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Cortar gastos não garante saída da crise econômica, diz Belluzzo

O professor de economia da Unicamp, Luiz Gonzaga Belluzzo, criticou os cortes no orçamento do governo Bolsonaro e a falta de uma política voltada para o desenvolvimento do país, em palestra na CUT

Publicado: 03 Junho, 2019 - 18h35 | Última modificação: 03 Junho, 2019 - 18h43

Escrito por: Rosely Rocha

Reprodução
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O economista e professor na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Luiz Gonzaga Belluzzo, criticou os cortes no orçamento feitos por Jair Bolsonaro (PSL), a falta de visão do governo em construir políticas de investimento para o país sair da crise econômica e a reforma da Previdência.

As críticas foram feitas durante a palestra “Novos Paradigmas Tecnológicos e Impactos na Indústria do Brasil e no Mundo do Trabalho”, promovida pelo Macrossetor da Indústria da CUT e pelo Instituto Trabalho, Indústria e Desenvolvimento, o TID-Brasil, e realizada na sede da Central, em São Paulo, nesta segunda-feira (3).

Belluzzo discorreu sobre a história da industrialização no mundo, os atuais conflitos econômicos entre Estados Unidos e China, e como a política de cortes nos investimentos do governo Bolsonaro, afeta as indústrias brasileiras e o desenvolvimento do país.

Para ele, o massacre que a mídia vem fazendo sobre a “importância” do governo em fazer uma política de cortes, como se fosse uma família comum que precisa cortar gastos em função de uma crise econômica, leva a população a acreditar que o governo está certo em parar os investimentos necessários para que o país saia da crise.

Ele citou como exemplo, os investimentos públicos que alavancaram a economia, na China. Naquele país, 80% dos empréstimos são feitos pelos bancos públicos para empresas públicas e o setor privado. Ou seja, o próprio governo, via bancos públicos, viabiliza as empresas públicas, girando a economia.

“Na economia é o gasto que cria renda. Quanto maior o corte, maior a queda de renda e da receita fiscal ,que vem das operações dos negócios que ocorrem na economia real. O que precisamos é nos livrar desse mantra, desse discurso repetitivo, dessa visão tosca do atual governo, de que cortar gastos resolve a crise econômica”, explica Belluzzo.

Outro ponto criticado pelo professor da Unicamp foi a reforma da Previdência. Segundo ele, a recuperação da economia norte-americana, após o grande período de depressão na década 1930/1940, só foi possível graças à proteção de renda dos trabalhadores feita pelo então presidente dos Estados Unidos, Franklin Delano Rooselvet , que entendeu que era preciso promover um estado de bem-estar social para que as famílias gastassem, em vez de pouparem para a velhice.

“Assim, gerou um grande período de prosperidade, com as pessoas gastando mais sabendo que iriam ter uma proteção à frente, e esse modelo se espalhou para a Europa”, conta.

Se não repensarmos como vamos proteger as pessoas no futuro, vamos fazer como em algumas tribos que jogavam seus velhos do penhasco, quando a comida não dava para alimentar a todos  
- Luiz Gonzaga Belluzo