Publicado: 29 Janeiro, 2020 - 10h38

Escrito por: Nara Lacerda, Brasil de Fato | São Paulo (SP)

Marcelo Camargo/Agência Brasil
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O presidente do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS), Renato Rodrigues, deixou o cargo nesta terça-feira (28). Questionado se o afastamento tem relação com a demanda parada de benefícios, que pode chegar a quase 2 milhões de pedidos não analisados, o secretário Especial de Previdência e Trabalho do Ministério da Economia, Rogério Marinho, que fez o anúncio da saída, afirmou que a decisão ocorreu por solicitação do próprio Renato.

“O presidente Renato Vieira consolidou sua posição de sair do INSS a pedido. Foi uma conversa amadurecida ao longo dos últimos 15 dias”, declarou Marinho.

O atual secretário de Previdência, Leonardo Rolim, vai assumir a presidência do instituto. Segundo Marinho, a escolha foi feita porque Rolim conhece os procedimentos do INSS: “A ideia é que não haja descontinuidade no trabalho.”

Crise na Previdência

No início do mês, o governo Bolsonaro anunciou a contratação temporária de 7 mil militares da reserva para atender a pedidos de concessão de benefícios do INSS que estão parados. Nesta semana foi divulgado que funcionários civis aposentados também serão selecionados. Trabalhadores da Previdência e a própria Controladoria Geral da União já alertavam sobre a possibilidade de que o problema ocorresse desde 2018. Federação e sindicatos que representam os servidores alertam, inclusive, que os números podem passar de 2 milhões de pedidos não analisados e pressionam o governo para a realização de concurso público e contratação de novos trabalhadores.

"Não faz sentido o governo apresentar uma solução transitória como essa dos militares e não pensar a Previdência daqui três, quatro ou cinco anos. Vai estar um caos pior do que hoje", argumenta Moacir Lopes, secretário de administração da Federação Nacional dos Sindicatos dos Trabalhadores em Saúde, Trabalho, Previdência e Assistência Social.

Ao anunciar a contratação dos militares, Rogério Marinho, disse que as mudanças seriam implementadas até abril e que a até setembro as pendências seriam solucionadas. Ele ressaltou, no entanto que não é possível zerar a fila.

“Você tem 988 mil pedidos que entram todos os meses, não dá para zerar estoque. O que a gente está dizendo é que pretende que todo mês, até setembro, outubro, a gente tenha aí esse número de requerimentos da mesma quantidade que temos capacidade de processar”, disse o secretário especial de Previdência.

Atualmente, o governo federal trabalha na digitalização dos serviços prestados pelo INSS e a intenção é automatizar boa parte do atendimento. Os trabalhadores do INSS criticam a decisão, diante do fato de que mais de 30% da população brasileira não têm acesso à internet.