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Educadores do RS criticam reajuste que ignora funcionários de escolas e aposentados

A presidente do CPERS, Helenir Aguiar Schürer, ressalta que o sindicato cobrará do governo Eduardo Leite um reajuste que contemple toda a categoria que amarga sete anos de congelamento

Publicado: 09 Dezembro, 2021 - 09h56

Escrito por: Cpers

Caco Argemi / CPERS Sindicato
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Após o governo Eduardo Leite (PSDB) anunciar pela imprensa, sem nenhum diálogo com a categoria, o Sindicato dos Professores do Estado do Rio Grande do Sul (CPERS-Sindicato) foi chamado, na manhã desta quarta-feira (8), na Secretaria de Educação (SEDUC-RS) para que o Executivo comunicasse a sua matemática imoral para o reajuste do Piso Nacional do Magistério.

Durante a reunião, o secretário da Fazenda, Marco Aurélio Cardoso, apresentou um slide com 18 laudas sobre o que seria a implantação de reajuste, previsto para entrar em vigor em janeiro de 2022.

Matemática imoral

O governo, utilizando-se de uma matemática imoral, tentou vender a falsa ideia de que todos os educadores(as) seriam beneficiados com um reajuste de 32%.

O que não é verdade, pois com as alterações no Plano de Carreira, aprovadas em 2020, o salário da categoria foi transformado em subsídio e vantagens concedidas foram transformadas em parcela autônoma – sobre as quais o reajuste proposto não incidirá, e, além disso, será absorvido até o novo valor da tabela reajustada.

Ou seja, mais uma vez os educadores estão pagando seu reajuste para o governo propagandear que concedeu o piso. Transformar a parcela de irredutibilidade em parcela que reduz o reajuste, pode tornar-se prática permanente, a partir do que foi apresentado neste momento.

O Projeto de Lei não foi apresentado e ainda precisará ser enviado e aprovado pela Assembleia Legislativa do RS.

Toda a apresentação foi um circo. O contorcionismo nos números, o malabarismo para fazer crer em um grande aumento, a mágica ao esconder as verdadeiras informações: parte significativa dos educadores(as) está sendo deixada de fora da valorização salarial.

Caco Argemi / CPERS SindicatoCaco Argemi / CPERS Sindicato

"Governo está nos passando a perna"

A presidente do CPERS, Helenir Aguiar Schürer, ressaltou que o sindicato cobrará fortemente do governo um reajuste que contemple a totalidade desta categoria tão sofrida.

“Nós avaliamos que a categoria não foi contemplada na sua reivindicação. O governo faz o que tem feito durante os três anos, legisla sem dialogar com a população. Queremos que o Executivo e os deputados honrem com a promessa de não mexer na parcela de irredutibilidade e garantam a valorização salarial igualitária para professores, aposentados e funcionários de escola”, destaca Helenir.

Indignação 

A diretora do CPERS Vera Lessês, inconformada com a proposta, dirigiu-se ao secretário da Fazenda e fez um desabafo durante a reunião. “Me aposentei com 35 anos de contribuição e não terei um centavo de reposição. É vergonhoso, humilhante e triste. É vergonhoso esperar sete anos e receber uma proposta dessas”, afirmou emocionada.

Juçara Borges, diretora do Departamento de Funcionários(as) de Escola do CPERS, também expôs sua indignação. “Somos todos educadores. Este governo discrimina os funcionários, que fazem serviços essenciais para o funcionamento das escolas e recebem os piores salários”.

Ato em frente ao Piratini: reajuste para TODA a categoria

O CPERS sempre foi claro ao colocar para o governo a sua principal reivindicação: reajuste salarial para toda a categoria – professores(as) e funcionários(as), da ativa e aposentados(as).

Para expor a contrariedade da categoria quanto à vergonhosa proposta do governo, o Sindicato conclama a todos os educadores(as) a participarem do ato em frente ao Palácio Piratini, na próxima terça-feira (14), às 9h.

Entenda a proposta

- O CPERS sempre exigiu um reajuste para toda a categoria, que já teve seu salário reduzido em 51,3% pelo não repasse da inflação desde novembro de 2014;

- O governo Eduardo Leite (PSDB) apresentou uma proposta de reajuste de 32% não linear, deixando de fora grande parte dos aposentados, ignorando funcionários de escola e diferenciando o percentual dos professores;

- O governo finge dar aumento a todos, mas, na prática, apenas alguns servidores verão, de fato, alguma diferença em seus contracheques, quebrando uma isonomia histórica entre os trabalhadores;

- O reajuste do Piso será pago com o dinheiro dos próprios educadores, com uma relação de proporção inequívoca: quanto mais antigo e com maior tempo na carreira, menor o reajuste;

- O governo Leite extinguiu o tempo de serviço que se estampava na norma original através dos triênios, que concediam um reajuste automático de 5% a cada três anos e agrupou os valores numa parcela denominada de “irredutibilidade” e agora pretende absorvê-la no subsídio, fazendo com que para 33% dos inativos não haja qualquer aumento;

- 30.933 professores aposentados não terão nenhum reajuste;

- 33.820 professores na ativa em sala de aula não receberão o reajuste de 32% do Piso Nacional do Magistério;

- Funcionários de escola não estão contemplados de forma alguma na proposta.