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Em 17 dias, número de indígenas com covid-19 cresceu 7.400% na Reserva de Dourados

MP relata o descaso do governo federal com as aldeias e exige providências para a reserva do Mato Grosso do Sul

Publicado: 02 Junho, 2020 - 10h38 | Última modificação: 02 Junho, 2020 - 10h42

Escrito por: Igor Carvalho Brasil de Fato | São Paulo (SP

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Na Reserva Indígena de Dourados, a maior do país, com 13 mil indígenas, houve um aumento, em 17 dias, de 7.400% no número de contaminados por coronavírus. Dia 13 de maior, foi confirmado o primeiro caso na aldeia. No último sábado, o boletim epidemiológico do governo do Mato Grosso do Sul mostra que já são 74 contaminados.

Os dados alarmantes fizeram o Ministério Público Federal do Mato Grosso do Sul acionar a Justiça para cobrar providências do governo federal. O órgão exige Equipamentos de Proteção Individual (EPI) para todos os profissionais das Equipes Multidisciplinares da Saúde Indígena e demais servidores que atuem nas aldeias; insumos e medicamentos para tratamento dos doentes; além de medida para isolamento dos contaminados nas aldeias, ou fora, mas com acomodações adequadas para os indígenas.

Na ação, o Ministério Público Federal determina o pagamento de uma multa diária de R$ 50 mil, caso as medidas sejam descumpridas. A Justiça Federal do Mato Grosso do Sul negou a liminar urgente do órgão para que possa ouvir o governo federal antes de tomar uma decisão sobre a proposta do órgão.

Em nota, o Ministério Público Federal afirma que acionou a Secretaria Especial da Saúde Indígena (Sesai) e o Distrito Sanitário Especial Indígena do Mato Grosso do Sul (Disae) para que prestassem assistência imediata à Reserva Dourados. Porém, não obteve retorno.

Uma indígena de 58 anos pode ser a primeira morte por coronavírus confirmada na Reserva de Douradas. A mulher morreu com sintomas da doença e a Disae está investigando a causa do óbito.

Em resposta às perguntas enviadas pelo Brasil de Fato, o Ministério da Saúde informou que uma "carga de insumos e Equipamentos de Proteção Individual (EPI) saiu, nesta segunda-feira (01/06), da sede do Distrito Especial Saúde Indígena (DSEI) Mato Grosso do Sul, em Campo Grande, para os 14 Polos Bases e três Casas de Saúde Indígena (CASAI) da região".

O órgão também afirma ter adquirido EPIs, álcool em gel, sabonete líquido e papel toalha, com previsão de chegada na terça-feira (02/06); diz que realizou adequações nas Casas de Saúde Indígena e que está buscando parcerias com instituições municipais, estadual e empresas para disponibilizar outros locais para isolamento de pacientes.

"Os medicamentos estão em processo de aquisição, com recurso empenhado para solicitação emergencial. Quanto à contratação de Equipe de Resposta Rápida, não houve médicos interessados no processo seletivo do edital", assegurou o Ministério.