Desemprego tem alta no trimestre, mas recua no ano e renda cresce, mostra pesquisa
Dados do IBGE mostram melhora no mercado de trabalho em 2026, com queda do desemprego na comparação anual e aumento do rendimento médio; cenário reflete retomada da economia e maior circulação de renda
Publicado: 27 Março, 2026 - 11h17 | Última modificação: 27 Março, 2026 - 12h01
Escrito por: Redação CUT | Editado por: Luiz R Cabral
A taxa de desocupação do mercado de trabalho ficou em 5,8% no trimestre encerrado em fevereiro. Apesar da alta frente ao trimestre anterior (5,2%), o índice é o menor para um trimestre encerrado em fevereiro desde o início da série histórica em 2012, e representa queda de 1,0 ponto percentual em relação ao mesmo período do ano passado, indicando uma trajetória de recuperação ao longo dos últimos meses.
Em termos absolutos, 6,2 milhões de pessoas estavam em busca de trabalho — número maior que no trimestre anterior, mas 14,8% menor do que há um ano, o que significa 1,1 milhão de brasileiros a menos nessa condição. Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), nesta sexta-feira (27).
O nível de ocupação ficou em 58,4% (102,1 milhões de pessoas), no fechamento do trimestre, resultado da entrada de 1,5 milhão de trabalhadores no mercado. Apesar de uma leve queda, houve um crescimento de 1,5% em relação ao ano passado.
Renda melhor
Os dados de renda reforçam a melhora nas condições de vida. O rendimento médio real habitual foi de R$ 3.679, com alta de 2,0% no trimestre e de 5,2% na comparação anual. A massa de rendimentos atingiu R$ 371,1 bilhões, um crescimento de 6,9% em relação ao ano anterior, o que representa mais dinheiro circulando na economia.
O avanço da renda acompanha a retomada da atividade econômica, com impacto direto no consumo das famílias e no dinamismo de setores ligados ao mercado interno.
Subutilização diminui no ano
A taxa de subutilização da força de trabalho — que inclui desempregados, subocupados e pessoas que desistiram de procurar emprego — ficou em 14,1%. O indicador subiu no trimestre, mas recuou 1,6 ponto percentual em relação ao mesmo período de 2025.
Ao todo, 16,1 milhões de pessoas estavam nessa condição. Apesar da alta recente, houve redução de 10,5% em um ano, o equivalente a 1,9 milhão de pessoas a menos.
O número de desalentados ficou em 2,7 milhões, estável no trimestre, mas com queda de 14,9% na comparação anual, indicando melhora gradual na confiança para buscar trabalho.
Informalidade ainda atinge milhões
Mesmo com os avanços, a informalidade segue como um dos principais desafios do mercado de trabalho. A taxa ficou em 37,5% da população ocupada, o equivalente a 38,3 milhões de trabalhadores.
O número de empregados com carteira assinada no setor privado permaneceu em 39,2 milhões, sem variação significativa. Já os trabalhadores sem carteira somaram 13,3 milhões, com redução no trimestre.
Os dados indicam que, embora haja melhora no nível de emprego, ainda há um contingente elevado de trabalhadores em condições mais precárias, sem acesso pleno a direitos.
Setores ligados ao consumo e ao setor público avançam
O crescimento do emprego, na comparação anual, foi puxado por áreas como informação, comunicação e atividades financeiras, que cresceram 4,0%, e por administração pública, saúde e educação, com alta de 4,5%.
No recorte da renda, houve aumento em setores como comércio e serviços, refletindo o aquecimento do consumo e maior circulação de recursos na economia.
A pesquisa completa do IBGE pode ser acessada aqui.