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Em defesa da democracia

Não vamos permitir a criminalização de companheiros/as do movimento sindical nem o uso político da Operação Lava Jato

Publicado: 27 Julho, 2015 - 18h12 | Última modificação: 28 Julho, 2015 - 09h04

Escrito por: Vagner Freitas, presidente da CUT

Roberto Parizotti
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As tentativas de criminalização dos movimentos social e sindical, comandada há décadas pela elite empresarial brasileira, em especial pelos proprietários de jornais e revistas, rádios e televisões, atraem a cada dia novos atores de áreas como Justiça, Ministério Público e até da Polícia Federal, formada em sua maioria por trabalhadores assalariados. Incomodados com os avanços sociais dos últimos anos, eles se unem para acabar com os embates por melhores condições de trabalho e renda, mais justiça e inclusão social, desenvolvimento econômico e social, com distribuição de renda.

Acusar de suspeita de corrupção, com a garantia de uma repercussão descuidada e sensacionalista da mídia, alimentada por vazamentos seletivos, é a arma que esses grupos consideram mais letal especialmente para atingir o movimento sindical combativo e que passou a ser usada mais frequentemente, sem constrangimentos nem preocupação com a verdade dos fatos.

Na mais recente tentativa de atingir os movimentos social e sindical, foi publicada uma série de matérias que tentam criminalizar a gestão da Editora Atitude. Fundada em 2007 por 40 entidades sindicais, a Editora Atitude, dirigida pelos presidentes do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região  e do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, desenvolve projeto de comunicação construído, em conjunto, por entidades sindicais e movimentos sociais. Produz e divulga informação qualificada com objetivo de contribuir com o fortalecimento da luta da classe trabalhadora e a criação de espaços de debate e defesa do desenvolvimento econômico e social do Brasil.

A companheira Juvândia Moreira, presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, e o companheiro Sérgio Nobre, ex-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC e hoje secretário-geral nacional da CUT, também assumiram representação na Editora Atitude, em função dos cargos que ocupavam nos seus sindicatos em 2012, agora são as novas vítimas do espetáculo difamatório.

A ‘denúncia’ contra eles: a convite do ex-presidente Lula, participaram de reunião, seguida de jantar, com representantes de diversos setores da economia brasileira, para debater e propor ações aos grandes desafios para o desenvolvimento econômico e social do Brasil. Uma prática comum se transformou em um crime.

A CUT tem alertado para o fato de que a Operação Lava Jato vem sendo instrumentalizada por setores da mídia para atacar a honra, a dignidade e criminalizar lideranças legítimas da classe trabalhadora.

A CUT está entre as entidades que mais combatem a corrupção e exige apuração de todas as denúncias, com punição exemplar, caso sejam comprovadas. Não vamos aceitar é que, em nome do falso combate à corrupção, lideranças legítimas sejam criminalizadas. Não vamos permitir o uso político da investigação que traz consequências trágicas para a classe trabalhadora, como a paralisação da economia, o fechamento de empresas e postos de trabalho, a obstrução de obras vitais à infraestrutura. 

Por tudo isso, a CUT, maior central sindical do Brasil, vem a público repudiar e denunciar a agressão sofrida por nossos dirigentes e expressar total solidariedade e apoio.

Nesse sentido, a CUT conclama seus sindicatos, Estaduais, Ramos, Federações, Confederações e entidades da sociedade civil organizada, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e a Associação Brasileira de Imprensa (ABI), que sempre lutaram pela democracia e pelas liberdades individuais, a prestar solidariedade às nossas lideranças e denunciar mais essa tentativa de ataque ao movimento sindical brasileiro, um dos pilares da democracia do País.

São Paulo, 27 julho de 2015

Vagner Freitas

Presidente Nacional da CUT