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CUT e professores do CE temem genocídio na volta às aulas antes da hora

Presidente da CUT-CE, Wil Pereira, diz que Central está fazendo seu papel de preservar vidas lutando contra a volta as aulas presenciais enquanto número de casos e mortes por Covid-19 não estiverem controlado

Publicado: 04 Agosto, 2020 - 10h45 | Última modificação: 04 Agosto, 2020 - 11h02

Escrito por: Tarcísio Aquino/CUT-CE

EBC
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Ainda com a pandemia do novo coronavírus (Covid-19) sem controle no interior do estado, o governador do Ceará, Camilo Santana (PT), já avalia reabrir as escolas, que estão fechadas desde o dia 20 de março, quando começou a vigorar o decreto estadual de isolamento social para conter a disseminação do vírus.

Camilo falou que deve reabrir as escolas em setembro, apesar do parecer contrário do Conselho Estadual de Educação (CEE). O CEE orientou as instituições a darem continuidade às atividades letivas por meio remoto, até 31 de dezembro de 2020, mesmo após autorização para a retomada das atividades presenciais nesse período por decreto estadual.

Em postagem no seu perfil o governador disse: “Informo que, após reuniões de avaliação de estudos e cenários p/Comitê formado por Saúde, TJ, MPE e MPF, ficou decidido que as escolas e universidades, públicas e privadas, não deverão retornar as aulas em agosto, com previsão de retorno no início de setembro”.

Com o Brasil se aproximando da triste marca de 100 mil vidas perdidas para a Covid-19 e com a doença ainda acelerada em várias regiões do País, inclusive no Ceará, o retorno às aulas é sinônimo de mais mortes, reagiu o presidente da CUT-CE, Wil Pereira.

O retorno das aulas presenciais pode causar um genocídio, pois expõe ainda mais pessoas ao risco de contaminação e morte pela Covid-19
- Wil Pereira

“Precisamos continuar preservando a vida dos trabalhadores e das nossas famílias”, reforçou o dirigente que lembrou a decisão do Comitê contrária à volta em setembro caso se mantenham todos os indicadores epidemiológicos.

Tarcísio de Aquino/CUT-CETarcísio de Aquino/CUT-CEO CEE orientou ainda que o retorno também seja opcional e que pais e alunos tenham garantida a continuidade do atendimento remoto  conta das unidades escolares ou universitárias.

“A situação de saúde pública no estado continua frágil e irregular, considerando as diversas regiões. Portanto, orientamos manter o ensino remoto até o final do ano. Isso porque há um reconhecimento geral de que os estudantes têm ainda um momento de fragilidade nas escolas, especialmente se eles vivem com pais idosos, avós, parentes com doenças crônicas e que podem levar o coronavírus para dentro de casa. Então, neste sentido, a orientação do Conselho é pela flexibilização, inclusão, equidade e, para que se evite, ao máximo, a evasão escolar”, reforçou o professor Custódio Almeida, presidente da Câmara de Educação Superior e Profissional (CESP), do Conselho Estadual de Educação (CEE) e um dos relatores do Parecer Nº 205/2020, que orienta sobre a continuidade do ano letivo.

De acordo com Wil Pereira, a CUT Ceará tem acompanhado este debate junto ao Comitê Estadual de Enfrentamento à Pandemia do Coronavírus e defendido no colegiado todas as medidas necessárias que priorizam a preservação das vidas de trabalhadores e trabalhadoras.

Na opinião do dirigente, “enquanto todas as escolas não estiverem totalmente adaptadas para a nova realidade e enquanto não tiver vacina, defenderemos que elas continuem fechadas para salvar vidas”.

Wil também lembra que a Central Única está orientando suas entidades filiadas a reforçar as campanhas lançadas pela Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) e pela Confederação dos Trabalhadores no Serviço Público Municipal (Confetam) que defendem a o retorno às aulas apenas quando for seguro para professores, pais, alunos e comunidade escolar.

Fiocruz confirma risco de volta as aulas

Preocupados com esse cenário de epidemia no Brasil, pesquisadores do Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde da Fiocruz divulgaram estudo alertando que a volta às aulas presenciais pode representar um perigo para cerca de 9,3 milhões de brasileiros (4,4% da população total) idosos ou adultos com doenças crônicas que estão enquadradas no grupo de risco da Covid-19. O risco foi estimado pelo fato desse grupo morar no mesmo lar que o público em idade escolar.

De acordo com a pesquisa, mesmo que as instituições de ensino cumpram à risca todas as recomendações de segurança, o transporte público e a falta de controle sobre o comportamento de adolescentes e crianças os colocam em potenciais situações de contaminação pelo coronavírus. Uma vez doentes, eles podem levar o vírus para casa ou para o espaço educacional e transmitir a doença.

"Se apenas 10% dessa população vier a precisar de cuidados intensivos, isso representará cerca de 900 mil pessoas na fila das UTIs (Unidades de Terapia Intensiva). Além disso, se aplicarmos a taxa de letalidade brasileira nesse cenário estaremos falando de algo como 35 mil novos óbitos, somente entre esses grupos de risco", reforça o epidemiologista Diego Xavier, que participou do estudo.

Para a professora e secretária de finanças do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação do Ceará, Gardênia Baima, a pesquisa da Fiocruz demonstra a gravidade de se discutir o retorno das aulas presenciais em momento que as escolas, principalmente as púbicas, ainda estão se adequando as novas regras sanitárias. A dirigente sindical afirma que só em Fortaleza, mais de três mil profissionais em educação declararam à Prefeitura, por meio de laudo médico, que possuem comorbidades e estão no grupo de risco da Covid-19.

“Temos uma posição nacional unificada pelo não retorno às aulas. O medo dos profissionais é muito grande de voltar sem o mínimo de segurança sanitária nas escolas. As crianças em sua maioria são assintomáticas, mas elas transmitem para as professoras, assistentes de educação infantil e para os pais, tios e avós que tenham doenças crônicas e outras condições de vulnerabilidade à doença, representando uma brecha perigosa no isolamento social que essas pessoas mantinham até agora”, reforça Gardênia ao informar que o Sindiute espera debater com a Prefeitura sobre a reabertura das escolas no começo de setembro, quando os trabalhadores em educação do município retornam das férias que iniciam nesta segunda-feira (3/8).

Em Caucaia, Região Metropolitana de Fortaleza (RMF), a situação não é diferente, segundo Maria Santos, presidente do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Caucaia (Sindsep), professores ameaçam convocar uma greve caso a Prefeitura insista em decretar o retorno das aulas presencias sem adequar as cerca de 200 escolas no município.

“Muitos pais de alunos estão nos procurando para dizer que estão com medo e que não vão enviar suas crianças para as escolas enquanto não tiver vacina. Os trabalhadores também estão com a ideia de retornar sem uma estrutura mínina e sem equipamentos de proteção individual. Se o prefeito insistir em reabrir sem diálogo, não teremos outra alternativa se não chamar a categoria e iniciar uma greve”, afirmou Maria Santos.

Com informações da Fiocruz.

Edição: Marize Muniz