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Dia da Pessoa Idosa ( 01/10) ganha importância às vésperas das eleições

Como quase 17 milhões de pessoas acima dos 70 anos podem evitar ações nocivas nas decisões sobre Previdência, saúde, renda, cuidados e proteção social

Publicado: 01 Outubro, 2026 - 09h19 | Última modificação: 01 Outubro, 2026 - 09h38

Escrito por: Luiz R Cabral

SECOM /IA
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O Dia Internacional da Pessoa Idosa, celebrado em 1º de outubro, ganha importância especial neste ano por ocorrer poucos dias antes das eleições, marcadas para 4 de outubro. A proximidade entre as duas datas chama atenção para milhões de brasileiros que, todos os dias, lidam com questões como o valor da aposentadoria, o acesso a medicamentos, as consultas no SUS, o transporte e a necessidade de cuidados.

O Brasil está envelhecendo rapidamente. Já são mais de 34 milhões de pessoas com 60 anos ou mais, segundo o IBGE. Esse crescimento também aparece nas urnas: quase 17 milhões de pessoas com 70 anos ou mais estão aptas a votar nas eleições de 2026, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Esse eleitorado representa mais de um em cada dez eleitores do país e cresceu 15,75% em relação a 2022.

À medida que a população envelhece, aumentam também as necessidades de aposentadorias que garantam segurança financeira, atendimento de saúde, assistência social, transporte, moradia, proteção contra a violência e uma rede de cuidados para quem precisa de ajuda no dia a dia.

É por isso que o voto das pessoas idosas tem importância nas eleições de 2026. No dia 4 de outubro, elas não escolherão apenas o presidente da República. Também vão decidir quem ocupará os governos estaduais, o Senado e as cadeiras da Câmara dos Deputados e das assembleias legislativas. São escolhas que podem fazer diferença na vida de quem quer envelhecer dignamente.

Eleitorado 70+ ganha peso nas eleições

Para quem tem 70 anos ou mais, o voto é facultativo. Isso significa que a pessoa pode decidir se quer ou não comparecer às urnas. Mas, ao optar por não participar, ela deixa que outras pessoas decidam quem terá o poder de definir políticas e leis que afetarão sua renda, seus direitos, sua saúde e seu futuro.

Para aposentados e pensionistas do INSS, porém, existe ainda outro motivo para ir às urnas: o registro da participação eleitoral pode ser utilizado na prova de vida, por meio do cruzamento de informações entre a Justiça Eleitoral e o Instituto.

Congresso já cortou direitos do trabalhador

Um exemplo concreto de como o Legislativo interfere na vida de trabalhadores e aposentados é a reforma da Previdência de 2019. A PEC 6/2019 aumentou a idade mínima para aposentadoria na regra geral — 62 anos para mulheres e 65 para homens —, alterou o cálculo dos benefícios e estabeleceu novas regras de transição.

Na prática, as mudanças passaram a exigir mais tempo de trabalho e contribuição de parte dos segurados para alcançar a aposentadoria e, em determinadas situações, reduziram o valor do benefício em relação às regras anteriores. A reforma também alterou critérios de cálculo e regras de benefícios previdenciários, incluindo mudanças nas pensões por morte em determinadas situações de acumulação.

A proposta enviada pelo governo de Jair Bolsonaro avançou no Congresso com ampla maioria. Na Câmara, o texto-base foi aprovado em primeiro turno, em 10 de julho de 2019, por 379 votos a 131, e, em segundo turno, por 370 votos a 124. No Senado, a votação do texto principal em segundo turno terminou com 60 votos favoráveis e 19 contrários. Entre os votos favoráveis estava o do então senador Flávio Bolsonaro, hoje candidato à Presidência.

Para o secretário de Pessoas Aposentadas, Pensionistas e Idosas da CUT, Ari Aloraldo, o resultado das votações da reforma da Previdência mostra a importância de o eleitor conhecer o histórico dos parlamentares antes de escolher seus representantes. Segundo ele, muitas pessoas deixam para decidir o voto para o Legislativo apenas no momento da votação.

“Estatísticas mostram que muitas pessoas deixam para decidir o voto para o legislativo na própria urna”. Para Aloraldo, a reforma da Previdência de 2019 é um exemplo concreto de como a escolha dos parlamentares pode ter consequências diretas e nocivas na vida dos trabalhadores e aposentados.

