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Cooperativas de reciclagem alertam como descartar resíduo e não contaminar catador

Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis organiza campanha para ajudar 50 mil catadores do país, considerados essenciais, mas com menos renda e trabalho e mais riscos durante pandemia

Publicado: 30 Abril, 2020 - 11h54 | Última modificação: 30 Abril, 2020 - 12h04

Escrito por: Érica Aragão

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As lideranças das cooperativas de materiais recicláveis, consideradas essenciais no combate ao novo coronavírus (Covid-19), que já infectou mais de 79.685 brasileiros e fez 5.513 vítimas fatais, estão preocupadas com o risco que os catadores e as catadoras vêm correndo por causa do descaso ou falta de informação de algumas pessoas que descartam máscaras e outros equipamentos sem o devido cuidado.

O Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR) tem orientado a população a não descartar na coleta seletiva máscaras, luvas, qualquer outro tipo de Equipamento de Proteção Individual (EPI) ou mesmo resíduos descartáveis que possam estar contaminados. A orientação é para que a população coloque esses materiais na coleta comum. 

“Separe adequadamente seus resíduos, destine apenas os recicláveis para a coleta seletiva, mas se alguém da sua família estiver com sintomas da Covid-19 [doença provocada pelo coronavírus] ou tiver tido contato com a doença, descarte todos os seus resíduos na coleta comum, inclusive os recicláveis, colocando um segundo plástico para isolar melhor os resíduos. Assim, também diminuímos o risco de garis serem infectados”, afirmou Alex Cardoso do MNCR.

É esta também a orientação do médico infectologista, Alexandre Motta. Segundo ele, as pessoas precisam ter cuidados redobrados ao descartarem os EPI usados, mas também com qualquer outro material que pode ser reciclado.

“O vírus fica horas ou dias em algumas superfícies de materiais diversos e então se o que você for descartar tiver qualquer possibilidade de contágio é preciso também identificar o perigo no saco de descarte para proteger os catadores e catadoras, que terão contato e podem se contaminar”.

“Os catadores e as catadoras devem trabalhar na hipótese de que tudo está contaminado e ficar protegidos com máscaras, luvas e óculos”, disse o médico, que exemplificou o tamanho do risco: Uma lata de alumínio, por exemplo, pode ficar de 2 a 4 horas contaminadas. O papel, papelão, os plásticos e o vidro podem ficar até 5 dias contaminados.

Alex contou que os catadores e as catadoras estão se protegendo e tomando todos os cuidados necessários, inclusive estão trabalhando com um número de pessoas menor no mesmo ambiente. Mas, ele ressalta a importância da colaboração da sociedade em separar adequadamente e com segurança qualquer material que pode ser reciclado.

Importância do trabalho do catador

Em qualquer situação, mas especialmente em meio a uma emergência sanitária, o trabalho dos catadores e das catadoras contribui para conter a crise ambiental, cuidar do planeta e ainda gera renda e trabalho com inclusão social.

Os trabalhadores e trabalhadoras, organizadas em cooperativas ou não, que separam os resíduos secos, como papéis, vidros e metal, para serem reciclados, estão encontrando muitas máscaras descartadas sem cuidados o que coloca em risco centenas de pessoas.

Sobre o termo “lixo”

Para os catadores e catadoras, “lixo” não existe, tudo é resíduo e pode ser aproveitado.

Segundo Alex, é preciso excluir esta palavra do vocabulário das pessoas porque 90% de tudo que descartamos podem ser reciclados e apenas 10% não tem como reciclar e é por isso que os catadores e as catadoras não podem parar.

“Se nós pararmos de reciclar, primeiro que perderíamos o potencial e teríamos grande perdas, não só na renda mas também em relação a vida do planeta. Trabalhamos diferentemente da lógica capitalista, a questão ambiental é o carro chefe dos catadores e das catadoras deste país", afirma.

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Catadores e catadoras recebendo doaçõe de cestas básicas

Campanha de Solidariedade aos Catadores

Alex também contou que a maioria das cooperativas recebe os resíduos para reciclar de grandes empresas e comércios e que com a pandemia e o isolamento os materiais tem diminuído. E muitos catadores e catadoras pararam seus trabalhos por falta de material.

E para apoiar a categoria, o MNCR está organizando junto com a Associação Nacional dos Catadores e Catadoras de Materiais Recicláveis (ANCAT) uma Campanha de Solidariedade aos Catadores.

“Nossa proposta é contribuir com R$ 200 reais para 50 mil catadores e catadoras em vale alimentação, com o apoio da Sodexo, àqueles que já passam necessidades em dias normais e que agora precisam ainda mais do nosso apoio’, disse Alex.

A pessoa que quiser ajudar, pode acessar o site da campanha e doar, de forma segura, o que puder.

Auxílio Emergencial

Muitos podem estar se perguntando se o auxílio emergencial de R$ 600 está chegando aos catadores e catadoras e o Portal CUT conversou com Alex sobre isso.

Ele contou que além de não chegar, o auxílio está causando violência psicológica nas pessoas que não conseguem entender a burocratização do governo para conseguir ter acesso ao benefício.

“Todo dia tem um trabalhador aqui na porta de casa pedindo ajuda para receber o auxílio e chega a ser uma violência psicológica para cima das pessoas, que não tem celular, internet e nem estrutura para acessar, acompanhar e receber o benefício”, conta Alex.

Além disso, ele afirma que o aplicativo da Caixa autoriza apenas um código por celular e ainda tem demorado para analisar os benefícios de quem conseguiu se cadastrar.

“O sistema está demorando para fazer análise, e para mim, que tenho computador e internet na mão, já está complicado e estou tendo que me cadastrar outra vez, imagina para quem não tem nada disso e mora longe?”, questiona Alex.