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Dória manda Tropa de Choque na reintegração de posse em área indígena no Jaraguá

Os indígenas denunciam obra que infringe diversas normas ambientais e ainda desrespeita convenção internacional por não consultar os povos vizinhos

Publicado: 10 Março, 2020 - 11h03 | Última modificação: 10 Março, 2020 - 11h13

Escrito por: Redação Fórum

Reprodução
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A Polícia Militar do governador João Dória (PSDB) cumpre uma reintegração de posse em área próxima à comunidade guarani Jaraguá, na Zona Norte de São Paulo, na manhã desta terça-feira (10).

Os Indígenas da etnia Guarani Mbya ocupam o terreno desde último dia 30 de janeiro contra um empreendimento imobiliário da empreiteira Tenda que pretende construir 11 torres de prédios com 880 apartamentos em área de preservação da Mata Atlântica ao lado de três aldeias – Ytu, Pyau e Yvy Porã.

Os indígenas denunciam que a obra infringe diversas normas ambientais e ainda desrespeita convenção internacional por não consultar os povos vizinhos.

Eles querem que a área seja destinada a criação de um parque ecológico e um Memorial da Cultura Guarani e ocuparam o espaço para para impedir a derrubada de árvores da mata nativa.

“Sem natureza não tem vida. Não dá para negociar terra. O Juruá [termo usado pelos guaranis para denominar o não indígena] tem que parar com essa ganância. Até quando a gente vai sofrer isso? Tentam tirar nosso território, tentam tirar nosso direito, tentam matar a vida”, afirma Thiago Karai Djekupe, da liderança indígena.

Pelas redes sociais, os indígenas divulgaram imagens da mobilização na manhã desta terça-feira e da chegada da tropa de choque.

Justiça Federal

Um acordo firmado na última quarta-feira (4), na Justiça Federal de São Paulo, determinou a suspensão das obras do condomínio Reserva Jaraguá-Carinás por 60 dias. O acordo foi mediado pela juíza federal Tatiana Pattaro Pereira, 14ª vara. A audiência foi proposta em ação das Defensorias Públicas da União e do Estado de São Paulo e contou com a participação da Tenda, da Comissão Tekoa Jaroguata Petei Mbaraete, do Conselho Consultivo do Parque Estadual do Jaraguá, da Fundação Florestal, da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e Funai.

A construtora terá 10 dias para encaminhar à justiça o projeto do condomínio e as licenças ambientais. Depois disso, os órgãos públicos e a comissão indígena terão 30 dias para analisar os documentos, que será depois encaminhado às defensorias e ao Ministério Público Federal. As defensorias pedem a suspensão das obras. A prefeitura de São Paulo não compareceu à audiência e será intimada. A próxima audiência está marcada para o dia 5 de maio, as 15h30.