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CPI da Covid convoca ex-mulher de Bolsonaro para explicar relação com lobista

Mensagens mostram que Ana Cristina Siqueira Valle, mãe de Jair Renan, encaminhou ao presidente indicações de Marconny para cargos em órgãos do governo

Publicado: 16 Setembro, 2021 - 08h45 | Última modificação: 16 Setembro, 2021 - 09h45

Escrito por: Redação CUT

Reprodução
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A CPI da Covid do Senado aprovou nesta quarta-feira (15) a convocação da ex-mulher do presidente Jair Bolsonaro (ex-PSL), Ana Cristina Siqueira Valle para prestar depoimento.

O que motivou a convocação foram as mensagens trocadas entre Ana Cristina e o lobista Marconny Albernaz de Faria, que depôs ontem. As mensagens mostram que ela encaminhou ao presidente indicações de Marconny para cargos em órgãos do governo.

O lobista Marconny Faria, que é amigo também  do filho zero 4 do presidente, Jair Renan Bolsonaro, é investigado por sua atuação em favor da Precisa Medicamentos que negociou com o Ministério da Saúde a venda da vacina  indiana Covaxin, de acordo com as denúncias, com 1000% de superfaturamento.

Ao final do depoimento de ontem ele passou de testemunha para investigado. Se negou a responder questionamentos e adotou uma postura de descaso com a comissão. Chegou a afirmar que trabalhou para um senador que teria ajudado em um negócio de 12 milhões de testes de Covid-19 com o governo, mas questionado sobre qual senador teria facilitado a intermediação, respondeu que “não lembrava”.

O senador Alessandro Vieira (Cidadania-ES), autor do requerimento, justificou a convocação de Ana Cristina por causa da relação dela com o lobista.

 “Como se sabe, o senhor Marconny Faria atuou como lobista da empresa Precisa Medicamentos, investigada pela CPI da Pandemia em razão de irregularidades na negociação de compra da vacina Covaxin, de modo que a sua relação próxima com a ex-esposa do senhor Jair Bolsonaro deve ser amplamente esclarecida, com vistas a examinar potencial atuação ilícita de ambos no contexto da pandemia”.

No depoimento, Marconny Albernaz disse que conheceu Ana Cristina por meio do filho. Ele negou ter negócios com a família.

O empresário, no entanto, recorreu ao direito de permanecer em silêncio quando questionado se Ana Cristina Valle atuou, em nome dele, na indicação de cargos no governo federal.

O senador Rogério Carvalho (PT-SE) apresentou uma das mensagens. Segundo ele, em agosto do ano passado Marconny Albernaz encaminhou a Ana Cristina Valle uma mensagem enviada ao ministro Jorge Oliveira – à época, ele ocupava a Secretaria-Geral da Presidência.

“Olha o que estava escrito por Marconny ao ministro Jorge Oliveira, do TCU: ‘Venho manifestar meu apoio ao Dr. Leandro Cardoso de Magalhães para assumir o cargo de Defensor Público Federal da Defensoria Pública da União. É um candidato alinhado com nossos valores técnicos e apoiador do Presidente Bolsonaro’", leu o senador.