“A reforma da Previdência de 2019, que tirou muitos direitos, aumentou o tempo para a mulher se aposentar, mexeu e tirou 50% do valor das pensões e acabou com a Previdência por tempo de contribuição. Essas coisas que aconteceram na reforma de 2019 foram feitas por deputados, deputadas, senadores e senadoras que estão encerrando o mandato agora”, afirma.

A partir desse exemplo, o secretário alerta que mudanças nas regras previdenciárias podem voltar ao debate nos próximos anos e defende que os eleitores acompanhem as propostas apresentadas pelos candidatos e o histórico de seus posicionamentos.

“Se a gente quer evitar que aconteça uma nova reforma, é preciso ficar atento. Inclusive, os candidatos da extrema direita estão dizendo que tem que aumentar o tempo para aposentadoria. Também querem igualar o tempo da mulher com o tempo do homem e elevar para 70 anos de idade a aposentadoria”, diz.

Antes de votar, consulte o histórico dos parlamentares

Conhecer o histórico dos candidatos permite ao eleitor verificar como os parlamentares se posicionaram em votações que envolvem direitos previdenciários, trabalhistas e sociais. Os portais da Câmara dos Deputados e do Senado permitem consultar votações nominais e os votos registrados individualmente.

Na Câmara, é possível pesquisar a proposição e verificar o voto de cada deputado.

Consulta às votações nominais da Câmara dos Deputados

No Senado, o sistema permite consultar as matérias submetidas a votação nominal e os votos dos senadores.

Consulta às votações nominais do Senado Federal

“É extremamente importante que, antes de a pessoa votar, agora, na sexta e no sábado, faça a sua colinha, pesquise quem é o deputado, a deputada da sua região que está aparecendo na sua região, quem são essas pessoas, se são deputados e deputadas, em quem eles votaram, como votaram na reforma da Previdência”, orienta Ari Aloraldo.

Discussões no próximo mandato que afetam trabalhadores e aposentados

Olhar para o histórico dos parlamentares, porém, não basta. O próximo Congresso também terá de decidir sobre pautas que podem alterar direitos dos trabalhadores e aposentados.

“Agora nós temos algumas pautas importantes para o próximo período, que são essas cabeças que vão acabar decidindo: o fim da escala 6x1 e a retomada do benefício da pensão dos pensionistas, para que ele volte a ser integral como era antes da reforma de 2019”, afirma o secretário.

Envelhecimento exige políticas além da Previdência

O aumento da população idosa amplia necessidades que vão muito além da aposentadoria. Saúde, medicamentos, atendimento domiciliar, assistência social, proteção contra a violência, cultura, lazer, educação e combate ao etarismo também fazem parte da agenda de políticas públicas para essa população.

Uma das iniciativas recentes nessa área é o Programa de Atenção Domiciliar à Pessoa Idosa (Padi Brasil), lançado pelo Ministério da Saúde em junho de 2026. A iniciativa prevê o credenciamento de 1,2 mil equipes em 791 municípios, com potencial de beneficiar 427 mil pessoas idosas.

A Política Nacional de Cuidados, instituída pela Lei nº 15.069/2024, também estabeleceu um marco para o tema. A legislação reconhece o cuidado como um direito e prevê a articulação entre União, estados, Distrito Federal e municípios, além da participação das famílias, do setor privado e da sociedade civil. Entre o público prioritário estão pessoas idosas que necessitam de apoio ou assistência para realizar atividades da vida diária.

“As políticas sociais de cuidados, de cultura, de lazer, de educação, de acesso ao mercado de trabalho e de combate ao etarismo, tudo isso é decidido por essas pessoas que a gente vai delegar um poder por quatro anos para eles fazerem políticas ou não em nosso favor no próximo período”, disse Aloraldo.

O voto que ajuda a definir o futuro da população idosa

Nos próximos quatro anos, decisões tomadas por quem for eleito poderão aparecer na vida de milhões de pessoas idosas: no valor da aposentadoria, no acesso a um medicamento, na consulta pelo SUS, na proteção contra golpes e violência ou na existência de serviços para quem precisa de cuidados. Por isso, para quem tem 60, 70 anos ou mais, votar é também participar das decisões sobre o próprio futuro. É escolher quem terá a responsabilidade de defender direitos, garantir proteção social e criar condições para que a velhice seja vivida com renda, saúde, autonomia e dignidade.

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