CUT participa de protesto em SP contra trabalho escravo em lavouras de café
Mobilização reuniu trabalhadores rurais e entidades sindicais para denunciar violações de direitos em lavouras, cobrar fiscalização e responsabilização de empresas globais da cadeia do café
Publicado: 27 Janeiro, 2026 - 16h54 | Última modificação: 27 Janeiro, 2026 - 19h40
Escrito por: Redação CUT
A CUT participou, nesta segunda-feira (26), de um protesto realizado na Avenida Paulista, em São Paulo, contra o trabalho análogo à escravidão em lavouras de café. O ato ocorreu em frente a uma unidade da Starbucks e reuniu trabalhadores rurais organizados pela Articulação dos Empregados Rurais de Minas Gerais (ADERE/MG), além do apoio de centrais sindicais como a União Geral dos Trabalhadores (UGT) e sindicatos de diversas categorias.
A mobilização denunciou graves violações de direitos humanos e trabalhistas na cadeia produtiva do café no Brasil, especialmente no Sul de Minas Gerais, região estratégica para o fornecimento de grãos a grandes marcas globais. Entre as principais reivindicações estão o fortalecimento da fiscalização trabalhista, a responsabilização das empresas que controlam a cadeia produtiva e a adoção de medidas efetivas para combater o trabalho escravo contemporâneo.
De acordo com a ADERE/MG, trabalhadores da colheita seguem enfrentando informalidade, endividamento, ausência de equipamentos de proteção individual (EPIs), além de alojamentos precários e condições degradantes em fazendas que abastecem grandes empresas do setor. As entidades alertam que parte dessas irregularidades ocorre inclusive em propriedades que possuem selos de certificação e sustentabilidade, o que evidencia falhas nos sistemas de controle e auditoria das cadeias produtivas.
No protesto, a secretária de Políticas Sociais e Direitos Humanos da CUT, Jandyra Uehara, destacou que o combate ao trabalho escravo exige fiscalização permanente do Estado, atuação do Judiciário e responsabilização das empresas que lucram com cadeias produtivas marcadas pela exploração. Ela reafirmou que práticas criminosas não podem ser normalizadas sob o argumento da competitividade ou da certificação privada.
“Não basta falar em boas práticas que respeitem os trabalhadores e dizer que não se admite o trabalho escravo. Nós estamos vivendo num sistema de ultraexploração. Saiu agora um relatório da Oxfam Brasil apontando que o dinheiro concentrado nas mãos de 1% dos mais ricos deste país seria suficiente para acabar dezenas de vezes com o estado de miséria vivido por grande parte da classe trabalhadora no mundo. A Starbucks faz parte dessa rede capitalista de exploração que nós temos que denunciar, cobrar do Judiciário e cobrar do governo federal medidas efetivas de fiscalização”, afirmou.
TRABALHO ESCRAVO NÃO COMBINA COM CAFÉ
— CUT Brasil (@CUT_Brasil) January 27, 2026
A CUT participou de protesto na Avenida Paulista contra o trabalho análogo à escravidão nas lavouras de café, ao lado da ADERE/MG e da UGT.
O ato cobrou responsabilidade das grandes corporações globais pelas violações em suas cadeias… pic.twitter.com/dUcbzYhQOt
Jandyra reforçou que a denúncia do trabalho análogo ao de escravo está diretamente ligada ao enfrentamento do modelo econômico que concentra renda e precariza o trabalho.
O movimento em São Paulo ocorre simultaneamente a protestos realizados por trabalhadores da rede Starbucks nos Estados Unidos, que estão em greve desde novembro do ano passado. Organizados pela Starbucks Workers United, os baristas reivindicam melhores salários, jornadas mais previsíveis e melhores condições de trabalho.
O protesto também marcou os 22 anos da Chacina de Unaí, crime ocorrido em janeiro de 2004, quando três auditores-fiscais do trabalho e um motorista foram assassinados durante uma fiscalização rural em Minas Gerais. Para os manifestantes, o episódio segue como um símbolo da violência contra agentes públicos e trabalhadores que atuam no enfrentamento do trabalho escravo no país.
Além da CUT, participaram do ato sindicatos e federações paulistas, como o Sindicato dos Comerciários de São Paulo, o Sinthoresp e a Femaco. A presença de entidades de diferentes setores reforçou a denúncia de que a exploração laboral e o trabalho escravo não se limitam ao meio rural, atravessando diversas cadeias produtivas e atingindo trabalhadores em situações de vulnerabilidade.
Durante a mobilização, também foi defendida a aprovação do Projeto de Lei 572/22, que propõe a criação de um marco legal sobre direitos humanos e empresas no Brasil. O texto estabelece obrigações para que companhias previnam, monitorem e reparem violações de direitos em suas atividades e cadeias de fornecimento.

