Dia da Amazônia: CUT defende trabalho, direitos e regularização fundiária
Central critica exploração predatória e financeirização da natureza e defende organização dos trabalhadores e povos da floresta
Publicado: 04 Setembro, 2026 - 15h53 | Última modificação: 05 Setembro, 2026 - 12h20
Escrito por: Luiz R Cabral | Editado por: Táli Pires
Neste 5 de setembro, Dia da Amazônia, a Central Única dos Trabalhadores (CUT) reforça que proteger a floresta também significa garantir trabalho, renda, direitos e segurança territorial para quem vive e trabalha na região.
“A Amazônia é espaço de moradia, trabalho e sustento para povos indígenas, quilombolas, ribeirinhos, trabalhadores rurais e extrativistas, além de milhares de pessoas que vivem e trabalham nas cidades da região.
“A Amazônia é importante para o equilíbrio climático do planeta Terra e a riqueza da sua biodiversidade é imprescindível para a classe trabalhadora que nela habita. É com a floresta em pé e com os rios vivos que o povo da região pode trabalhar e se sustentar, em conexão com a natureza, construindo o bem viver”, afirma Rosalina Amorim, secretária de Meio Ambiente da CUT.
Trabalho também depende do território
A região amazônica se estende por nove países e reúne diferentes povos e formas de trabalho. Para a CUT, garantir que essas populações vivam com dignidade, emprego e renda em seus territórios é parte da defesa da floresta.
Nesse cenário, a regularização fundiária é um dos maiores desafios, comunidades indígenas, tradicionais e pequenos agricultores demandam o reconhecimento da posse de seus territórios.Essa medida colabora para o enfrentamento aos conflitos agrários e cria condições para que comunidades tenham acesso a políticas públicas e continuem produzindo, trabalhando e mantendo suas formas de vida.
“A Amazônia é um território que faz parte de vários países e também é local de vida e trabalho de milhares de pessoas”, afirma Rosalina.
Para a secretária, trabalhadores e comunidades precisam participar das decisões que afetam seus territórios. Para além de políticas públicas, é preciso garantir participação social, ouvir quem vive e conhece a Amazônia, os efeitos das decisões tomadas sobre a terra e os recursos naturais.
CUT alerta contra falsas soluções climáticas
A Amazônia ganhou espaço nas discussões sobre o enfrentamento da emergência climática. Ao mesmo tempo, aumentou a disputa por seus territórios, recursos e conhecimentos.
A CUT alerta que nem toda proposta apresentada como solução ambiental protege quem vive na floresta. Algumas podem repetir velhos problemas ao colocar a exploração econômica acima dos direitos das comunidades.
“O bioma da Amazônia se tornou central como parte das soluções para a crise climática, mas não queremos propostas que tragam mais problemas para a região, como desenvolvimento predatório, mercantilização dos saberes ancestrais e financeirização da natureza”, afirma Rosalina.
A preocupação é que essas propostas ampliem conflitos agrários e pressionem comunidades que vivem e trabalham na floresta. Para a CUT, enfrentar a emergência climática exige combinar preservação ambiental com direitos territoriais, trabalho decente e geração de renda.
Organização sindical como instrumento de luta
A relação entre trabalho e defesa da floresta tem uma referência histórica para a CUT: Chico Mendes. Seringueiro e dirigente sindical no Acre, ele organizou trabalhadores na luta por direitos, emprego e renda e pela preservação dos territórios onde viviam e trabalhavam.
“Na CUT trabalhamos para fortalecer a organização sindical e dos povos da floresta, assim como fez Chico Mendes, que organizou trabalhadores em sindicatos por direitos como emprego e renda, mas também para proteger a floresta”, afirma Rosalina.
A experiência continua sendo uma referência para a Central. A organização sindical amplia a capacidade dos trabalhadores de defender direitos e participar das decisões sobre o território.
Desmatamento recua, mas fiscalização continua
Os alertas de desmatamento na Amazônia recuaram nosúltimos 4 anos. Dados do Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), apontaram 2.874 km² sob alerta entre agosto de 2025 e julho de 2026. O resultado representa queda de 36% em relação ao período anterior.
O Deter orienta as ações de fiscalização, enquanto a taxa oficial de desmatamento é calculada pelo Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (Prodes), também do Inpe.
O futuro da Amazônia também é uma decisão política
Trabalhadores e comunidades precisam participar das escolhas que definirão o futuro da região. Isso inclui acompanhar o debate público, conhecer as propostas e cobrar compromissos de governos e candidaturas com a proteção ambiental e o enfrentamento da emergência climática.
Por isso, neste Dia da Amazônia, a CUT defende que a preocupação com a floresta se transforme em participação. A escolha dos rumos da região não pode ficar restrita a governos, empresas ou organismos internacionais.
“A Amazônia precisa estar no centro das decisões sobre o futuro do Brasil. E o futuro também se constrói com participação, informação e voto consciente”, conclui Rosalina.