• Kwai
MENU

CUT reforça 1º de Maio como símbolo histórico de luta dos trabalhadores

Da origem nas greves operárias de 1886 à mobilização atual, a CUT articula o 1º de Maio no Brasil com pautas contra a precarização e em defesa de direitos, renda e democracia para a classe trabalhadora

Publicado: 30 Abril, 2026 - 09h35 | Última modificação: 30 Abril, 2026 - 09h50

Escrito por: Luiz R Cabral | Editado por: Rosely Rocha

Roberto Parizztti (Sapão)
notice

A CUT ocupa um papel central na construção do 1º de Maio como um dia de mobilização em todo o país, reunindo trabalhadores e trabalhadoras nas ruas para defender direitos e apresentar suas principais reivindicações. Essa atuação conversa com uma história que começou ainda em 1886, quando trabalhadores passaram a se organizar contra jornadas exaustivas e condições precárias. Desde então, o Dia do Trabalhador e da Trabalhadora se firmou como símbolo de luta coletiva, lembrando que cada direito conquistado nasceu da organização e da força dos trabalhadores.

Origem do 1º de Maio

O 1º de Maio tem origem nas lutas operárias do fim do século XIX, em meio à expansão do capitalismo industrial. Naquele período, trabalhadores enfrentavam jornadas superiores a 14 horas diárias, sem descanso e sem direitos básicos. A principal reivindicação era a redução da jornada para oito horas.

Em 1886, essa luta ganhou força em Chicago, nos Estados Unidos, quando milhares de trabalhadores entraram em greve no dia 1º de maio. Dias depois, um protesto na Praça Haymarket terminou em repressão policial, com mortos e feridos. Lideranças operárias foram presas e condenadas, tornando-se símbolo internacional da luta trabalhista.

Em 1889, organizações internacionais instituíram o 1º de Maio como Dia Internacional dos Trabalhadores. A data passou a ser adotada em diversos países como momento de mobilização por direitos e melhores condições de vida.

A luta no Brasil

No Brasil, a organização dos trabalhadores ganhou força no início do século XX. Em 1917, São Paulo registrou uma greve geral que mobilizou cerca de 50 mil operários contra a carestia e as condições precárias de trabalho. A repressão foi violenta, mas consolidou a presença da classe trabalhadora na cena política nacional.

Ao longo das décadas, a mobilização garantiu conquistas importantes. O 1º de Maio foi reconhecido oficialmente em 1924. Posteriormente, direitos como o salário mínimo e a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) passaram a estruturar a proteção social no país. Durante a ditadura militar, sindicatos foram perseguidos, mas mantiveram a resistência e a organização coletiva.

Greves do ABC e origem da CUT

A greve dos metalúrgicos de 1979, no ABC paulista, marcou a retomada do protagonismo da classe trabalhadora. Realizada durante a ditadura militar sob o comando do general João Batista Figueiredo, a paralisação reuniu cerca de 150 mil trabalhadores contra o arrocho salarial. A pauta incluía reajuste de 78,1%, piso salarial, estabilidade para gestantes e creches.

Liderado pelo então metalúrgico e hoje presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, o movimento teve nas assembleias do estádio da Vila Euclides, em São Bernardo do Campo, um marco da mobilização popular. Mesmo sob repressão e intervenção sindical, a greve fortaleceu o novo sindicalismo e abriu caminho para a criação da CUT, em 1983.

Leia mais: Luta histórica para tornar o 1º de maio Dia do Trabalhador atravessa gerações

CUT e o 1º de Maio

Desde sua fundação, a CUT consolidou o 1º de Maio como um dos principais momentos de mobilização nacional. Em 2026, a central reforça esse papel ao articular atos em diversas cidades, reunindo sindicatos, movimentos sociais e outras centrais em torno de uma agenda comum.

Neste ano, as mobilizações têm como eixo o enfrentamento às novas formas de precarização do trabalho. Entre as principais bandeiras estão a redução da jornada de trabalho com o fim da escala 6x1, considerada estratégica para melhorar a qualidade de vida; a regulamentação do trabalho por aplicativos, diante da ausência de direitos; o combate à pejotização e às fraudes trabalhistas; e o fortalecimento das negociações coletivas como instrumento de proteção da renda.

A pauta também inclui a garantia do direito à negociação coletiva para servidores públicos, a valorização do salário mínimo e o enfrentamento às desigualdades sociais. A CUT incorpora ainda o combate ao feminicídio como parte da agenda sindical, ampliando a defesa da vida das mulheres como tema central das mobilizações.

Desafios atuais do trabalho

As transformações recentes no mundo do trabalho ampliaram a insegurança e reduziram a proteção social. O avanço da informalidade, das contratações precárias e das plataformas digitais impõe novos desafios à organização sindical.

Diante desse cenário, a CUT defende políticas públicas que ampliem direitos e garantam proteção aos trabalhadores. A central aponta que a regulação dessas novas formas de trabalho e o fortalecimento da negociação coletiva são fundamentais para reduzir desigualdades e assegurar condições dignas.

Mobilização segue atual

Mais de um século após as primeiras greves, o 1º de Maio mantém seu significado como dia de luta. Em 2026, ao ocupar as ruas, a CUT reforça que a ampliação de direitos depende da mobilização coletiva e da participação ativa dos trabalhadores na disputa por melhores condições de vida e trabalho.

Assista o vídeo produzido pela CUT