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CUT e centrais sindicais internacionais debatem fascismo, democracia e trabalho

Na 1ª Conferência Internacional Antifascista, o secretário-geral da CUT afirmou que “fascismo e capitalismo atuam de forma articulada para enfraquecer a unidade da classe trabalhadora”

Publicado: 27 Março, 2026 - 16h59 | Última modificação: 27 Março, 2026 - 17h44

Escrito por: Luiz R Cabral

Matheus Piccini / CUT-RS
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Em um cenário marcado pelo avanço da extrema direita e pela intensificação de ataques a direitos históricos, cresce a necessidade de organização e resistência da classe trabalhadora. A articulação entre movimentos sociais, sindicatos e forças progressistas surge como elemento central para enfrentar práticas autoritárias e defender a democracia.

É nesse contexto que a Central Única dos Trabalhadores do Rio Grande do Sul (CUT-RS) promoveu, na manhã desta sexta-feira (27), uma mesa de debate da 1ª Conferência Internacional Antifascista pela Soberania dos Povos, em Porto Alegre. O evento, iniciado no dia 26 e com programação até o dia 29, reúne representantes da CUT, de outras centrais sindicais, sindicatos, especialistas e militantes de diversas partes do mundo em torno de um objetivo comum: debater formas de enfrentar o avanço da extrema direita e fortalecer a organização da classe trabalhadora.

Trabalho e direitos sociais na mira dos fascistas

Em sua fala, o secretário-geral da CUT, Renato Zulato, destacou que o cenário atual exige atenção e organização. “Fascismo e capitalismo atuam de forma articulada para enfraquecer a unidade da classe trabalhadora e desestruturar suas organizações”, afirmou. “O objetivo [do fascismo e do capitalismo] é combater a organização dos trabalhadores no campo e na cidade”, completou.

Ele também alertou para ataques a direitos sociais. “Estão na mira temas como a reforma agrária, a agricultura familiar, a economia solidária e a redução da jornada de trabalho”, disse. Zulato chamou atenção, ainda, para o avanço da pejotização. “Se for liberada de forma irrestrita, pode significar o fim do trabalho formal no Brasil”, afirmou.

Fortalecer a organização de base

Realizado no Sindicato dos Bancários de Porto Alegre, o debate colocou no centro da discussão a necessidade de sindicatos mais presentes no cotidiano dos trabalhadores. A avaliação é de que fortalecer a organização de base é essencial para resistir à retirada de direitos e ampliar a capacidade de mobilização.

Democracia e direitos sociais

 A defesa da democracia também atravessou as falas. Os participantes destacaram que o avanço de forças autoritárias coloca em risco direitos sociais, políticas públicas e conquistas históricas da classe trabalhadora. Diante disso, defender a democracia passou a ser visto como parte direta da luta por trabalho digno.

“O fascismo é um inimigo declarado da classe trabalhadora. Por isso, estamos hoje nesta conferência antifascista, que reúne diferentes forças comprometidas com a defesa da democracia e dos direitos sociais. É fundamental compreender que as lutas não são apenas nacionais, mas também internacionalistas. O enfrentamento ao fascismo exige articulação entre os países e solidariedade entre os povos”, declarou Roberto Baradel, representante da Central dos Trabalhadores Argentinos (CTA).

1º de Maio como instrumento de mobilização

Outro ponto levantado foi a importância de resgatar o caráter político do 1º de Maio. Para as entidades, a data precisa voltar a ser um momento de mobilização, reflexão e organização — e não apenas de grandes eventos.

Articulação internacional ganha destaque

O debate reuniu representantes sindicais de diferentes países, como Argentina, Uruguai, México e País Basco, além de dirigentes brasileiros. A troca de experiências reforçou a percepção de que os desafios enfrentados pelos trabalhadores têm dimensões globais e exigem respostas articuladas.

Entre as falas, prevaleceu a defesa de emprego digno, salários justos, proteção social e valorização das políticas públicas. Também houve consenso sobre a necessidade de sindicatos mais estruturados e enraizados nos locais de trabalho.

“É o momento de união. Agora é hora de as forças de esquerda se unirem para enfrentar o avanço da extrema-direita, representada por figuras como Milei e Trump”, afirmou Aitor Mugia, representante do sindicato basco ELA (European Labour Authority).

Segundo ele, os sindicatos devem ter papel central nesse processo, atuando de forma articulada com os movimentos sociais.

“Essa unidade precisa ser construída pelos sindicatos, em colaboração direta com os movimentos sociais”, disse.

Mobilização e unidade como caminho

Ao falar sobre mobilização, Zulato destacou a marcha prevista para 15 de abril, em Brasília, quando centrais sindicais devem apresentar ao governo a pauta da classe trabalhadora, incluindo o fim da escala 6x1.

No encerramento, a defesa da unidade foi apontada como caminho central. Para o secretário, a articulação entre sindicatos no Brasil e no exterior é decisiva para enfrentar o avanço da extrema-direita e fortalecer a democracia.

“A unidade de ação é o caminho para derrotar a extrema-direita”, afirmou.

Com colaboração de Matheus Piccini / CUT-RS.