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Deputadas e deputadas estaduais: seu voto decide a qualidade de vida da população

Escolha para as Assembleias Legislativas define quem vota as leis e o orçamento estadual, fiscaliza o governador e cobra respostas para os problemas da população.

Publicado: 02 Outubro, 2026 - 11h37 | Última modificação: 02 Outubro, 2026 - 11h45

Escrito por: Redação CUT | texto: André Accarini

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Neste ano, escolheremos os deputados e as deputadas estaduais que vão nos representar pelos próximos quatro anos. Essa escolha pesa no funcionamento das escolas, no atendimento dos hospitais, na segurança pública e no transporte entre municípios. Quem ocupa uma cadeira na Assembleia Legislativa participa das decisões sobre as leis e o dinheiro do estado e tem o dever de fiscalizar o governador.

Por isso, é importante, na hora de escolher o seu voto, avaliar se o candidato ou candidata está alinhado ou alinhada com o seu pensamento sobre o que uma sociedade melhor e mais justa para todos, em especial para a classe trabalhadora.

Tem sido muito comum nos últimos pleitos a presença de ideias extremistas, bélicas, sensacionalistas e fundamentalistas que não dialogam com os interesses gerais da população. Muito se ouve, inclusive, sobre o uso da violência como solução para a segurança e pouco se fala sobre projetos que criem mais oportunidades para que as pessoas não ‘entrem no crime’.

Apesar desse peso, o voto para o Legislativo costuma receber menos atenção que a escolha para presidente ou governador. Segundo pesquisa Datafolha divulgada em junho de 2026, 66% dos entrevistados não se lembravam em quem haviam votado para deputado estadual em 2022. Para deputado federal, a pesquisa revelou que 67% não lembravam e para Senador, 66% também.

Esquecer o voto dificulta a cobrança. Sem acompanhar o mandato, o eleitor perde a oportunidade de confrontar promessas com decisões e verificar se o representante defendeu seus interesses.

O que faz um deputado estadual

Deputados estaduais integram as Assembleias Legislativas dos estados. No Distrito Federal, são chamados de deputados distritais e atuam na Câmara Legislativa.

O mandato dura quatro anos. Entre suas principais responsabilidades estão:

  • Criar e votar leis estaduais: analisar propostas sobre assuntos da competência do estado, como educação, saúde, segurança, transporte intermunicipal e tributos estaduais.
  • Fiscalizar o governador: acompanhar políticas públicas e gastos, examinar contas e investigar possíveis irregularidades, inclusive por meio de comissões parlamentares de inquérito, as CPIs.
  • Votar o orçamento: discutir e aprovar a destinação dos recursos estaduais, definindo prioridades para os serviços e investimentos.
  • Apresentar emendas: indicar recursos do orçamento para ações, equipamentos e melhorias nos municípios, conforme as regras aplicáveis.

Essas funções se complementam. Aprovar dinheiro para um serviço não encerra o trabalho: é preciso acompanhar sua aplicação e cobrar os resultados.

O orçamento chega à sua vida

Quando a Assembleia discute o orçamento, está tratando do dinheiro que financia escolas, hospitais, segurança, transporte e outras responsabilidades do estado.

Para a população, essa decisão aparece em questões concretas: há recursos para melhorar o atendimento de saúde? Para manter as escolas? Para enfrentar problemas no transporte? Quais áreas recebem prioridade e quais ficam com menos dinheiro?

O deputado participa dessas escolhas. Por isso, anunciar apoio à saúde ou à educação durante a campanha precisa ser confrontado com sua atuação na votação do orçamento e na fiscalização dos serviços.

O eleitor pode cobrar tanto a destinação dos recursos quanto o acompanhamento de sua execução. Dinheiro previsto no papel não significa, por si só, atendimento melhor ou obra concluída.

Fiscalizar e fazer avançar

A relação entre a Assembleia e o governo estadual interfere na execução das políticas públicas. Deputados podem contribuir para aprovar propostas que beneficiem a população, exigir correções e cobrar providências diante de problemas.

