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CUT apoia Chapa 2 no Andes Sindicato para ampliar luta dos docentes universitários

“Renova Andes” quer unificar a luta com movimentos sindical e social por direitos e pelo ensino público e estar mais perto dos docentes do ensino superior para atender as reivindicações da categoria

Publicado: 16 Outubro, 2020 - 08h30 | Última modificação: 16 Outubro, 2020 - 09h38

Escrito por: Érica Aragão

Divulgação
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Entre os dias 3 e 6 de novembro, o Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (ANDES-SN) elegerá a nova diretoria da entidade e o desafio será escolher entre duas chapas com práticas e políticas de atuação totalmente diferentes. Devido à pandemia do novo coronavírus, a eleição acontecerá num formato telepresencial. [saiba mais abaixo]

As trabalhadoras e os trabalhadores no ensino superior terão que escolher entre um sindicato isolado que fala para dentro da entidade, como é a atuação da direção atual há muitos anos, representada pela Chapa 1, ou um sindicato que construa a luta por direitos da categoria de forma unificada e mais forte, com movimentos social e sindical, e que se aproxime das trabalhadoras e dos trabalhadores para que de fato consiga atender as reivindicações dos docentes do ensino superior, como propõe a Chapa 2 “Renova Andes”, pontua o professor e Secretário de Administração e Finanças da CUT, Ariovaldo de Camargo.

De acordo com o dirigente, a CUT apoia a Chapa 2 porque o ANDES-SN é uma instituição sindical importante para o conjunto dos trabalhadores e das trabalhadoras e que há bastante tempo se perdeu como instrumento de luta em defesa da classe trabalhadora da educação superior.

“É preciso que a comunidade acadêmica se empenhe nessas eleições para mudar o rumo da luta e construir uma unidade na defesa dos direitos”, afirma o secretário.

“A chapa 2 Renova Andes é uma esperança para que possamos de fato ter um sindicato nacional atuante em defesa das universidades públicas, do ensino superior e, principalmente, dos direitos dos trabalhadores e trabalhadoras em educação que sofrem tantos ataques do governo federal’, completa Ariovaldo, que conclui: “Nós da CUT estamos empenhados nisso e nossa opção é por renovar, na perspectiva da construção de um novo Andes, voltado para os trabalhadores e as trabalhadoras em Educação e seus direitos”.

Ainda no começo do mês, a CUT enviou um e-mail para as estaduais para reforçar a solicitação da Central, enviada no dia 5 de março, pedindo o engajamento da base CUTista nas eleições do ANDES-Sindicato Nacional.

“Teremos uma dura batalha pela frente para que a regulamentação do ensino remoto se dê garantindo direitos, considerando que as universidades estão funcionando em home office durante a pandemia sem condições e estrutura. Porém, a direção do Andes se nega a organizar essa luta, deixando os docentes à própria sorte. Por fim, temos também que enfrentar as intervenções do governo nas universidades federais e os cortes de gastos na educação”, diz trecho do texto do e-mail enviado pela Secretária-Geral da CUT.

Sobre a Chapa Renova Andes

“Vamos trazer o Andes de volta para as professoras e os professores” é o slogan da Chapa 2 “Renova Andes”, que tem página na web e nas redes sociais. Uma chapa de oposição à atual diretoria do ANDES-SN para oferecer, segundo os candidatos do Renova Andes, uma alternativa voltada para recuperar a conexão entre o sindicato e o conjunto de seus filiados e filiadas.

A professora da Universidade Federal da Bahia (UFBA), diretora executiva da CUT e candidata a 1ª Secretária da Regional Nordeste 3, Marize Carvalho, disse que, há longo tempo, este sindicato se encontra numa posição de profundo isolamento em relação ao conjunto do movimento sindical, popular e democrático, bem como em relação a sua própria base e vem sendo dirigido pela CSP-Conlutas.

A professora listou os fatores que, segundo ela, ameaçam a existência do sindicato e impedem seu protagonismo na luta unitária: a política sectária e isolacionista da atual direção há quase 20 anos; a abstenção diante do processo golpista de 2016; a demora em defender a liberdade de Lula; e o desprezo pelas demandas propriamente sindicais da categoria.  

“Precisamos de um Sindicato Nacional mais próximo da categoria e, ao mesmo tempo, que seja uma liderança aberta para ampliar a luta junto com as associações científicas, os movimentos sociais, estudantil, os técnico-administrativos e os demais trabalhadores da Educação e suas organizações e não um sindicato para chamar de meu”, destacou Marize.

A candidata a presidente do ANDES-SN e docente da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Celi Nelza Zülke, disse que a chapa foi construída depois de ouvir os anseios da categoria, que tem em sua base quase 400 mil docentes e um pouco mais de 79 mil filiados e filiadas.

