Dia Internacional contra Discriminação Racial mostra impacto nas mulheres negras
Dados revelam impacto do racismo na segurança, emprego e renda, com maior vulnerabilidade para mulheres negras
Publicado: 21 Março, 2026 - 11h27 | Última modificação: 21 Março, 2026 - 20h55
Escrito por: Walber Pinto
Neste 21 de março, Dia Internacional pela Eliminação da Discriminação Racial, dados recentes e a realidade cotidiana evidenciam que o racismo estrutural segue aprofundando desigualdades no Brasil, com impactos diretos na violência, no mercado de trabalho e, de forma ainda mais intensa, na vida das mulheres negras.
Segundo o levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, divulgado no Anuário de Segurança Pública, a violência policial continua atingindo de forma desproporcional a população negra. Em 2023, mais de 80% das pessoas mortas por intervenções policiais eram negras, sendo a maioria jovens. O levantamento dialoga com o Atlas da Violência 2024, que aponta que jovens negros têm quase três vezes mais chances de serem vítimas de homicídio do que jovens brancos no país.
Essa realidade evidencia como o racismo estrutural atravessa o sistema de segurança pública e impacta diretamente a juventude negra, especialmente nas periferias urbanas.
Para a secretária nacional de Combate ao Racismo da CUT, Júlia Nogueira, os números evidenciam um padrão histórico de exclusão da população negra.
As mulheres negras estão na base da pirâmide social porque enfrentam simultaneamente o racismo e o machismo. Isso se reflete nos salários mais baixos, na precarização do trabalho e também na maior exposição à violência
Racismo e desigualdade no mercado de trabalho
No mundo do trabalho, a desigualdade racial também se mantém evidente. Dados recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam que pessoas negras recebem, em média, cerca de 40% a menos do que pessoas brancas. Quando o recorte é de gênero, a desigualdade se aprofunda: mulheres negras estão na base da pirâmide salarial.
Além dos baixos rendimentos, elas enfrentam maiores taxas de informalidade e desemprego. Segundo estudos do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE), mulheres negras são maioria em ocupações precárias, como trabalho doméstico e atividades sem proteção trabalhista.
“É necessário ampliar políticas públicas, fortalecer mecanismos de fiscalização e promover mudanças estruturais que garantam igualdade de oportunidades”, defende Nogueira.
No cenário global, a Organização Internacional do Trabalho (OIT) também aponta que mulheres negras e racializadas estão mais expostas à discriminação múltipla, com menor acesso a empregos formais e maior vulnerabilidade a abusos no ambiente profissional.
Violência e discriminação contra mulheres negras
Quando raça e gênero se cruzam, os indicadores revelam uma situação ainda mais crítica. O Fórum Brasileiro de Segurança Pública aponta que mulheres negras são as principais vítimas de feminicídio no Brasil, representando cerca de 60% a 70% dos casos registrados.
Além da violência letal, elas também sofrem mais com assédio moral e sexual no ambiente de trabalho. Um levantamento recente do Instituto Ethos mostra que mulheres negras relatam níveis mais altos de discriminação racial nas empresas, incluindo barreiras para promoção e episódios de preconceito direto.
Movimento sindical e enfrentamento
Diante desse cenário, a atuação da CUT tem buscado pautar o combate ao racismo e à desigualdade de gênero no mundo do trabalho
Júlia Nogueira reforça que o enfrentamento ao racismo precisa estar no centro das políticas públicas e das relações de trabalho. “Não há justiça social possível enquanto a cor da pele e o gênero definirem quem tem direitos e quem é excluído. A luta contra o racismo precisa estar no centro do projeto de país que queremos construir”, destaca.