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CUT, CSA, CSI e outras entidades protestam em frente à Embaixada Chilena, em Madri

Sindicalistas de todo o mundo, que estão na Espanha para participar da Cúpula do Clima (COP 25), fizeram ato de solidariedade ao povo chileno que luta contra as políticas neoliberais de Piñera

Publicado: 05 Dezembro, 2019 - 12h47

Escrito por: Redação CUT

Reprodução
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Dezenas de trabalhadores de todo o mundo se reuniram em frente à embaixada do Chile em Madri, na Espanha, nesta quinta-feira (5), em solidariedade ao povo chileno, vítima da barbárie do governo de Sebastian Piñera.

Participaram do ato representantes da CUT Brasil, da Central Sindical Americana (CSA), Central Sindical Internacional (CSI), Via Campesina, Fórum Popular da Natureza e da Frente Ampla Democrática Socioambiental (Fads), entre outras entidades, que estão em Madri participando da Cúpula do Clima (COP 25), evento da Organização das Nações Unidas (ONU).

A COP 25, que teve início na segunda-feira (2) e termina na sexta-feira (13), seria realizada no Chile, mas foi transferida para Espanha por causa da repressão das forças de segurança chilenas às manifestações de protesto dos trabalhadores, trabalhadoras e da sociedade em geral contra a política neoliberal de Piñera.  

Durante o ato de solidariedade, o Secretário-Geral da CUT-Chile, Nolberto Dias, afirmou que o povo chileno está resistindo nas ruas há 45 dias contra a miséria, a falta de assistência médica, contra a fome.

“Depois de 30 anos do retorno da democracia, as pessoas vivem com pensões miseráveis e morrem porque não há saúde nem alimentos”, disse o dirigente em referência a capitalização da Previdência que derrubou o valor das pensões para menos de um salário mínimo local e a falta de política pública de Saúde.

“Temos um governo que destrói mares, florestas, todo tipo de vida”, acrescentou com indignação Dias que denunciou, ainda, os 27 jovens mortos durante as violentas ações policiais de repressão das manifestações.

“O Chile viola diariamente os Direitos Humanos. Por isso, precisamos de apoio internacional. Hoje é o Chile amanhã serão os outros se não acabarmos de vez com o neoliberalismo”, concluiu o Secretário-Geral da CUT-Chile.

O Secretário de Meio Ambiente da CUT-Brasil, Daniel Gaio, que tem tido intensa agenda de atividades na Conferência, falou sobre a importância de os movimentos sociais estarem unidos contra ações como as que acontecem no Chile.

“Temos que denunciar a permanência do Chile na presidência da COP. Como um governo que reprime manifestações democráticas de seu povo pode estar em um papel de liderança tão estratégico como é a CO-25?”, questionou.

“Seguiremos ao lado do povo chileno e no ataque contra o neoliberalismo na America Latina”, concluiu Daniel.

ReproduçãoReproduçãoMeio ambiente

De acordo com a integrante da Fads Agnes Franco, que participa da COP 25, para a comunidade internacional está cada vez mais evidente uma relação entre a ameaça à democracia e a degradação de biomas e recursos naturais. Em entrevista aos jornalistas Marilu Cabañas e Cosmo Silva, da Rádio Brasil Atual, ela disse que “para a comunidade africana e latino-americana é muito clara a conexão do avanço da ultradireita e de estratégias pouco democráticas”.

Não à toa, afirmou Agnes, o Brasil foi “homenageado” com o Fóssil do Dia, prêmio irônico concedido por uma coalizão de mais de 1.200 ONGs de diversos países. “Nos deram esse troféu, na verdade mais direcionado ao ministro (do Meio Ambiente) Ricardo Salles, por conta de todas as negações de mudanças climáticas e dos incêndios que vêm ocorrendo no Brasil”, ressalta.

Segundo Agnes, diante da comunidade internacional “o governo brasileiro está bastante fragilizado”, tanto pelo aumento do número de queimadas na Amazônia como pelo avanço do desmatamento e o afrouxamento da fiscalização, entre outros ataques aos povos indígenas e a mais recente tentativa de Bolsonaro de culpar as ONGs pela degradação da preservação de biomas no país.