• Kwai
MENU

Desfiles de Carnaval levam à avenida lutas populares e voz da classe trabalhadora

Escolas do Rio e de São Paulo transformam sambas-enredo em tribunas contra a ditadura, o racismo, a fome, a desigualdade e exaltam a organização popular e resistência coletiva

Publicado: 12 Fevereiro, 2026 - 10h13 | Última modificação: 13 Fevereiro, 2026 - 10h48

Escrito por: Redação CUT | Editado por: Luiz R Cabral

Valter Campanato / Agência Brasil
notice

O Carnaval de 2026 não vai ser só um espetáculo de plumas e paetês. Nas avenidas do Rio de Janeiro e de São Paulo, histórias de trabalhadores, mulheres negras, artistas perseguidos, camponeses e povos indígenas ganham corpo, ritmo e voz.

São narrativas que nascem do cotidiano de quem enfrenta desigualdade, luta por direitos e acredita na organização coletiva como caminho de transformação.

Em São Paulo, a Mocidade Unida da Mooca apresenta “Gelédés: Agbara Obinrin”, homenagem ao Instituto da Mulher Preta e à sua fundadora, Sueli Carneiro. O enredo celebra a trajetória de mulheres negras que enfrentam racismo e sexismo todos os dias.

A Dragões da Real leva ao Anhembi “Guerreiras Icamiabas”, destacando mulheres que protegem a floresta e seus territórios. A escola conecta passado e presente na defesa da vida e do meio ambiente.

A Acadêmicos do Tatuapé apresenta “Tem muita terra sem gente, tem muita gente sem terra”, com foco na luta do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra. O enredo lembra que a reforma agrária segue como pauta concreta para milhares de famílias que produzem alimento e reivindicam dignidade no campo.

O Vai-Vai exalta São Bernardo do Campo e o processo de industrialização, conectando cultura e o surgimento das greves operárias que marcaram a história da classe trabalhadora no ABC.

A Gaviões da Fiel apresenta “Vozes Ancestrais para um Novo Amanhã”, destacando a resistência dos povos indígenas e a defesa da floresta em um momento em que o debate ambiental ocupa o centro das atenções no Brasil e no mundo.

No Rio de Janeiro, a Acadêmicos de Niterói leva para a avenida “Do Alto do Mulungu Surge a Esperança: Lula, o Operário do Brasil”. O enredo acompanha a trajetória de Luiz Inácio Lula da Silva pelos olhos de Dona Lindu, a mãe do presidente.

A história do retirante que saiu do Nordeste, enfrentou a fome e se tornou liderança sindical e presidente dialoga com milhões de trabalhadores que também migraram em busca de emprego e dignidade. A escola coloca no centro da narrativa a força da organização coletiva que nasceu nas fábricas do ABC.

A Imperatriz Leopoldinense apresenta “Camaleônico”, homenagem a Ney Matogrosso. O desfile relembra a coragem de desafiar a censura em tempos de repressão.

Na mesma linha, a Mocidade Independente de Padre Miguel homenageia Rita Lee em “Rita Lee, a Padroeira da Liberdade”. A irreverência da artista, perseguida pelo regime militar, reaparece como símbolo de resistência cultural.

A Unidos da Tijuca conta a história de Carolina Maria de Jesus, mulher negra, catadora de papel e escritora que denunciou a fome nas páginas de seus diários. Ao trazer sua vida para a avenida, a escola resgata a voz de quem escreveu sobre a favela quando quase ninguém queria ouvir.

 

Já a Acadêmicos do Grande Rio apresenta “A Nação do Mangue”, inspirado no MangueBeat. O enredo dialoga com o pensamento de Paulo Freire, ao valorizar a cultura popular como ferramenta de consciência crítica e transformação social.

Ao colocar essas histórias na avenida, o Carnaval reafirma que a cultura popular não se separa da vida real. Ela carrega memória, denuncia injustiças e projeta futuro. Ter essas lutas transformadas em samba reforça que a organização coletiva segue viva. A avenida se torna espaço de encontro entre arte e política, lembrando que direitos se constroem com mobilização, consciência e participação popular.

Veja os dias e os horários das saídas das escolas nos dois estados

SÃO PAULO – Sambódromo do Anhembi

Sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026


  • 23h00Mocidade Unida da Mooca
    • 00h05 — Colorado do Brás
    01h10Dragões da Real
    02h15Acadêmicos do Tatuapé
    • 03h20 — Rosas de Ouro
    04h35Vai-Vai
    • 05h30 — Barroca Zona Sul

Sábado, 14 de fevereiro de 2026
• 22h30 / 23h00 — Império de Casa Verde
• 23h35 — Águia de Ouro
• 00h40 — Mocidade Alegre
01h45Gaviões da Fiel
02h50 — Estrela do Terceiro Milênio
• 03h55 — Tom Maior
• 05h00 — Camisa Verde e Branco

RIO DE JANEIRO – Sambódromo da Marquês de Sapucaí

Domingo, 15 de fevereiro de 2026

  • 22h00Acadêmicos de Niterói (abre os desfiles)
    23h30Imperatriz Leopoldinense
    • 01h00 — Portela
    • 02h30 — Estação Primeira de Mangueira

Segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

  • 22h00Mocidade Independente de Padre Miguel
    • 23h30 — Beija-Flor de Nilópolis
    • 01h00 — Unidos do Viradouro
    02h30Unidos da Tijuca

Terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

• 22h00 — Paraíso do Tuiuti
• 23h30 — Unidos de Vila Isabel
01h00Acadêmicos do Grande Rio
• 02h30 — Acadêmicos do Salgueiro