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CPI retoma sessões com líder de Bolsonaro na mira

Comissão espera que não ocorram novos “imprevistos” nos depoimentos do empresário Marcos Tolentino, amigo de Ricardo Barros, e Marconny Albernaz de Faria

Publicado: 13 Setembro, 2021 - 09h57 | Última modificação: 13 Setembro, 2021 - 09h59

Escrito por: Redação RBA

Roque de Sá/Agência Senado
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Se não houver “imprevistos”, a retomada da agenda da CPI da Covid prevê para esta semana o aguardado depoimento, na terça-feira (14), do advogado e empresário Marcos Tolentino. Segundo a CPI, ele é sócio oculto do FIB Bank, empresa que aparece como avalista do contrato da Precisa Medicamentos com o Ministério da Saúde na negociação da vacina indiana Covaxin. Amigo do líder do governo na Câmara, o deputado federal Ricardo Barros (PP-PR), Tolentino era esperado no início do mês mas, alegando “mal-estar”, internou-se na véspera e enviou um atestado médico à comissão para justificar sua falta. Na quarta (15), a comissão realiza a oitiva de Marconny Albernaz de Faria, suposto lobista da Precisa. Como Tolentino, o depoimento de Faria, na mesma semana, também não compareceu.

“Coincidentemente”, também enviou um atestado médico – com validade de 20 dias – no qual alega “dor pélvica”. Os atestados, ambos emitidos pelo Hospital Sírio-Libanês, foram para a CPI no mesmo dia. Indignado, o presidente da comissão, Omar Aziz (PSD-AM), telefonou para a diretoria da instituição e afirmou que o Sírio-Libanês não podia “acobertar criminosos e emitir atestados falsos”. Em seguida, o atestado de Marconny foi cancelado pelo próprio médico que o concedeu.

TCU e VTCLog

Na sexta-feira (10), o Tribunal de Contas da União (TCU) suspendeu um aditivo do contrato da VTCLog e o Ministério da Saúde para transporte de insumos relacionados à pandemia. A empresa presta serviços de logística de vacinas e medicamentos para o governo federal e é investigada na CPI. A decisão do ministro Benjamin Zymler foi em resposta a um pedido dos senadores do Cidadania Eliziane Gama (MA) e Alessandro Vieira (SE). Segundo os parlamentares, a VTCLog fez mudanças no contrato que poderiam resultar em fraude.

Em agosto, a CPI apontou possíveis – e estreitos – vínculos entre a VTCLog e Ricardo Barros. As negociações com a empresa para prestação de serviços ao ministério foram iniciadas na gestão do atual líder do governo Bolsonaro quando foi ministro da Saúde do governo de Michel Temer.

Segundo a Folha de S. Paulo, uma carta anônima enviada por funcionários da empresa à CPI da Covid na terça-feira (7) revela suposta influência sobre o governo Bolsonaro de diretores da VTCLog e da aérea Voetur . Segundo a reportagem, os trabalhadores denunciam que três das dez companhias do grupo ao qual pertencem ambas as empresas não têm empregados e que uma das gestoras “possui em sua agenda reuniões com a base do governo”.