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Em defesa dos empregos e do sistema Petrobras, petroleiros vão parar em fevereiro

Categoria fará assembleias para decretar greve a partir de 1º de fevereiro. Milhares de trabalhadores participaram, nesta sexta (17), de atos em todo país contra o fechamento da fábrica de nitrogenados no PR   

Publicado: 17 Janeiro, 2020 - 13h31 | Última modificação: 17 Janeiro, 2020 - 16h17

Escrito por: Rosely Rocha

Paulo Neves
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Os trabalhadores e as trabalhadoras da Petrobras, com apoio da Federação Única dos Petroleiros (FUP), filiada à CUT, realizarão assembleias na próxima semana, para deflagrarem uma greve nacional, a partir de 1º de fevereiro, em defesa de milhares de empregos e do sistema Petrobras, que vem sendo desmontado pelo atual governo de Jair Bolsonaro.

A demonstração de unidade da categoria teve início nesta sexta-feira (17), em atos unificados em todo o país contra o fechamento da fábrica Araucária Nitrogenados (Fafen-PR), do sistema Petrobras.  Mil trabalhadores poderão ser demitidos, caso o governo federal e o presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, cumpram a promessa de fechar a fábrica de fertilizantes, dando mais um passo ao desmonte da Petrobras, empresa considerada patrimônio de todos os brasileiros.

ReproduçãoReprodução

Participaram dos atos pelo país petroleiros nas bases da FUP e em diversas unidades do Sistema Petrobras, no Amazonas (Reman), Ceará (Lubnor), Rio Grande do Norte (Polo Guamaré), Pernambuco (Refinaria Abreu e Lima e Terminal de Suape), Bahia (Ediba), Espírito Santo (Terminal de Vitória/Tavit), Duque de Caxias (Reduc), Norte Fluminense (Aeroporto do Farol/Campos), Minas Gerais (Regap), São Paulo (Replan e Recap) e no Rio Grande do Sul (Refap).

Para Roni Barbosa, secretário de comunicação da CUT e petroleiro, o governo Bolsonaro quer entregar o patrimônio do povo brasileiro aos estrangeiros, mesmo diante dos lucros da Petrobras. Segundo o dirigente, a Petrobras teve um lucro no ano passado de mais de R$ 15 bilhões e distribuiu lucros aos acionistas de R$ 2 bilhões.

Eles [governo] se preparem porque o povo brasileiro vai cobrar essa atitude antipatriótica. O nosso país merece muito. Essa empresa é do povo e não de acionistas internacionais que estão levando o nosso dinheiro e seu lucro para fora do país
- Roni Barbosa
Paulo NevesPaulo Neves

O dirigente disse ainda que os maiores interessados na Fafen são empresas estatais da China e de outros países.

“As estatais estrangeiras estão expandindo seus negócios, mas não entregam o patrimônio deles. Estão vindo para cá, para investir, mas pode ser que eles não precisem operar essa refinaria e prefiram hibernar, fechar. Estamos todos no mesmo barco, na mesma situação e a hora de reagir é agora”, declarou o secretário de comunicação da CUT.

Já o diretor da FUP, Deivyd Bacelar , lembrou os investimentos que o ex-presidente Lula fez na Petrobras, para torná-la uma das maiores empresas do mundo e levou o Brasil a ser a sexta maior economia do planeta. O dirigente lamentou a decisão da maioria do povo brasileiro que foi às urnas nas eleições de 2018, que elegeu o atual presidente do país, que tem uma política entreguista, de subordinação aos interesses dos Estados Unidos e do mercado financeiro.

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“Infelizmente nós estamos disputando aqui não é apenas uma luta, em defesa do sistema Petrobras. Não é apenas uma luta com o governo Bolsonaro, é uma luta contra aqueles que sempre quiseram roubar as nossas riquezas”.

A greve a partir de 1º de fevereiro, com certeza, é para defender o Paraná, defender Araucária, defender a Petrobras e defender o Brasil
- Deyvid Bacelar

Entre os presentes ao ato em Araucária (PR) contra o fechamento da Fafen, estava o ex-senador do estado, Roberto Requião. Em seu discurso ele lembrou que não apenas está em risco o emprego dos petroleiros, mas cerca de cinco mil trabalhadores utilizados em empresas que dependem da produção da fábrica de nitrogenados, como o comércio local.

Requião criticou o desmonte da Petrobras feito por Bolsonaro e o ministro da Economia, o banqueiro Paulo Guedes. Segundo o ex-senador, o que acontece com a empresa de fertilizantes é o que acontece com o Brasil.

Paulo NevesPaulo Neves“O projeto deles [governo Bolsonaro] é um país não industrializado, produtor de matéria-prima voltada para grandes  empresas de agricultura, não a agricultura que alimenta o nosso povo, mas voltada à produção de soja, milho e algodão para alimentar o gado de países desenvolvidos”, disse

Requião afirmou ainda que “querem o país sem nenhuma industrialização, mas isso não dá emprego porque a  agricultura com tecnologia elevada e mecanizada emprega muito pouca gente”.

A saída que eles bolaram é acabar com os direitos dos trabalhadores para atrair empresas do mundo inteiro e utilizar a mão de obra escravizada. Daí veio o fim da CLT, da aposentadoria e essa canalhice que estamos vivendo, esse fechamento da nossa fábrica de fertilizantes, responsável por 7% da produção de hidrogenados no Brasil
- Roberto Requião

O ex-senador disse ainda que o fechamento da Fafen vai representar um prejuízo aos cofres da prefeitura local de R$ 10 milhões de reais ao ano.

“Não é só a prefeitura que vai perder arrecadação, o comércio, a indústria  e os pequenos empresários vão perder os seus clientes que gastavam seus salários na estrutura comercial da cidade”, criticou.