CUT encerra ciclo de debates reforçando formação política para defender a democracia
Ação sindical e defesa da democracia: desafios para 2026 foi tema do oitavo e último encontro do Ciclo de Diálogos Formativos da CUT “Fascismo, extrema direita e a luta sindical CUTista
Publicado: 31 Julho, 2026 - 15h35 | Última modificação: 31 Julho, 2026 - 16h01
Escrito por: Luiz R Cabral
O 8º encontro do Ciclo de Diálogos Formativos, realizado na última quinta-feira (30), encerrou a série de debates promovidos pela CUT “Democracia sob Ataque: Fascismo, Extrema Direita e a Luta Sindical Cutista”. Organizado pela secretaria nacional de Formação e Escolas Sindicais, este último encontro, considerado uma síntese do ciclo, teve como tema central “Ação sindical e defesa da democracia: desafios para 2026”, e reuniu, em formato virtual, dirigentes sindicais, trabalhadores e especialistas de diferentes regiões do país.
O encontro teve a participação de Pedro Otoni como palestrante - mestre em Ciência Política e especialista em Economia Política e Estratégia e Liderança Política. Ele também é diretor da Inteligência Sindical, consultoria voltada a organizações sindicais, e da Caixa de Ferramentas, plataforma de formação política destinada a militantes.
A vice-presidenta nacional da CUT, Juvandia Moreira mediou o encontro e ressaltou que os desafios enfrentados neste ano serão decisivos para o futuro político do país. A dirigente reafirmou que a mobilização do movimento sindical será determinante para enfrentar o crescimento da extrema direita e consolidar um projeto democrático comprometido com os direitos sociais e que a disputa em defesa dos direitos da classe trabalhadora exige organização permanente, formação política, atuação nos territórios e fortalecimento da consciência de classe.
A secretária nacional de Formação da CUT, Rosane Bertotti, destacou a importância da formação política estar articulada à ação sindical e à mobilização da classe trabalhadora. "A formação não pode ser apenas transmissão de informação. Ela está sempre vinculada a uma ação e a uma estratégia. Neste momento, precisamos fortalecer a organização da classe trabalhadora para defender a democracia e enfrentar o fascismo”, afirmou.
O seminário
A defesa da democracia norteou o texto da mística de abertura do encontro, lido pela educadora e coordenadora da Secretaria Nacional de Formação da CUT, Conceição Oliveira (Maria Frô). O documento destacou que o fortalecimento democrático depende da organização permanente da classe trabalhadora e da mobilização em torno dos direitos sociais. Também alertou que o avanço da extrema direita e do fascismo está diretamente relacionado ao enfraquecimento da consciência de classe, à precarização das relações de trabalho e à transformação de direitos historicamente conquistados em mercadoria.
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A leitura ainda enfatizou que o racismo, o machismo, a LGBTfobia, a criminalização da pobreza e a militarização dos territórios fazem parte de um mesmo projeto de exclusão social, incompatível com a justiça social, a proteção ambiental e a ampliação da democracia.
Conjuntura internacional e disputa política
Convidado principal do seminário, o cientista político e especialista em Economia Política Pedro Otoni defendeu que compreender a conjuntura exige uma análise que vá além dos acontecimentos imediatos e das projeções eleitorais. Para ele, as transformações em curso na economia mundial e na geopolítica influenciam diretamente a democracia brasileira, a soberania nacional e a atuação do movimento sindical.
Segundo o pesquisador, “a reorganização da política externa dos Estados Unidos tende a ampliar a pressão sobre a América Latina, reduzindo o espaço para projetos de integração regional e intensificando disputas comerciais, diplomáticas e políticas”. Como exemplos, citou os ataques ao sistema de pagamentos Pix, o aumento das tarifas comerciais impostas ao Brasil e iniciativas de interferência política no país.
Soberania Nacional e democracia
Na avaliação de Pedro Otoni, a defesa da soberania nacional tornou-se um dos principais eixos da disputa política brasileira por dialogar diretamente com os interesses da população e possibilitar a construção de convergências entre diferentes setores da sociedade.
O pesquisador também avaliou que o campo democrático enfrenta hoje uma correlação de forças mais desfavorável do que há cinco anos. Durante sua exposição, citou levantamento publicado pela Folha de S.Paulo, segundo o qual 44% da população brasileira se identifica com a direita e 39% com a esquerda, além de pesquisa da Ágora/ICL que aponta predominância de segmentos conservadores, mas também identifica parcelas da sociedade abertas ao diálogo e à disputa política.
Para Pedro Otoni, “esse cenário exige que o movimento sindical combine formação política, organização territorial e defesa de pautas que dialoguem com o cotidiano da população”.
Entre essas agendas, destacou a campanha pelo fim da escala 6x1, defendida pela CUT e outras centrais sindicais, e a proposta do governo federal de isenção do Imposto de Renda para trabalhadores com renda de até R$ 5 mil. Segundo ele, ambas respondem a demandas concretas da classe trabalhadora e fortalecem a defesa da democracia ao aproximar o debate político das condições reais de vida da população.
O cientista político também defendeu o fortalecimento da articulação entre o movimento sindical, os movimentos populares, organizações da sociedade civil e campanhas parlamentares comprometidas com a ampliação dos direitos sociais como estratégia para enfrentar o avanço da extrema direita.
Formação para fortalecer a democracia
Ao longo do encontro, participantes destacaram que a formação política amplia a capacidade de organização das bases sindicais, fortalece o enfrentamento à desinformação, ao autoritarismo e à violência política e contribui para combater discursos que atacam direitos trabalhistas, sociais e democráticos.
No encerramento do ciclo, Juvandia Moreira ressaltou que os oito encontros promoveram uma reflexão coletiva sobre os impactos do avanço da extrema direita e reafirmaram o papel do movimento sindical na defesa da democracia. Segundo a dirigente, a etapa concluída representa “o fortalecimento de uma estratégia permanente de formação política da CUT, voltada à organização da classe trabalhadora e à ampliação da participação popular na construção de um projeto democrático para o Brasil”.