CUT participa da etapa nacional da II Conferência do Trabalho
O evento, em São Paulo, reúne governo, trabalhadores e empregadores para definir propostas que devem orientar as políticas do Ministério do Trabalho e Emprego sobre emprego e renda
Publicado: 02 Março, 2026 - 16h59 | Última modificação: 02 Março, 2026 - 18h38
Escrito por: Luiz R Cabral
A Central Única dos Trabalhadores (CUT) participa, a partir desta terça-feira (3), da etapa nacional da II Conferência Nacional do Trabalho (II CNT), em São Paulo. O encontro, que segue até quinta-feira (5), reúne representantes do governo federal e dos governos estaduais, das demais centrais sindicais e das confederações patronais para definir diretrizes que devem orientar as políticas públicas de emprego e direitos trabalhistas nos próximos anos.
Estruturada no modelo tripartite, com número igual de delegados e direito à voz para governo, trabalhadores e empregadores, a II CNT consolida-se como o principal espaço institucional de diálogo social sobre o mundo do trabalho no país. Esse formato coloca interesses distintos em negociação direta, com o objetivo de construir consensos e formular propostas viáveis para a política nacional de trabalho e renda.
Representação da CUT e participação social
A CUT será representada por Valeir Ertle, secretário de Assuntos Jurídicos, e Sergio Antiqueira, secretário de Relações de Trabalho. Também participa da conferência Adriana Marcolino, diretora técnica do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).
Segundo Adriana, a conferência concretiza um princípio previsto na Constituição de 1988. “A Constituição garantiu que a cidadania não se limite ao voto. Criou mecanismos para que a sociedade acompanhe e incida sobre as ações do Executivo e do Legislativo. As conferências materializam esse processo ao levar propostas e análises da sociedade organizada para dentro do Estado”.
As propostas debatidas nos grupos temáticos e votadas na plenária final devem orientar as ações do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e influenciar políticas estaduais. A expectativa é que as deliberações resultem em medidas com impacto direto na geração de empregos de qualidade, na ampliação da proteção social e no fortalecimento da negociação coletiva.
“Em meio às transições tecnológicas, ambientais e demográficas, a participação social é decisiva para atualizar as políticas de trabalho e renda e assegurar proteção aos trabalhadores”, afirmou Adriana.
Processo construído nos estados
A etapa nacional é resultado de um processo iniciado nas conferências estaduais e distrital realizadas no segundo semestre de 2025. Esses encontros descentralizaram o debate e incorporaram as realidades regionais, com foco na criação de postos de trabalho, na qualificação profissional, na valorização da negociação coletiva e no enfrentamento das desigualdades no mercado de trabalho.
O processo foi orientado por documento-base elaborado pelo Ministério do Trabalho e Emprego, que apresentou um diagnóstico da situação do emprego no Brasil e definiu os eixos temáticos que estruturam os debates.
Programação
A programação começa no dia 3 de março, com credenciamento e sessão de abertura. Um dos destaques será o painel sobre o mercado de trabalho brasileiro e sua relação com os eixos da conferência. A Organização Internacional do Trabalho (OIT) apresentará o diagnóstico da situação do trabalho decente no país.
No dia 4, as três bancadas se reúnem separadamente para organizar posições. Em seguida, participam dos oito grupos temáticos (GTs), nos quais as propostas são debatidas e negociadas. A plenária final será no dia 5, quando serão votadas as deliberações consolidadas.
Veja a programação completa: clique aqui.
Eixos e subtemas da Conferência
A conferência está organizada em dois eixos centrais:
- Transformações do mundo do trabalho diante das transições tecnológica, digital, ecológica/ambiental e demográfica;
• Políticas públicas para a promoção do emprego e do trabalho decente e da transição justa.
Esses eixos se desdobram nos seguintes subtemas:
- Relações de trabalho, negociação coletiva e segurança jurídica;
• Mercado e futuro do trabalho: intermediação, qualificação profissional e competências;
• Políticas públicas de emprego, trabalho e renda e os fundos que as financiam: articulação, coordenação, informação e monitoramento;
• Proteção e inclusão produtiva: emprego, desemprego, empregabilidade, novas formas de trabalho e inovações tecnológicas.
As deliberações aprovadas na II CNT devem balizar a formulação e o aperfeiçoamento das políticas públicas de trabalho no país nos próximos anos, em um cenário de disputa sobre os rumos do desenvolvimento e o papel do Estado na proteção social.
Você pode acompanhar a II Conferência Nacional do Trabalho no YouTube do MTE. Clique aqui.
Local
A II Conferência Nacional do Trabalho será realizada no Teatro Celso Furtado, na Avenida Olavo Fontoura, 1209 – Santana – São Paulo (SP), de 3 a 5 de março de 2026.