CUT perde Daniel Gaio, sindicalista e militante, referência de luta e humanidade
Sociólogo, bancário da Caixa e ex-secretário nacional de Meio Ambiente da CUT, Daniel construiu uma trajetória marcada pela defesa da classe trabalhadora, da justiça social e ambiental
Publicado: 30 Abril, 2026 - 14h27 | Última modificação: 30 Abril, 2026 - 16h26
Escrito por: Redação CUT | texto: André Accarini
A CUT, em nome de seus e suas dirigentes, de seus trabalhadores e trabalhadoras, amigas e amigos, lamenta profundamente a morte do companheiro Daniel Gaio, ocorrida na manhã desta quinta-feira (30), após anos de luta contra o câncer. Sua partida representa uma perda imensa para o movimento sindical e para todos e todas que conviveram com sua trajetória, sua generosidade e seu compromisso com a transformação social.
Daniel havia completado 45 anos no dia 8 de abril. Muito jovem prestou concurso e ingressou na Caixa Econômica Federal como bancário. Logo se sindicalizou e passou a construir sua atuação no movimento sindical, inicialmente conciliando essa militância com sua trajetória no movimento estudantil da Universidade de Brasília (UnB).
No mesmo dia em que ingressou como diretor o Diretório Central dos Estudantes (DCE) pela chapa “Pra dar corda no relógio do mundo” em 2003, tomou posso como diretor do Sindicato dos Bancários de Brasília. Naquele período, esteve envolvido nos processos do Fórum Social Mundial e carregava consigo uma convicção que o acompanhou por toda a vida, somos da geração ‘um outro mundo é possível’”, costumava dizer, referindo-se ao horizonte de integração entre os povos e de construção de uma sociedade mais justa.
Sociólogo e mestre em Políticas Públicas da Educação pela Universidade de Brasília, Daniel integrou a direção da CUT, onde esteve secretário nacional de Meio Ambiente. Também foi dirigente da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT).
Na CUT, teve papel decisivo na construção e no fortalecimento da pauta ambiental no interior do movimento sindical. Defendia que não há justiça social sem justiça ambiental e atuou para inserir de forma consistente o debate sobre transição justa, com garantia de empregos de qualidade, direitos e dignidade para trabalhadores e trabalhadoras impactados por mudanças nos modelos econômicos, especialmente em setores como o de energia. Para ele, não bastava falar em transição energética sem assegurar condições concretas para a classe trabalhadora.
Daniel era reconhecido não apenas por sua atuação política, mas também por sua forma de estar no mundo. Tratava todas as pessoas com igualdade, sem distinções ou preconceitos, sempre com escuta atenta, respeito e profundo senso coletivo. Era alguém que cultivava vínculos, transitava entre diferentes espaços com generosidade e construía pontes.
Quem conviveu com ele guarda a memória de sua alegria, de sua empolgação e de sua disposição permanente para o encontro. Seu sorriso, seu abraço fraterno e seu jeito sereno de falar transmitiam leveza, mas também firmeza de princípios. Mesmo durante o período mais duro de sua doença, enfrentada com coragem e dignidade, Daniel manteve sua intensidade de viver. Buscava aproveitar cada momento, mantendo viva sua energia, sua curiosidade e sua vontade de estar presente.
Nos últimos tempos, contou com uma ampla rede de solidariedade, expressão do carinho e do respeito que conquistou ao longo de sua caminhada. Essa mesma rede agora compartilha o luto e a dor de sua ausência.
Daniel viveu com coragem, compromisso e esperança. Deixa como legado o exemplo de luta por um mundo melhor, de defesa intransigente da classe trabalhadora e de construção de uma sociedade mais justa, verdadeiramente democrática, sem ódio e com oportunidades para todos e todas.
O movimento sindical perde uma grande liderança. E perde também um amigo, um companheiro de caminhada, alguém que marcou profundamente a vida de muitos.
Sua memória seguirá presente nas lutas que ajudou a construir. Sentiremos sua falta.
DANIEL GAIO, PRESENTE!
O velório de Daniel Gaio será realizado amanhã, 01 de maio, das 14h às 16h, no Cemitério Campo da Esperança, Asa Sul de Brasilia.