Fiscalizar é parte do mandato. Investigar irregularidades, questionar gastos e exigir informações são responsabilidades de quem representa a sociedade.

Ao mesmo tempo, transformar toda proposta em disputa para impedir avanços também tem consequências. O critério para avaliar essa relação deve ser o interesse da população: o parlamentar ajudou a resolver o problema, propôs uma alternativa ou apenas trabalhou para bloquear a solução?

A cobrança vale para aliados e opositores. Apoiar o governador não dispensa fiscalização. Fazer oposição não dispensa responsabilidade com os serviços de que a população depende.

Emenda não é presente

Emendas parlamentares são indicações de aplicação de dinheiro público. Quando um deputado anuncia recursos para um hospital ou município, não está fazendo uma doação pessoal.

O eleitor tem direito de saber quem indicou a verba, qual é o valor, quem vai recebê-la, para que será usada e se chegou ao destino. Também pode cobrar o resultado: o equipamento foi comprado? A reforma foi realizada? O serviço passou a funcionar?

É importante distinguir as etapas. Indicar uma emenda, liberar o dinheiro e executar a ação são coisas diferentes. Um anúncio não comprova que o recurso foi pago nem que a melhoria foi entregue.

As regras das emendas dependem do estado e da modalidade. A avaliação do mandato deve considerar a transparência, a necessidade atendida e o acompanhamento da aplicação dos recursos.

Promessa tem limite

Deputados estaduais votam leis e fiscalizam o Executivo, mas não executam diretamente obras e serviços. Construir uma escola, administrar um hospital ou realizar uma obra cabe aos órgãos responsáveis.

O parlamentar pode atuar para viabilizar recursos e cobrar providências. Isso não transforma a execução em realização pessoal do mandato.

Também há limites para as propostas que pode apresentar. Determinadas matérias, como mudanças na estrutura administrativa do Executivo, dependem de iniciativa do governador.

E deputado estadual não muda, por lei estadual, as regras nacionais de aposentadoria, legislação trabalhista ou direito penal. Conhecer as atribuições ajuda o eleitor a identificar promessas que o cargo não permite cumprir.

Vídeo não comprova trabalho

Como ocorre no Congresso Nacional, discursos, provocações e confrontos nas Assembleias podem render repercussão nas redes. Mas curtidas não mostram como o parlamentar votou nem o que fez para melhorar os serviços públicos.

A avaliação precisa ir além do vídeo: participou das comissões? Fiscalizou gastos? Cobrou respostas? Defendeu propostas que atendem à população? Acompanhou o destino das emendas?

A quantidade de projetos apresentados também não explica tudo. Relatorias, fiscalização e negociação fazem parte do trabalho. O que importa é a qualidade da atuação e quais interesses o mandato defendeu.

Como acompanhar e cobrar

Os sites das Assembleias Legislativas e os portais de transparência estaduais são caminhos para consultar a atuação dos deputados e a aplicação dos recursos.

Para avaliar um mandato, vale conferir:

  • Votações e propostas: quais posições tomou e que medidas defendeu.
  • Gastos: como utilizou os recursos destinados ao mandato.
  • Emendas: valores indicados, destinatários, finalidade e situação dos repasses.
  • Resultados: se a ação anunciada foi executada e atende à necessidade da população.

Indícios de irregularidades podem ser encaminhados às ouvidorias dos órgãos de controle e ao Ministério Público, pelos canais oficiais.

Seu voto fortalece um grupo político

A eleição para deputado estadual é proporcional. Os votos nos candidatos e na legenda ajudam a definir quantas vagas cada partido ou federação conquista, conforme as regras eleitorais.

Por isso, a escolha também fortalece um grupo político. Conhecer as posições do partido e os compromissos de suas candidaturas faz parte do voto consciente.

Antes de confirmar o número, vale perguntar: essa candidatura conhece os problemas do estado? Suas propostas cabem nas atribuições do cargo? Sua trajetória demonstra compromisso com quem depende dos serviços públicos?

Depois da eleição, guarde o nome de quem recebeu seu voto. O mandato dura quatro anos, e a cobrança precisa continuar durante todo esse período.