Segundo ela, a Chapa 2 encontrou uma grande quantidade de professores e professoras que reivindicam que a direção do Andes e sua linha política se aproximem mais da categoria, defendam suas reinvindicações concretas, como salários, carreiras e que defendam os trabalhadores e as trabalhadoras da educação do ensino superior dos ataques do governo de Jair Bolsonaro (ex-PSL), da extrema direita e que lutem contra esta investida brutal para destruir os serviços públicos com a reforma Administrativa.

“Existe na base do Andes uma reivindicação de que o sindicato esteja na frente das lutas da batalha junto com a CNTE e mais 100 entidades cientificas para fomentar a ciência e tecnologia, com a CUT e demais centrais, com as frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, com o Fórum Nacional Popular da Educação e os mais diversos movimentos sociais que estão na linha de frente do combate, para que juntos possamos barrar esta política destrutiva do ponto de vista econômico, social, cultural e ambiental”, afirmou.

O candidato da Chapa Renova Andes à 1º Vice-Presidente e professor da Universidade Estadual do Ceará, José Eudes Baima Bezerra, disse que a direção atual, ligada a CSP-Conlutas, já está há muitos anos à frente da entidade e o mote de renovar é justamente de mudar a linha, de um pensamento isolacionista e restrita para uma política que atenda as reivindicações reais da categoria.

Segundo ele, a atual diretoria se nega a enfrentar os problemas cotidianos da categoria porque ignora a realidade, se isola dos problemas concretos e acaba negando direitos dos trabalhadores e trabalhadoras da Educação superior. É o caso do ensino remoto nas universidades públicas.

“Nenhum de nós defende o ensino remoto como solução para o problema da educação universitária do país, mas a imensa maioria da categoria está vivendo esta situação agora devido a pandemia e precisa ter seus direitos defendidos. E esta direção por se contra este modelo não defende a categoria e isso é um desprezo pelos problemas reais da comunidade universitária”, afirmou Eudes.

O professor disse também que a categoria reconhece o Andes como sindicato, mas é indiferente com a organização da entidade e que esta nova direção, se eleita, irá construir novos rumos sindicais para a entidade.

“Essa direção tem adotado uma posição restrita a proclamação de grandes princípios e tem deixado de lado as lutas sindicais especificas de interesse dos direitos e interesses materiais e culturais dos seus sindicalizados. A nossa posição agora é que nosso sindicato precisa sair do Conlutas, para não estar mais nesta condição do isolamento, e democraticamente abrir um amplo debate na categoria sobre as relações sindicais do Andes. A filiação à CUT estará em discussão”, explicou.

Sobre a eleição

Devido a pandemia do novo coronavírus, a eleição que vai decidir os rumos do Andes Sindicato Nacional acontecerá num formato telepresencial.

Os sindicalizados entrarão em uma sala virtual, com documento de RG e comprovante de filiação à sua seção sindical, para receber um link que conduzirá à cédula de votação. Além disso, para poder votar será preciso informar dados como CPF, data de nascimento e e-mail, e ainda foi estipulado um prazo de 10 minutos para escolher a direção da entidade.

A Chapa 2 Renova Andes critica o formato e diz que os sindicalizados e as sindicalizadas estão preocupados com a complexidade do formato e também em fornecer os dados pessoais para uma empresa privada, que está cuidando da parte técnica do processo eleitoral.

Em nota titulada “Eleição telepresencial: participação ou restrição?”, a Chapa 2 afirma que esse modelo implica que inúmeros dados pessoais seriam colocados ao dispor da empresa contratada para realizar as eleições. “Um contrassenso para quem critica o ensino remoto também pela exposição de nossos dados a empresas privadas”, diz trecho do documento, que ainda destaca:

“Considerando fatores como tempo, qualidade das conexões de internet no Brasil, necessidade de um equipamento com câmera e um aplicativo de teleconferência, este formato se configura num obstáculo ao voto e, por isso, não deveria interessar a ninguém”.

A nota ainda traz uma proposta alternativa à forma de eleição que está endo colocada em prática, mais simplificada e que facilitaria o voto com base nas listas de filiados e filiadas, onde cada docente pudesse votar pelo seu celular ou computador, usando uma senha de único uso a partir de um protocolo de identificação seguro. Essa proposta, no entanto, foi recusada pela maioria do último conselho de Associações de Docentes, controlado pela diretoria.

“Nos dirigimos a todas as professoras e professores para que, diante de tantas restrições, não deixem de votar. Nosso sindicato necessita de uma nova orientação calcada na realidade concreta na qual docentes das IES trabalham”, diz trecho final do documento.