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Desigualdade em São Paulo: mais pobres vivem 40% menos do que os ricos

Dados do Mapa da Desigualdade na capital paulista compara tempo de vida de habitantes por regiões e escancara diferença entre classes sociais

Publicado: 28 Novembro, 2018 - 18h18 | Última modificação: 28 Novembro, 2018 - 18h29

Escrito por: Marize Muniz

reprodução USP
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A média de idade das pessoas que morreram nos 96 distritos de São Paulo, a maior e mais rica cidade do Brasil e da América Latina, é um retrato da desigualdade que atinge todos os brasileiros que vivem nos 5.570 municípios do país.

Em 2017, os moradores da Cidade Tiradentes, extremo leste de São Paulo, tinham em média 58,45 anos ao morrer. Isso significa que eles viveram 23,13 anos, em média, menos do que os moradores do Jardim Paulista, bairro de classe alta da Zona Oeste, onde as pessoas morreram com 81,58 anos em média.

A variação de 39,6% entre o tempo de vida de moradores de uma mesma cidade foi um dos dados preocupantes do Mapa da Desigualdade de 2018, divulgado nesta quarta-feira (28) pela Rede Nossa São Paulo.

Em apenas oito distritos da capital paulista, todos de classe média alta, os moradores viveram mais de 80 anos em 2017. O campeão foi o Jardim Paulista, seguido pelo Itaim Bibi, média de morte de 81,5 anos, Alto de Pinheiros (81,5) e Consolação (81,4 anos).

Por outro lado, em 22 distritos as pessoas viveram menos de 65 anos, idade que o ilegítimo Michel Temer (MDB-SP) queria estipular como a mínima para os trabalhadores e trabalhadoras terem direito a aposentadoria. O último colocado foi o distrito de Cidade Tiradentes, seguido de Anhanguera, onde a média da idade em que os moradores morreram foi de 58,73 anos, Grajaú (59,2) e Iguatemi (60), todos na periferia da capital paulista.

A idade média da morte é obtida a partir da divisão da soma das idades ao morrer pelo total de óbitos por todas as idades, ocorridos em determinado ano e localidade. Ano-base: 2017. Fonte do indicador: SIM (Sistema de Informação sobre Mortalidade).

O Mapa da Desigualdade pesquisa 53 indicadores nas várias áreas da administração pública. O objetivo é identificar as prioridades e necessidades da população em seus distritos. Na área da saúde, São Paulo dá outro exemplo da desigualdade extrema entre ricos e pobres que prejudicam ainda mais os idosos que dependem de atendimento público. 

Dos 96 distritos pesquisados, 29 não têm nenhum leito hospitalar, todos na periferia da capital. Enquanto na Bela Vista tem 48,42 leitos por cada mil habitantes, o Jardim Paulista tem 38,03 e a Consolação 32,20; os distritos da periferia da capital, como Cidade Líder, na Zona Leste, Parelheiros e Cidade Ademar, na Zona Sul, e Brasilândia, na Zona Norte, não têm nenhum leito hospitalar, condição que obriga moradores das periferias se deslocarem para as regiões mais centrais para atendimento hospitalar.

O tempo médio (em dias) para realizar consulta com clínico geral por distrito administrativo de residência, é outro indicador negativo para os paulistanos que mais precisam de atendimento médico. Em alguns bairros, de classe alta e média, o tempo médio é de zero, em outros passa de 100 dias de espera. Entre esses estão o distrito de Anhanguera, onde a população espera, em média, 107,99 dias para conseguir uma consulta; São Rafael (105,9) e Vila Leopoldina (101,3 dias).

O primeiro ano da gestão do ex-prefeito João Doria registrou piora na desigualdade, considerada a proporção de leitos hospitalares públicos e privados disponíveis por cada grupo de mil habitantes.

Em 2013 o índice foi de 287,94. Já no ano passado, subiu para 1251,65. Em 2017 a proporção na região da Bela Vista é 1251,65 vezes maior do que em São Rafael, na Zona Leste.

Um exemplo é o distrito de Anhanguera, onde as pessoas chegaram a esperar quase três meses e meio para uma consulta com um clínico geral. Este número é 22 vezes maior do que os que os moradores do Pari, Centro da Zona Norte, esperam, em média 5,87 dias.

Ainda na área da saúde, 2017 registrou piora na discrepância do número de unidades básicas públicas de atendimento em saúde por 10 mil habitantes. Em 2013 a desigualdade era de 23,31. Em 2017, passou a 34,17.

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